Segunda-feira, Novembro 23, 2009

A MULHER E A FLOR


Uma flor sem pétalas,
Deixou de o ser.
Sem roupa, a mulher
É.

Desfolha uma flor
E mata-la-ás.
Despe uma mulher
E ela resplandecerá.

Não é por acaso que as flores
Nascem com pétalas,
Nem por acaso que a mulher
Nasce sem roupa.

Se a natureza assim o quer
Só temos que respeitá-la.

Que assim seja.

Domingo, Novembro 08, 2009

RUTE E RUI


UM HOMEM E UMA MULHER ( O fascínio)

Rute acabou de entrar no colégio com a pequena Catarina pela mão. Não tem aquilo que se pode chamar uma cara bonita, nem é também uma mulher escultural, mas é no entanto uma mulher interessante, a transpirar sensualidade em cada gesto, em cada olhar, em cada sorriso e em cada palavra que pronuncia. Pode dizer-se que é uma mulher fascinante. Gosta de se sentir admirada e desejada, mas não admite familiaridades. Sente um prazer em provocar os homens que se cruzam com ela, o que consegue com impressonante facilidade, mas faz questão em manter sempre uma considerável distância. Provoca-os mas não os incentiva, é como que uma fonte a deitar água muito fresca numa tarde de calor, mas com a bica tão distante que é impossível chegar-lhe. Ela diverte-se com esta situação, como se diverte ao sentir o ar babado e imbecil da maior parte dos homens com que se cruza, a percorrê-la de alto baixo com os olhos. Sente que está a ser despida mentalmente mas isso não a incomoda absolutamente nada, antes pelo contrário, diverte-se com o olhar guloso com que a despem, mas segue em frente, divertida, como que ignorando a presença deles e dos seus olhares, mas no íntimo compraz-se a imaginar todas as fantasias que povoam aquelas cabeças levianas, pensando maliciosamente, com um sorriso irreverente a bailar-lhe nos lábios, que muitos deles não conseguiriam concretizar com competência mínima tudo aquilo que eles gostariam de lhe fazer e que alguns cometem mesmo a ordinarice de lhe dizer.

Bastante alta, elegante, com um peito bem desenhado e firme, e umas pernas, compridas e bem torneadas, vestindo sempre com bom gosto e um atrevimento bem estudado, é impossível a qualquer homem sensível à beleza feminina olhá-la sem que a sua cabeças seja invadida por pensamentos pecaminosos. Ela sabe e compraz-se com isso e nada faz para o evitar. Gostava de se sentir desejada, mas não dava um passo, nem fazia um gesto para encorajar que alguém se atrevesse a ir mais além do que um silencioso desejo. È verdade que muitas vezes ouvia o mais diverso tipo de piropos, uns engraçados, outros de muito bom gosto e muitos a roçar a boçalidade. Todos eles batiam na carapaça da sua indiferença e seguia em frente, ígnorando o piropo e o seu autor. É simpática, comunicativa e cordial mas não dá oportunidade a homem nenhum que se atreva a avançar para além dos cumprimentos de circunstância, mas fazia-o com um sorriso tão atrevido e um olhar tão meigo que instalava a confusão na cabeça de cada um deles. Eles bem gostariam de dar um passo em frente mas temem a sua reacção porque a distância que ela faz questão de manter não augura grande sucesso à tentativa.

Rui tem uma obsessão muito especial por Rute. Sempre que se cruza com ela no colégio, o que acontece diáriamente, ele fica fascinado com a elegância daquela mulher que tem algo que o seduz e perturba. É o sorriso franco e o olhar ligeiramente provocador, são também os gestos graciosos, o discurso inteligente e um apurado sentido de humor que ela deixa transparecer nos contactos diários, mas curtos, que tem vindo a manter com ela quase diariamente. Homem experiente e racional, Rui sabe que existe uma barreira intransponível entre eles, a idade. Já ultrapassada a casa dos cinquenta ele sabe perfeitamente que 20 anos de diferença são praticamente impeditivos de pensar em algo mais que não seja admirar a sua beleza e graciosidade e imaginar como devem ser deliciosas as noites passadas em tão sedutora companhia. É verdade que sua figura elegante, o cabelo farto e grisalho e os modos cavalheirescos que o caracterizam têm-lhe aberto algumas portas que ele havia julgado completamente inacessíveis, mas não tinha a menor esperança em que isso viesse um dia a acontecer com Rute. Ele desejáva-a, gostaria de a apertar nos seus braços mas a razão aconselháva-o a deixar-se de fantasias e aceitar a realidade; aquela mulher esplêndida jamais lhe cairia nos braços, até porque segundo pensa ela é uma mulher casada e nada o autoriza a pensar que alguma vez pensasse em trair o marido. Resta-lhe por isso admirá-la quando se cruza com ela, trocar algumas palavras de circunstância e não deixar que, por um momento que seja, ela se apercebesse das suas fantasias. O que Rui não imagina é que Rute, inteligente e esperta como é, já há muito deu conta que por detrás da galanteria e cavalheirismo com que ele a trata está escondido um desejo intenso de a possuir, desejo esse que ele sempre pensou ser capaz de esconder mas que estava estampado no seu olhar que longe de a ofender ou incomodar a diverte e lisonjea.

A mãe da pequena Catarina é uma mulher honesta e segura de si, mas gosta de agradar e de se sentir admirada e desejada pelos homens. Não os encoraja, não lhes dá o menor sinal de que lhes adivinha os pensamentos, e na maioria das vezes, até deixava entender que nem sequer dá pela sua presença, mas muito intimamente sente-se lisonjeada. Aprecia um bom “flirt”, mas só muito raramente cede a essa sua fraqueza quando sabe de antemão que tem a situação controlada e que será capaz de parar quando achar que é o momento certo para o fazer. Ela conhece o perigo que um “flirt” pode trazer consigo quando se perde o domínio sa situação, por isso raramente arrisca, embora muitas vezes estivesse tentada a fazê-lo, como é agora o caso de Rui. Já notara o fraco que ele tiem por ela, gosta da sua figura e dos seus modos de cavalheiro, e aprecia a atenção que lhe dispensa, sempre galanteador sem se tornar vulgar nem importuno. Rui, por seu lado é também ele um homem seguro de si, cauteloso, daqueles que esperam pacientemente por uma distracção ou uma fraqueza momentânea para atacar a sua “presa”. Não arrisca uma atitude precipitada que possa deitar por terra as sua pretensões e tal como ela tem todas as características de um jogador prudente e experimentado.
………
- Quando sair daqui vou ao “Preto” tomar o pequeno almoço, disse Rute, em voz alta, para uma amiga, mãe de uma colega de turma da filha.
Rui ouviu esta frase e ficou com a sensação nítida que ela foi proferida intencionalmente e dirigida mais para ele do que para a amiga. Ficou alvoroçado, não pelo facto de ela ir ao “Preto”tomar o pequeno almoço mas porque se era verdade que quis que ele tomasse conhecimento desse facto, o que pretenderia ela com isso? Não sabia ainda, mas havia uma coisa de que ele tinha a certeza: daí a 5 minutos estaria, também ele no “Preto” a tomar o pequeno almoço. Depois se veria.


