Segunda-feira, Fevereiro 28, 2011

O CISNE NEGRO


FALANDO DE CINEMA


FILME EM DESTAQUE: “O CISNE NEGRO”

REALIZADOR: Darren Aronofsky

INTÉRPRETES: Natalie Portman; Vincente Cassel, Winona Ryder; Toby Hemingway; Ksenia Solo; Mila Kunis

GÉNERO: Drama/Thriller IDADE: M/16 anos- Filme de Qualidade DURAÇÃO: 103 m

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Por vezes questiono-me, ao assistir à projecção de tantos filmes maus onde impera a violência gratuita, tiros, explosões e mortes em profusão, porque gosto eu tanto de cinema. Confesso que muitas vezes questiono a minha sanidade mental por insistir em ser um cinéfilo compulsivo. Felizmente que, de quando em vez, aparecem filmes como este “Cisne Negro” que me dão a garantia de que ainda não enlouqueci totalmente e que o cinema é mesmo um mundo de magia e uma arte capaz de nos oferecer trabalhos de grande beleza quando feito por artistas e não por comerciantes. Há muita gente a fazer cinema mas há poucos cineastas. Os bons filmes surgem quando se encara o cinema como uma arte e não como uma indústria.

Fiquei deveras fascinado com este “Cisne Negro” que é um espectáculo cinematográfico notável e que chega mesmo, em certos momentos, a ser arrebatador. Não é um filme fácil, nem um filme cómodo. Direi mesmo que é perturbador, de uma beleza que dói, mas que encanta, principalmente os apreciadores da dança clássica, da boa música e de cinema de qualidade. Passado nos bastidores de uma companhia de ballet em Nova Iorque o filme revela-nos, talvez com algum exagero propositado, o lado negro de uma arte mágica e encantadora. O espectador é levado a viver intensamente e, de certo modo, a sofrer também, as tensões, o nervosismo, a insegurança, as rivalidades, o sofrimento, as esperanças e desiliusões, o despeito e a traição e todo um rol de sentimentos antagónicos que assaltam as bailarinas e que as podem conduzir à loucura e até à auto-destruição. Por norma os bastidores de qualquer actividade artística, por mais bela que ela seja, tem pouco a ver com a beleza da arte que ali se cultiva. O mundo da dança não é excepção.

Nina Sayers, (Natalie Portman), é uma das muitas bailarinas da New York City Ballet e nunca tinha sido escolhida para interpretar um papel principal em nenhum espectáculo. Com o abandono, contrariado, da estrela da companhia, Beth Macintyre, (Winona Ryder), abre-se um lugar para interpretar a rainha dos cisnes no bailado “O Lago dos Cisnes” com que a companhia iniciará a nova temporada. Nina, uma perfeccionista, é a grande candidata ao lugar, mas Thomas, o coreógrafo, (Vincent Cassel), tem ainda algumas reservas, porque se ela está perfeita a interpretar o cisne branco, na sua opinião, não está a fazer o cisne negro com a mesma perfeição. As reticências de Thomas fazem com a dúvida comece a atormentar Nina que vê as coisas complicarem-se quando chega à companhia uma nova, e ambiciosa, bailarina, Lily, (Mila Kunis), que lhe irá tentar roubar o papel, sem qualquer tipo de escrúpulo e sem olhar a meios.

Uma nova rival, a indecisão do coreógrafo e director da companhia, e a hostilidade de Beth, que foi obrigada a retirar-se devido à sua idade, Nina vê a sua vida transformar-se num autêntico pesadelo. Obsecada pela vontade de atingir a perfeição e pressionada pelo coreógrafo e pela ambição de Lily, Nina entra em depressão e aproxima-se perigosamente das fronteiras da loucura. É assim, entalada entre a perfeição e a perturbação mental que a bailarina, apesar de todas as contrariedades irá lutar até ao limite das suas forças e das suas capacidades pelo tão ambicionado papel. É uma viagem inquietante e assustadora pela mente de Nina e pela intriga e perfídia que invadiu os bastidores da companhia. Daí até final o filme vai em crescendo e alia, contra toda a lógica, a brutalidade com a beleza. Com a intensidade dramática a crescer de cena para cena e com o suspense a tornar-se quase insuportável para o espectador, também a beleza cresce. Este casamento entre o encanto do ballet com o seu lado negro e da perfeição com a loucura oferece-nos cenas fantásticas e comoventes a ponto de ser práticamente impossível assistir ao final do filme sem que os olhos se humedeçam. O êxtase provocado pelo belo também pode fazer chorar.

Não posso terminar este comentário sem referir a extraordinária interpertação de Portman que com este trabalho arrecadou já um Globo de Ouro, um Bafta e o prémio dos sincato dos artistas e está nomeada para um Oscar sempre na categoria de melhos actriz principal. É mais do que merecido.

Se o filme no seu todo é excelente não posso deixar de salientarr a lindíssima cena de abertura e as cenas finais que o terminam em verdadeira apoteose. É muito bom ver cinema quando nos oferecem filmes como este.

Guilherme Duarte

(Comentário publicado no número de Março do jornal "Cruz Alta". www.paroquias-sintra.net)

4 comentários:

Maria Elvira Bento disse...

Gui, estou interessadíssima em ir ver este filme. Agora, depois de sentir o seu fascínio por ele, a minha curiosidade aumentou. Bij.

Olhos de mel disse...

Querido Gui; esse filme é maravilhoso e a interpretação da atriz foi maravilhosa!
Boa semana! Beijos

Juℓi Ribeiro disse...

Gui:

Este filme é maravilhoso!

Seu blog está encantador.
Seu bom gosto se reflete
nas postagens...
A beleza e a arte se encontram
presentes nas imagens, nos temas,
na música.
Adorei te visitar.
Um abraço.

Alice disse...

Gui...
não é cinema fácil, segundo creio...
Estou à espera de coragem para ir ver...

Fica bem...