O PEQUENO ALMOÇO NO PRETO – (A ABORDAGEM)

Ao entrar no Casa do Preto, Rui olha em redor e descobre Rute, sózinha, sentada numa mesa ao fundo da sala. É com alguma satisfação que costata que as mesas se encontram todas ocupadas, o que lhe oferece a justificação para pedir permissão para se sentar junto dela.
- Olha quem está aqui ! Que agradável coincidência encontrarmo-nos duas vezes em tão curto espaço de tempo. - atirou ele com uma naturalidade estudada, e sem dar tempo a que ela lhe respondesse continuou: – Permite-me que me sente à sua mesa? O café está cheio e eu não gosto nada de comer em pé…como os cavalos – justificou-se tentando ser engraçado.
Ela esboça um sorriso trocista e responde num tom ligeiramente sarcástico:
- É verdade, é mesmo uma grande coincidência não é verdade? – disse ela sem responder ao pedido feito pelo seu interlocutor e deixando bem claro que conhecia o motivo que o levara ali.
Rui sentiu-se desconfortável com esta reacção que não esperava, e vacilou. Bastou um sorriso e uma frase curta carregada de ironia para que Rute fizesse desmoronar toda a confiança e descontracção que ele estava a tentar aparentar. Ficara desarmado logo ao primeiro embate, mas aos poucos foi recuperando a confiança perdida ao pensar melhor no que dignificaria aquela reacção. Agora não lhe restavam dúvidas, ela acabara de confirmar que não fora inocentemente que anunciara no colégio, em voz alta, que iria ali tomar o pequeno almoço. Ela pretendera mesmo que ele a ouvisse. Porquê? Com que intenção? Rui não tinha ainda a certeza de nada mas agora já mais afoito decidira que não sairia dali sem saber a resposta. Ali mesmo, à mesa daquele café.
Recuperado ânimo retorquiu:
- Acho que sim. Mas.. há alguma coisa que a possa levar a pensar que não seja?
- Claro que não. Aliás é quase um ritual obrigatório sair do colégio e vir ao Preto. Praticamente todas nós o fazemos, mas a si não me recordo de o ter visto por aqui alguma vez.
- Tenho por hábito tomar o pequeno almoço em casa. Mas ainda não me respondeu, permite-me que me sente à sua mesa?
- Que distracção a minha, desculpe. Claro que sim. Esteja à vontade.
Rui disfarçou, atrás de um sorriso de satisfação, um suspiro de alívio. O primeiro “round” estava ganho mas o mais difícil estava ainda para vir.
- Disse que costuma tomar o pequeno almoço em casa, hoje foi uma excepção claro. Adormeceu, atrasou-se e por isso está aqui, não é verdade ? – disse ela retomando o ar trocista.
- É verdade. Hoje atrasei-me um pouco e… bem vou ser franco consigo. Promete que não se zanga se eu lhe fizer uma confissão?
- Porque me haveria de zangar? A não ser que seja grave o que tem para confessar? Tenha cuidado porque eu costumo aplicar penitências pesadas. – respondeu ela visívelmente divertida.
- Eu corro o risco, e prometo cumprir à risca o castigo que me impuser, aguento bem com qualquer peso – retorquiu tentando ser atrevido e fazer graça, de novo sem sucesso. Ficou zangado consigo próprio e pensou que estava a comportar-se como um verdadeiro idiota.
- Então confesse-se lá. Estou curiosa – respondeu ela ignorando o dichote.
- O nosso encontro aqui não se deve a coincidência nenhuma – disse Rui algo receoso.
- Não? Porque será que não fiquei surpreendida com essa revelação? – respondeu ela de novo com ar de troça.
- Provavelmente porque ao dizer em voz alta que vinha para aqui, pretendeu que eu a ouvisse – disse Rui imprudentemente, arrependendo-se de imediato por ter sido tão insensato.
A expressão de Rute alterou-se radicalmente ao ouvir a afirmação de Rui. O sorriso gaiato e matreiro deu lugar a um ar mais carregado e foi possível vislumbrar um rasto de ira no seus olhos.
- Está a insinuar que eu me estava a atirar a si, ou melhor, está mesmo a afirmar que eu pretendi que viesse atrás de mim para o café? – respondeu parecendo irritada elevando propositadamente a voz – Espero que tenha noção de quanto está a ser insolente, convencido e ridículo- esta última frase foi perfeitamente audível nas mesas mais próximas..
Rui olhou em volta para se aperceber se do efeito da reprimenda junto das pessoas que os rodeavam e reparou, envergonhado, que alguns olhares se tinham voltado para eles. Se houvesse ali um buraco ter-se-ia enfiado por ele abaixo.
- Desculpe Rute, não foi isso que eu quis dizer…peço desculpa, não me fiz entender – gagejou com voz sumida e vermelho que nem um tomate.
- Fez-se entender muito bem e disse-me claramente que eu pretendi incentivá-lo a seguir-me até ao café. Não tente desculpar-se com argumentos idiotas, seja home e assuma o seu atrevimento – continuou ela a desancar no pobre homem que perdera totalmente o controlo da situação. Fora um cretino e portara-se como um adolescente burro, ele que pensava que estava senhor da situação.
- Rute desculpe, fui um idiota, mas há uma explicação para o meu comportamento.
- Claro que há. É um convencido e um sedutor de meia tigela que pensa que todas as mulheres anseiam por lhe cair nos braços.
- Está enganada Rute, eu não sou assim. Já sou um homem maduro…
- Maduro e prestes a cair de podre – continuou ela implacável.
Completamente desorientado e desiludido, Rui decidiu que a melhor atitude a tomar seria retirar-se para evitar que a humilhação fosse ainda maior.
- Rute, peço-lhe desculpa e se me permite, vou deixá-la descansada a tomar o seu pequeno almoço. Lamento tê-la incomodado e perdoe-me se a insultei, mas acredite que não foi essa a minha intenção.
Com um ar abatido pela humilhação sofrida, Rui levantou-se da mesa, curvou ligeiramente a cabeça e despediu-se.
- Mais uma vez, desculpe.
- Espere. Vai-se embora sem tomar o pequeno almoço? – atirou-lhe Rute de chofre deixando-o completamente atónito.
O jogo tinha começado e ela marcara os primeiros pontos, deixando bem claro que dali para a frente seria quem ditaria as regras.
- Perdi a fome, acredite. Bom dia. – Voltou a despedir-se.
- Va lá, não seja tonto. Sente-se e coma. Entretanto faça lá a sua confissão.
Rute retomara o ar gaiato e zombeteiro que tanto o seduzia. Tinha-o completamente na mão, e ambos sabiam disso. Rui ainda meio envergonhado sentou-se de novo junto dela, não sem antes ter lançado um olhar furtivo para as mesas vizinhas.
- Olhe menina, este senhor quer fazer o pedido – disse Rute para a empregada que passava nesse instante junto à mesa onde se encontravam.
- Sim? E o que vai querer? – perguntou, solícita, a empregada.
- Um galão bem escuro e uma bola saloia com queijo e manteiga. - Pediu Rui.
Olhou para a companheira de mesa e foi brindado com um sorriso jovial que lhe aqueceu a alma e o deixou mais tranquilo. No entanto na sua cabeça bailava uma questão: que iria fazer a seguir? Estava perdido, desorientado e cheio de dúvidas sobre a forma como iria conduzir a conversa daí para a frente. Por instantes questionou-se se teria sido prudente ter entrado naquele café atrás de Rute. Sentiu-se como aqueles navegantes que segundo as lendas marítimas corriam atrás do canto das sereias acabando por naufragar e ver as suas embarcações estilhaçadas contra os rochedos. A sereia estava ali à sua frente e ele nesse momento sentia-se a naufragar. A sereia estender-lhe-ia a mão para o salvar do naufrágio. E se estendesse, assustado como estava, ele teria força e coragem para a agarrar? Não sabia responder, naquele momento a sua cabeça era um autêntico turbilhão onde fervilhavam pensamentos, ideias e sentimentos contraditórios. O naufrágio estava iminente.

O CONVITE

Durante pouco mais de meia-hora Rute e Rui falararam de si, dos seus gostos e interesses, das suas actividades profissionais e um pouco da sua vida pessoal. Ficaram a saber que eram ambos juristas, ela como consultora num banco e ele fazendo parte de uma florescente sociedade de advogados, e que também eram os dois divorciados, ele há cerca de vinte anos, ela há pouco mais de quatro. Descobriram que tinham interesses comuns mas também algumas divergências e delicadamente procuraram falar apenas daquilo que os unia evitando abordar temas em que as suas opiniões pudessem ser divergentes e causar algum mau-estar entre eles. Rui foi sempre muito cauteloso em tudo aquilo que dizia para evitar situações embaraçosas como aquela que acontecera no início da conversa, enquanto Rute fazendo jus à sua conhecida irreverência se ia divertindo a confundir o seu companheiro de refeição numa espécie de toca e foge, ora estimulando-lhe a imaginação, ora colocando-o a uma certa distância e arrefecendo-lhe o ânimo, assim como quem ateia o fogo para de seguida lhe atirar para cima com um balde de água.
Rui a pouco e pouco foi-se adaptando ao jogo da sua companheira de mesa e não se deixou confundir com a forma imprevisível como ela conduzia a conversa. Tentou não se entusiasmar demasiado com o descaramento subtil com que ela tentava incutir-lhe alguma esperança, nem abater com a aparente frieza com que repentinamente o passava a tratar. Foi, como costuma dizer-se, navegando ao sabor da corrente sem se deixar afundar. Rute não demorou muito a perceber que dificilmente conseguiria voltar a confundir-lo como fizera quando da abordagem inicial, e começara até a admirar a fleuma com que ele enfrentava as maldades que ela lhe ia fazendo. Apreciou a inteligência com que ele estava a jogar, porque estava agora bem claro que era de um jogo que se tratava. Um jogo de xadrez em que os lances eram todos ele muito pensados até ao xeque-mate final, que na perspectiva de Rui seria conquistá-la e levá-la para a cama, e na de Rute, deixar que ele pensasse que tinha o jogo controlado para no final ser a ela a fazer o xeque ao rei e deixá-lo a chuchar no dedo. Ela não admitia sequer que o resultado pudesse ser outro que não aquele que já tinha planeado.

- Menina, traga-me a conta desta mesa se faz favor – pediu Rui à empregada que acorreu prontamento ao sinal que lhe fez.
- Nem pense que vou deixar que pague a minha despesa – protestou Rute.
- Faço questão. É o mínimo que posso fazer para a compensar da seca que lhe preguei.
- Se é para pagar a maçada de ter que levar consigo durante meia-hora acho que está a ser um grande forreta. – disse Rute tentando parecer que falava a sério, mas rindo-se interiormente.
Rui que não esperava esta resposta ficou confuso sem saber se seria este o seu pensamento ou se não passaria de mais umas das suas brincadeiras e não foi capaz de dissimular a sua dúvida deixando que uma expressão de espanto se estampasse no seu rosto. Provocando em Rute uma grande e sonora gargalhada. Divertida tranquilizou-o de seguida:
- Não faça essa cara, eu estava a brincar. Não me diga que acreditou no que eu lhe disse.
Rui afivelou um sorriso meio amarelo e disse pouco convicentemente:
- Não, claro que não acreditei. Sabia perfeitamente que estava a brincar.
Ela riu-se com gosto fingindo ter ficado convencida e para acabar com qualquer dúvida que ele ainda tivesse, perguntou-lhe:
- E agora o que vai fazer? Já sei o que vai dizer: trabalhar, não é verdade?
- Não, não é verdade, hoje não vou ao escritório, deçpois deste pequeno almoço maravilhoso decidi ir até à Pena e mergulhar naquele mundo de beleza, encantamento, calma e romantismo.
- Talvez não acredite mas moro em Sintra há quáse 10 anos e nunca visitei a serra. Não conheço a Pena, nem o castelo.
- É imperdoável, Rute. Nem sabe o que tem perdido porque se trata de um local maravilhoso que nos enche a alma de paz, de leveza e de liberdade como só a natureza no seu estado mais genuíno nos pode proporcionar.
- Pois é, mas infelizmente nunca se proporcionou ir até lá, mas em face do seu entusiasmo vou pensar seriamente em ir até lá um destes dias.
- E porque não agora? Quer ir comigo? Garanto-lhe que não arranjaria melhor cicerone.
Rui corou, não acreditando que acabara de cometer a imprudencia de a convidar a acompanhá-lo nos caminhos escondidos da serra. Por breves momentos receou uma reacção demolidora por parte da rapariga e apressou-se a esclarecer:
- Desculpe a ousadia, mas não é nada do que poderá estar a pensar.
- E quepoderei eu estar a pensar?
- Provavelmente que eu sou um descarado, um atrevido que não a respeita e que tem em mente intenções menos sérias. Em suma, como você disse, um velho a cair de podre com pretensões a sedutor.
Rute sorriu e replicou:
- Confesso que pensei nisso e achei graça ao ouvir um velho caduco, a cair de podre, a falar de romantismo.
E continuou implacável:
- E pensei também que há muito atrevimento nesse seu convite, que não acredito minimamente nas intenções que, decerto me irá garantir a seguir, serem as mais honestas deste mundo, e que este convite é um exemplo de inocência. Tenha dó, por quem me toma?
Rute estava divertida a ver a atrapalhação do homem que apenas conseguiu balbuciar:
- Mas é a verdade Rute – mentiu com quantos dentes tinha na boca.
- Pois é, e o Pai Natal também vem todos os anos para descer pela chaminé, não é assim?
Rui não respondeu e pensou para consigo que fizera asneira uma vez mais. Mas onde andava ele com a cabeça, ele sempre tão racional e sensato naquela manhã ainda não fizera outra coisa senão asneirar.
A rapariga olhou para ele com ar trocista que foi capaz de encher de doçura para lhe dizer:
- Aceito o seu convite. Eu vou consigo.
Rute olhou divertida para o ar de incredulidade com que o seu interlocutor a ouviu aceitar o seu convite e não conseguiu reter uma boa gargalhada que ecou, mais uma vez, pela sala atraindo o olhar de todos os presentes. Travessa voltou à carga:
- Mas não pense que me apanhou. Vou apenas para conhecer a Pena na companhia de alguém que a conhece muito bem como disse. Desengane-se se tem em mente algo mais do que isso.
- Pelo amor de Deus, Rute, não pense por um minuto sequer, que alimento qualquer outra intenção que não seja mostrar-lhe toda a beleza do palácio e o encanto do parque envolvente.
- Penso, mas vou na mesma. Sou suficientemente segura e esclarecida para ser eu a escolher o meu próprio caminho. Só faço aquilo que quero fazer, com quem quero fazer e onde quando quero fazer, e não quero fazer consigo. Fica bem claro?
- Esclarecidíssimo, mas parece-me que o esclarecimento foi desnecessário porque não há nada para esclarecer. Convidei-a a visitar a Pena comigo porque disse que não conhecia e que gostaria de lá ir. Apenas isso.
- Está bem. Finjo que acredito. Agora uma pergunta: no seu carro ou no meu?
- Vamos no meu. A Rute deixa o seu carro ali no largo da feira ou no adro da igreja, e depois vamos serra acima.
- Para ver o palácio e o parque. Apenas isso.
- Apenas isso, juro – prometeu Rui fazendo figas atrás das costas. – Então vamos?
- Vamos então.


O PASSEIO NA SERRA

Rute e Rui subiram a serra com estados de espirito bem diferentes. Enquanto ele se sentia alvoroçado, como se fosse ainda um adolescente, a rapariga ia um pouco mais apreensiva pensando se não teria sido precipitada e imprudente a sua decisão de aceitar o convite que ele lhe fizera para o acompanhar neste passeio à serra, convite esse que ela tinha a certeza não ter sido de todo inocente. Por outro lado ela confiava cegamente na sua determinação e sabia que ninguém a conseguiria obrigar a fazer nada que não quisesse fazer, e essa certaza tranquilizou-a um pouco mais. Era uma mulher descomprometida, livre de fazer o que muito bem entendesse sem receio de ser alvo de recriminações. Não devia satisfações a ninguém e não se importava de ser vista na companhia de Rui, por quem e onde quer que fosse. Quanto a isso estava absolutamente tranquila, a sua inquietação tinha mais a ver com a simpatia que, inexplicavelmente para ela, começava a sentir por aquele homem que até àquela manhã conhecia muito superficialmente e que depois de algum tempo de convívio começara conquistar a sua admiração. Porquê? Nem ela sabia ainda explicar, mas a serenidade com ele soube conviver com a sua imprevisibilidade e irreverência, que outra pessoa classificaria de falta de educação, foi conquistando a sua simpatia e admiração. Rui revelara-se um homem educado, inteligente e sensato e ela começava a gostar dele, por isso estava inquieta, embora tivesse a certeza de uma coisa: que se era verdade que não faria nada que não quisesse, ela já não sabia se queria ou não, e tinha um pressentimento inquietante: aquele dia na serra com aquele homem poderia vir a ter consequências futuras muito sérias. Que tipo de consequências? Não fazia a menor ideia, e era precisamente isso que a pertubava. E foi assim, quase em silêncio, pensativos e expectantes, que ambos subiram os caminhos sinuosos da serra até chegarem aos portões do parque da Pena.
- Chegámos – disse Rui quebrando o silêncio - Vamos finalmente mergulhar num mundo de silêncio e de tranquilidade, diria mesmo que um mundo de magia e deslumbramento. Aqui encontrará o ambiente mais romantico que possa imaginar.
- Mas eu deixei bem claro que…
- Sossegue minha amiga, o romantismo do local não obriga ao romance, e só existe romance quando duas pessoas estão predispostas a vivê-lo, o que não é definitivamente o seu caso. Não é assim?
- É isso mesmo, mas você disse,”o seu caso”, referindo-se a mim, e o seu caso qual será? Terá vindo você predisposto a viver um romance num local tão romântico como este?
- Claro que eu sou sensível ao romantismo desta serra, e ainda mais sensível à companhia de uma mulher bonita e inteligente como a Rute, mas não sou eu que importa. Aqui o que conta é o que você não quer e isso basta-me porque para mim, a sua vontade é uma ordem. Não haverá romance, ponto final. Está mais tranquila?
- Sempre estive tranquila – mentiu ela, querendo parecer segura de si.
- Então entremos e deixemo-nos inebriar pelo clima de beleza e de paz que aqui se vive. Vai ver que sairá daqui encantada e com vontade de voltar muitas mais vezes. Este local reconforta a alma.
Os dois entraram no parque e iniciaram vagarosamente a subida até ao palácio, por um caminho íngreme, à sombra do arvoredo frondoso e centenário e ao som alegre do chilreio da passarada. Foram conversando descontraidamente até chegarem ao palácio da Pena, um antigo convento mandado edificar por D. Manuel I que o entregou aos frades Jerónimos. No século XIX, o rei D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha, segundo de Portugal e marido da rainha D. Maria II transformou-o neste palácio de conto de fadas, fazendo dele um dos mais importantes monumentos do romantismo em todo o mundo.

A imponência do palácio construido sobre as fragas era esmagadora. Rute estava maravilhada, pois só o conhecia de o contemplar de longe e não imaginava que tivesse tal grandiosidade. Rui ia sendo um cicerone paciente e conhecedor que lhe ia transmitindo tudo o o que sabia sobre o monumento, sobre o parque e sobre o criador de toda aquela beleza que ia deixando extasiada a sua bonita acompanhante. A calma e a tranquilidade que os envolvia, à medida que se embrenhavam na mata iam fazendo com que apenas eles e o cenário onde se movimentavam fossem importantes, tudo o resto deixara de existir e aquilo que ficara lá em baixo, deixava ali de fazer sentido. As suas vidas, as suas profissões e os seus problemas, tudo ficara para trás e não perturbava a paz que ambos sentiam naquele momento. Estavam no paraíso.
Depois da visita ao palácio embrenharam-se floresta adentro mergulhando num mundo de sonho onde tudo era possível e onde as pessoas se transfiguravam e deixavam fluir sentimentos insuspeitados, sem fingimentos, sem defesas e sem preconceitos. À medida que iam avançando para o interior do bosque sentiam que um clima de magia os envolvia e que uma certa lascívia se ia apoderando deles. Rute sentiu o perigo mas não se preocupou, até ali o acompanhante nada fizera para se aproveitar do seu amolecimento que, de certeza, não lhe estava a passar despercebido. Quantas vezes e quantas mulheres já ele ali levara e quanto momentos românticos não vivera já naqueles cantinhos recônditos e escondidos, contando com a cumplicidade do denso arvoredo que os escondia dos olhares curiosos de quem por ali pudesse passar, pensava Rute naquele momento. Rui estava a cumprir o prometido e comportava-se como um autêntico cavalheiro.

Os dois, iam percorrendo devagar os caminhos do parque, parando para conferir o nome das muitas espécies exóticas que ali se encontram e que por inciativa de D. Fernando vieram dos quatro cantos do mundo para ali serem plantadas. Passaram a Fonte dos Passarinhos, onde se dessedentaram com a água fresca e cristalinha que ali jorra permanentemente, desceram aos lagos onde contemplaram a beleza e elegância dos cisnes e extasiaram-se com a policromidade do bosque, pintado em vários tons de verde, agora também salpicado, aqui e além, por algumas manchas de amarelo e castanho a recordar que o Outono se estava a aproximar. Sentaram-se num banco de pedra junto à água corrente e descansaram um pouco, embalados pela música suave da água a escorrer na encosta. Enquanto isso trocavam olhares carregados de ternura só possíveis encontrar quando há almas em festa. Rui pegou na mão da companheira sem que esta reagisse de imediato, para alguns minutos depois a retirar discreta e delicadamente sem dizer palavra. O silêncio deles naquele momento dizia muito mais do que todas as palavras do mundo. Era evidente que gostavam de estar ali um com o outro, sentiam-se bem e as suas mentes começavam a ser invadidas por pensamentos e desejos que eles não conseguiam controlar, tendo sido, no entanto foram capazes de se conter sem que nada acontecesse para além do prazer que sentiam em estar ali juntos, os dois. Ainda não era o momento oportuno, pensou Rui. Quando será que ele vai tentar, interrogou-se Rute.

Iniciada a subida até ao ponto mais alto da serra de Sintra, num local denominado por Cruz Alta, Rui decidiu levá-la por uns trilhos fora da rota normal dos visitantes do parque e que tinham tanto de belos como de difíceis. O caminho acidentado, por meio de rochas que tornavam o piso irregular dificultando a marcha, tornou penosa a caminhada para Rute que com os seus sapatos de salto alto estava constantemente a desiquilibrar-se. Rui deu-lhe a mão para a ajudar na subida e assim se mantiveram ao longo de todo o caminho. Passaram pela Feteira da Rainha, um sítio encantador e luxuriante onde se ouve o murmúrio das águas a correr no regato e dirigiram-se até ao Chalet da Condessa onde, segundo se diz, D. Fernando mantivera um caso amoroso com a bela condessa de Elba, com quem viria a casar mais tarde, depois de ter enviuvado. Rui contou à amiga a história dessa relação amorosa do rei, sem se esquecer de sublinhar que a beleza ímpar daquele local teria certamente influenciado o germinar do amor entre dois seres sensíveis, com as almas cheias de poesia. Rute ficou sensibilizada com o relato daquele amor secreto, que nada teria de invulgar, não fora o fascínio do local onde ele foi vivido, e compreendeu como era fácil a alguém ceder ali aos impulsos do coração e aos desejos que, começando na cabeça, rápidamente se espalhavam por todo o corpo. Rute começava a sentir a sua determinação a vacilar e teve receio do que poderia acontecer dali para a frente, mas o desejo começava a ser mais forte do que o medo, e ela, em vez de se assustar, começou mesmo a sorrir á hipótese da rendição. No seu subconsciente crescia a ideia de que aquela manhã se poderia vir a transformar em algo mais do que um simples passeio para conhecer o parque.

Continuaram a escalada com o caminho, em direcção à Gruta do Monge, a tornar-se cada vez mais duro. Ao subir uma rocha mais saliente Rute tropeçou, desiquilibrou-se e para evitar a queda agarrou-se institivamente ao amigo que já tinha os braços abertos para a acolher. Ao senti-la colada ao seu peito, Rui apertou-a contra si e ficou a olhá-la com um ar tão doce que fez com que as pernas de Rute começassem a tremer. As bocas aproximaram-se e acabaram por se tocar, primeiro num contacto breve, para instantes depois se unirem num beijo intenso e demorado que fez disparar os corações dos dois amigos. Sem serem capazes de determinar o tempo que demorou esse beijo, Rute acabou por colocar mão no peito do companheiro e afastá-lo suavemente dizendo-lhe:
- Não Rui, não pode ser. Isto não devia ter acontecido e não pode voltar a acontecer.
- Porquê minha querida? Diz-me porquê?
- Não sei, estou muito confusa, só sei que está errado. Não faz sentido e não era nada disto que eu tinha em mente quando aceitei o teu convite.
- Eu sei Rute. Aliás fizeste questão de mo dizer várias vezes.
- Por isso mesmo. Mas como é que isto foi acontecer? Não podia, meu amigo, não podia.
- Mas aconteceu, e não foi programado, foi tudo tão espontâneo. Não fomos nós que quisemos, foram os nossos corações que obrigaram. Pensa nisso Rute.
- Não sei. Estou muito confusa.
- Mas diz-me com franqueza, não gostaste? Estás arrependida?
- Pois é isso que me confunde. Gostei e não me arrependo nada, mas também sei que não podia ter acontecido, e não sei porque foi mesmo acontecer.
- Porquê ? Muito simplesmente porque há muito que sentimos atracção um pelo outro, uma atracção que não é de agora mas que o romantismo da serra fez que se manifestasse neste beijo. Não há volta a dar Rute, nós desejamo-nos, e estamos a aproximarmo-nos um do outro. Estou enganado?
Rute não respondeu e ofereceu de novo a boca a Rui unindo-se de novo num beijo ainda mais ardente e prolongado. Todas as suas defesas cairam por terra e sentia que não era já capaz de dizer que não. Apesar disso ainda conseguiu protestar.
- Outra vez não, Rui. Vamos embora , não quero continuar aqui mais tempo.
- Embora? Mas ainda nos falta ir ao ponto mais alto da serra …
- Não, não quero ir. Quero ir-me embora. Por favor leva-me daqui.
- Mas já falta pouco, estamos quase lá. É uma pena chegarmos aqui e não atingirmos o cume. Vais ver que não te vais arrepender.
Rute acabou por aceder. Ela por um lado receava o que poderia ainda vir a acontecer, mas por outro tinha uma vontade enorme de continuar ao lado de Rui. Caminharam vagarosamente até ao alto. Uma vez lá chegados subiram o penhasco e a peanha onde em tempos estivera a cruz de ferro. Era soberbo o panorama que tinham pela frente. Num plano inferior tinham o palácio da Pena, estranho e majestoso; em frente a montanha coberta pela floresta em declive até ao litoral e do outrolado a vastidão da planície a estender-se ante os seus olhos, arregalados perante a beleza e a vastidão da paisagem. Uma planície que outrora fora uma seara imensa com as espigas de trigo dourado a ondularem ao sabor do vento, e hoje, infelizmente inundada pelo betão.
- Um crime – disse Rui em voz baixa falando consigo próprio.
Mais adiante o Tejo termina o seu longo percurso abandonando-se nos braços do oceano, e ainda mais ao longe, a serra da Arrábida, também ela de uma beleza invulgar. Rute e Rui permaneceram longos minutos silenciosos a contemplar a paisagem delumbrante que tinham à sua frente, enquanto enchiam os pulmões com aquele ar leve e fresco característico dos locais mais elevados. Ao fim de algum tempo olharam-se abriram os braços como se quisessem abraçar tanta beleza e em uníssono soltaram com quanto força tinham, um grito que ecoou pelos ares e assustou a passarada que de imediato levantou voo das ramadas onde tinha procurado abrigo. Depois trocaram um olhar travesso e desataram a rir como dois loucos só acabando quando as suas bocas se uniram de novo num beijo cheio de paixão, trocado bem lá no alto da serra com o mundo estendido a seus pés.


O REGRESSO

Sem terem bem a noção do tempo que estiveram na Cruz Alta e ainda embriagados pela beleza da paisagem e da magia dos momentos que ali passaram, Rute e Rui iniciaram, abraçados, a descida do monte em direcção ao portão de saída do parque, não sem antes pararem em frente de um enorme penhasco granítico que serve de suporte à estátua do Gigante e passarem pelo antigo picadeiro do palácio que nos tempos da monarquia serviu de palco a algumas touradas reais. Sentaram-se na esplanada para descansarem um pouco enquanto iam saboreando um aromático café à sombra do arvororedo frondoso, acompanhados pelo canto melodioso e alegre da passarada que evoluia no ar em graciosos voos em redor das árvores. Sentiam-se ali bem e desejaram poder permanecer ali para sempre, mas as horas voavam e impunha-se regressar. Foi assim, com enlevo e sempre de mão dada, que retomaram o caminho da saída.

Cansados mas felizes, esquecidos de tudo o que haviam deixado lá em baixo algumas horas antes e a viver aqueles momentos como se não existisse mais ninguém no mundo para além deles, entraram no carro e recostaram-se displicentemente nos bancos, a saborear em silêncio aqueles momentos de felicidade e encanto.
- E agora onde vamos?- Perguntou Rui.
- Para casa. Quero ir para casa pensar em tudo o que aconteceu esta manhã e pôr as minhas ideias em ordem. A minha cabeça está uma confusão.
- Mas há ainda tanta coisa linda para ver nesta serra…
- Rui, o mundo não acaba hoje. Outro dia voltaremos aqui para visitar o castelo.
- E o Convento dos Capuchos, o Palácio de Monserrate e a Quinta da Regaleira. Pode ser?
- Fica prometido.
- E quando queres ir conhecer a minha casa? É nas Azenhas do Mar, uma moradia rústica bem ao estilo saloio, junto às arribas, frente ao mar e com um permanente cheiro a maresia e o ar puro a invadir-nos os pulmões. Vais gostar, tenho a certeza.
- Vou gostar? Falas como se tivesses a certeza que vou.
- E não vais?
- Não sei. Como te disse a minha cabeça parece um vulcão, preciso de pensar muito, com calma e muita ponderação.
- Mas será possível que admitas sequer a possibilidade de que tudo o que vivemos aqui esta manhã se perca e se venha a esfumar no tempo como se nada tivesse acontecido?
- Não, claro que não. Esta manhã existiu e existirá sempre na minha memória, quanto mais não seja como uma recordação agradável de de uma horas mágicas vividas num cenário de sonho numa companhia encantadora. Ficará para sempre a ternura dos nossos beijos e a certeza de que gostamos de estar um com o outro.
-E nada mais? Que posso fazer para que estas horas se transformem em algo mais do que uma agradável recordação?
- Muito mais, meu querido, foi bonito mas é preciso muito mais.
Rui debruçou-se sobre ela e voltou a beijá-la ternamente. Rute correspondeu rendida ao beijo que se ia tornando mais intenso à medida que o desejo se ia apoderamndo deles mais intensamente. A mão de Rui deslizou sobre o peito da sua parceira sem que ela esboçasse qualquer resistência. Animado pela passividade de Rute ele introduziu a mão por debaixo da tishirt até lhe tocar os seios que, firmes e em liberdade, se lhe ofereciam como uma dádiva a que era impossível resistir. Começou a acariciá-los suave e delicamente para de seguida intensificar as carícias à medida que sentia os mamilos da rapariga endurecerem rápidamente. Rute reclinara-se no banco e fechara os olhos num inequívico sinal do prazer que a estava a invadir nesse momento. Não tardou muito a sentir a outra mão pousar sobre as coxas que ela deixara generosamente destapadas pela saia curta e pela forma descuidada como se sentara. Continuou a não reagir até a sentir já debaixo da saia reduzida e a aproximar-se rápidamente de locais que ela não estava disposta a deixar invadir. Abriu os olhos, e num gesto brusco retirou a mão de Rui das suas pernas e dizendo-lha numa voz que petendia parecer zangada:
- Não, isso não, já to tinha pedido. Tu prometeste.
- Mas porquê minha querida? – Perguntou ele surpreendido com a reacção da rapariga.
- Porque não quero Rui, ou melhor, porque não devo. Temos que parar por aqui, imediatamente – Disse ela enquanto se tentava libertar dos braços de Rui que a apertavam contra ele.
- Não compreendo. Desculpa mas não te compreendo. Parecia que estavas a gostar e te estavas a sentir bem. Não estiveste a brincar comigo, uma vez mais, pois não?
- Lamento essa pergunta que demonstra que não percebeste nada do que se passou aqui esta manhã e que também não percebes que tudo tem um tempo certo na vida de uma pessoa, e que este não é ainda o tempo para irmos mais além do que já fomos hoje. Pensaste que eu estava a gostar, e estava, mesmo muito para que saibas. Brincar? Pensarás porventura que brinco a beijar o primeiro homem com que me cruzo. Desculpa mas ofendeste-me profundamente. Que pensas tu de mim?
- Desculpa, não queria ofender-te, mas fiquei confuso. Parecia estar tudo a correr tão bem!
- E estava, mas tu apressaste-te, não foste suficientemente paciente. Como te disse tudo tem um tempo certo para acontecer. Quando as árvores florescem na Primavera ficas fascinados com a sua beleza, mas elas não te oferecem logo os frutos para saboreares. Tens que esperar mais algum tempo até que isso venha a acontecer. É a lei da natureza, que é perfeita e com a qual temos muito que aprender.
- E quando chegará esse tempo?
- Não sei, nem sei sequer se chegará. Como sabes o fruto só amadurece se encontrar as condições climatéricas adequadas ao seu crescimento. Se chover demasiado ou gear, o fruto apodrece ou queima, cai da árvore antes da apanha e nunca será saboreado.
- E tu és o fruto…
- Que tu queres saborear, não é? Então espera e trata bem da árvore, enquanto isso extasia-te a contemplar a flôr e vai deixando que o fruto se desenvolva até te cair nas mãos, grande, maduro e doce…muito doce.
- Então esta manhã…
- Esta manhã foi perfeita, fantástica, inesquecível. Esta manhã fez nascer a flôr, deixemos agora que ela se abra e desenvolva e gozemos o encanto que nos proporciona. Gosto de ti Rui, conquistaste-me em pouco mais de 3 horas, mas daí a ir para a cama contigo ainda vai uma grande distância. Contempla a flôr, cheira-a, acaricia-a mas não a destruas. Se a tratares com delicadeza e amor, poderás vir a ter o fruto que tanto desejas.
- E como achas que devo tratar a flôr para que ela dê bom fruto?
- Com respeito. Essencialmente com respeito.
- Pensas que eu alguma vez eu poderia desrespeitar-te?
- Por enquanto não acho nada. Conhecemo-nos mal. O que se passou aqui hoje pode não passar de uma ilusão que a magia deste local ajudou a criar. Quando descermos à terra tudo poderá ser diferente. O que eu quero dizer, meu querido, é que é na rotina normal do dia a dia que nós teremos de avaliar os nossos sentimentos, os nossos comportamentos e tentar adivinhar as intenções alheias. É no convívio diário que nós poderemos avaliar a seriedade, o carácter e as intenções de outra pessoa. O que vivemos aqui hoje pode ter sido apenas ilusão, sonho, magia, encantamento. Será que tudo isto irá subsistir quando mergulharmos de novo na rotina do nosso dia a dia e no frenesim das nossas tarefas e obrigações profissionais e familiares? É isso que falta avaliar. Aqui é tudo lindo, tudo fácil, tudo deslumbrante, e lá em baixo, como será?
- Parece que te entendo. Já te apercebeste de quanto eu desejo saborear o fruto que nascerá desta flôr lindíssima que nasceu hoje no alto desta serra lindíssima, mas depois desta manhã penso que já quero mais do que isso, e comecei já a imaginar como deverá ser agradável ter-te a meu lado todos os dias, não apenas na minha cama mas também na minha vida.
Rute ficou estupefacta ao ouvir as últimas palavras do companheiro que lhe soaram quase a uma declaração de amor, embora ainda um pouco tímida. Ficou pensativa e não respondeu de imediato.
- Não dizes nada Rute? – pergunto ele ansioso por ouvir a resposta dela.
- Não acredito no amor à primeira vista, penso que já te disse isso. Por norma aquilo que julgamos ser amor não passa de um mero entusiasmo passageiro.
- Mas quem te disse que se trata de amor à primeira vista e não um amor que tem vindo a crescer secreta e silenciosamente sem que nós nos tenhamos apercebido e que agora se manifesta em toda a sua força, estimulado pelo romantismo que nos envolveu nestas últimas horas?
- Pode ser – concordou ela – mas temos que ter a certeza disso. Porém soube-me bem ouvir-te dizer que te começava a agradar a ideia me teres a teu lado na tua vida daqui para a frente. Talvez seja um promissor ponto de partida mas temos que ter a certeza de que é mesmo esse o futuro que desejamos para nós, para que não nos magoemos mais tarde, não concordas?
- Talvez tenhas razão.
- Rui, quero que percebas uma coisa. Já me magoei uma vez, não quero que isso volte a acontecer. Tudo farei para não voltar a viver os maus momentos que já vivi, e não sei se teria força interior para superar um novo fracasso. Se isso vier algum dia a repetir-se, não será certamente por ter sido imprudente ou por negligência mas apenas porque fui suficientemente inteligente para avaliar correctamente o futuro da relação.
- Queres contar-me?
- Hoje não. Estou demasiado feliz para recordar os maus momentos que me fizeram sofrer. Um dia contar-te-ei tudo. Vamos embora?
- Vamos, mas só depois de me dares mais um beijo.
Desta vez foi ela a aproximar os seus lábios dos dele e dez minutos mais tarde partiram finalmente.
- E se fossemos almoçar? Já passa das duas. Podemos ir à Azoia há lá um restaurante, que tem uns robalos da costa verdadeiramente divinais. Que achas.
- Como posso recusar uma refeição de deuses? Os beijos abriram-me o apetite, vamos embora. – disse ela com aquele sorriso irresistível que lhe é tão característico enquanto Rui punha o carro em andamento em direcção à Azoia, bem perto do ponto mais ocidental da Europa.


Terminada a refeição e de novo sentados no automóvel, Rui perguntou:
- E agora queres ir conhecer a minha casa?
- Não, já disse que ainda é cedo.
- Mas sem passagem pelo quarto, prometo.
- Não. Ainda não. Como te disse preciso de estar sózinha e arrumar as minhas ideias que neste momento estão completamente baralhadas. E tu que vais fazer?
- Pôr as ideias em ordem também, e acrescentar mais algumas, poucas, páginas ao romance que há muito ando a tentar escrever.
- Romance? Explica lá isso melhor.
- Não te disse? Para além de jurista tenho também pretensões a romancista. Ando há mais de um ano a tentar escrever um. Já escrevi cerca de cinquenta paginas, como vês o romance avança a passo de caracol.
- E não estarás por acaso,a procurar uma nova personagem para o teu romance, assim do tipo mulher que se leva para a cama depois de uma breve passagem pela Pena – perguntou ela desconfiada.
Rui ficou atrapalhado. A última coisa que queria era fomentar a desconfiança na cabeça da amiga, que a acontecer poderia deitar a perder todo o trabalho feito até aqui. Apressou-se a sossegá-la:
- Pelo amor de Deus Rute, como podes pensar uma coisa dessas?
Ela não respondeu, mas a cara ensombrou-se-lhe e ficou pensativa e inquieta.
- Leva-me ao carro. Já estou atrasada – disse com alguma frieza na voz, após alguns minutos de silêncio.
Agora foi a vez de Rui permanecer calado. Também ele estava preocupado. Fizera mal em falar da sua veleidade literária. Se não a conseguisse convencer que ela era para ele mais do que uma possível personagem futura do seu livro, perde-la-ia para sempre. Tinha a certeza disso. Rute não era mulher para lhe perdoar essa traição.
O resto da viagem de regresso foi feito em silêncio total. Quando chegaram ao seu destino, Rui parou o carro e disse:
- Chegámos.
Rute abriu a porta e saíu despedindo-se friamente:
-Adeus, e obrigado pelo passeio.
- Nem um beijo de despedida?
- Já houve hoje beijos demais. Adeus.
Adeus! Rui, desanimado, viu Rute afastar-se, entrar no carro e partir disparada. Ia furiosa. Quando ela desapareceu, debruçou-se e deixou cair a cabeça sobre as mãos apoiadas no volante. Estava tudo perdido pensou ele não conseguindo evitar que uma lágrima mais rebelde se soltasse e rolasse pela face.


AS DÚVIDAS DE RUTE


Já a noite ia adiantada quando Rute, vencida pelo cansaço, resolveu ir para a cama embora soubesse que o mais provável seria não conseguir pregar olho até o dia nascer. Desde que saira do carro de Rui que a sua cabeça se assemelhava a um vulcão prestes a explodir, tal era a confusão em que ela se transformara. Invadida por um turbilhão de sentimentos contraditórios que lhe perturbavam a lucidez sentia-se completamente perdida e confusa, sem capacidade de raciocínio, sem saber bem o que pretendia e mais grave ainda, sem ter percebido o verdadeiro significado dos acontecimentos daquela manhã na serra e sem fazer a menor ideia das implicações que eles forçosamente iriam ter no futuro. Desorientada e com uma tremenda dor de cabeça Rute mergulhou na escuridão do quarto sem acender a luz, abriu as janelas de par em par, deixou-se envolver pela brisa quente e suave que vinha da rua e contemplou extasiada a beleza do luar que pintava de prata o céu estrelado. Estava uma esplêndida noite de Verão, cálida e serena, como poucas vezes se via em Sintra. Vestiu uma vaporosa camisa de noite, saíu para a varanda, sentou-se na cadeira de verga que ali estava e ficou a contemplar aquele céu deslumbrante deixando que o luar fizesse refulgir, no meio da noite, um par de pernas magnífico que a camisa de noite, curta e transparente, deixava esplendorosamente nuas.
Banhada pela resplandecência do luar que iluminava a noite, e sentindo a aragem morna e mansa a acariciar-lhe o corpo, Rute foi-se sentindo a pouco progressivamente mais serena e tranquil. A pouco e pouco a paz e a tranquilidade que se foi apoderando dela contribuiam para apaziguar os conflitos e as emoções descontroladas que há algumas horas atrás tinham tomado posse da sua cabeça. Mais calma fixou o olhar no brilho suave daquela enorme bola de prata que tinha à sua frente, e desejou ardentemente encontrar nela, uma tradicional aliada dos amantes, as respostas às suas dúvidas e hesitações. Esperava que a serenidade daquela noite prateada a ajudasse a arrumar as ideias e a compreender, finalmente, tudo aquilo que acontecera na véspera, porque agira da forma como o fez e quais os seus verdadeiros sentimentos para com aquele homem a quem, horas antes, estivera quase a entregar-se, um homem que ela mal conhecia e que, com a atitude de cavalheiro e alguns beijos carregados de ternura, fizera ruir toda a sua fortaleza. Sentia que agira como uma mulher fácil e oferecida, e procurava descobrir que diferença poderia haver entre o seu comportamento naquela manhã e o comportamento de uma vulgar prostituta. Apenas lhe ocorrera um argumento: não fizera nada a troco de dinheiro. Fizera-o então porquê? Era essa a resposta que ela tinha que encontrar urgentemente, era essa a chave de todo enigma em que, desde o dia anterior, se tornara a sua vida, e ela sabia que era imperioso encontr´-la rapidamente.
Onde estava a mulher decidida, segura, com uma personalidade forte mas também manipuladora e irreverente que ela pensava ser? Essa mulher segura e decidida derretera-se facilmente nos braços de um homem praticamente desconhecido, com o calor de alguns beijos trocados num local romântico ao som dos gorgeios da passarada que esvoaçava à sua volta, e sem esboçar sequer a mais pequena reacção. Apenas recusara o último passo que estivera, no entanto, muito perto de dar. Valeu-lhe Rui não se ter aproveitado da sua vulnerabilidade momentânea, porque se tivesse insistido teria decerto conseguido os seus intentos. Foi o cavalheirismo dele que a salvou. Ao pensar nisso Rute sentiu admiração e ternura pelo companheiro dessa manhã, e pela primeira vez nessa noite deixou que um leve sorriso lhe aflorasse aos lábios.
Na confusão de todos estes pensamentos e emoções e sempre com os olhos postos na Lua, Rute procurou na suavidade da sua luz a clarividência para compreender o que se estava a passar com ela e descobrir o caminho seguro que a levasse até à felicidade porque tanto ansiava. De repente pareceu-lhe vislumbrar na Lua um sorriso que ela interpretou como sendo de encorajamento. Aquele sorriso, imaginário, que julgara ter visto abrir-se na face da lua, saira afinal de dentro do seu coração e não era outra coisa senão a satisfação e o prazer que sentia ao pensar na perspectiva de poder vir a ser feliz ao lado do homem que a fizera sentir-se de novo mulher. Tinha acabado de se fazer luz na sua mente e de chegar à conclusão que fora uma perfeita idiota ao terminar o seu passeio com Rui da forma injusta e intempestiva como o fizera. Afinal toda a indecisão e sofrimento que acabara de viver nas últimas horas foram completamente injustificados. O homem que ela agora sabia que amava e que queria perto de si para sempre, tinha-a respeitado, sentira isso na foma como a beijara e acariciara e teria sido, talvez, esse o motivo que a levou a corresponder aos beijos sem esboçar qualquer reacção. Rui, percebera agora, tinha-lhe dado a maior prova de amor que ela podia pedir, parara quando ela que pediu que o fizesse e fê-lo sabendo perfeitamente que se insistisse um pouco mais conseguiria dela tudo aquilo que desejava.

Eufórica, Rute levantou-se, beijou a palma da mão e soprou o beijo em direcção à enorme bola de prata que lhe sorrira, lhe banhara o corpo com a sua luz suave e lhe sossegara a alma com a sua serenidade. Alijada dos medos e dúvidas recentes, sentiu-se tão leve que lhe apeteceu voar. Despiu a camisa de noite que lançou ao ar, levantou os braços, rodopiou sobre si própria e completamente nua ensaiou uns graciosos passos de dança. Nunca fizera isso em toda a sua vida, mas tinha acabado de nascer ali uma nova Rute. Sentiu um prazer imenso ao sentir o corpo ser envolvido pela aragem morna da noite enquanto o luar esplendoroso banhava a nudez do corpo soberbo que ansiava entregar-se à volupia dos beijos e abraços de Rui e deixá-lo descobrir todos os segredos que encerra em si.
Aquela que prometia ser uma noite de pesadelo tr
ansformara-se por obra e graça de um sorriso adivinhado numa bola de luz, numa noite de magia e felicidade. Rute, completamente transfigurada, entrou no quarto deixou-se cair sobre a cama e adormeceu tranquilamente com um sorriso nos lábios completamente nua e iluminada pela luz mansa que a Lua fazia incidir sobre a ela. .

EPÍLOGO

- Boa tarde Joana. – Disse Rui ao entrar em casa saudando a empregada que há muitos anos o aturava com complacência.
- Boa tarde senhor doutor. Hoje chegou mais cedo. – Respondeu sorridente a mulher.
- É verdade, tenho trabalho para fazer e vou fechar-me no escritório. Se quiser pode ir para casa que eu cá arranjo qualquer coisa para comer. Não tenho muita fome hoje.
- Não diga isso. O jantarinho está preparado, é só aquecer. Fiz-lhe um petisco que o senhor doutor aprecia muito: galinha de cabidela, que me diz?
- Digo-te que provavelmente hoje não vou jantar, mas obrigado na mesma, tu estragas-me com mimos. Mas deixa lá que a cabidela não se estraga, se não fôr hoje como-a amanhã. Mas vai, Joana, hoje não preciso mais de ti. Dá lá um abraço ao teu marido. A propósito, como está ele? Há dias que não vejo.
- Cada vez mais resingão. Só eu é que tenho paciência para o aturar. Mas foi aquilo que me saíu na rifa, que hei-de eu fazer?
- Deixa-te disso mulher. Vocês não podem passar um sem o outro, e tu ao que sei também não és nenhuma santa.
- Ah! Ah! – riu Joana com gosto – Quer dizer que o safado já andou a fazer-lhe queixinhas.
- Vai, vai lá ter com ele. Até amanhã, Joana.
- Até amanhã sr. doutor. Não trabalhe até muito tarde. Tenha cuidado com a saúde, a vida não é só trabalho e o descanso é muito importante para o bem estar do corpo e do espírito também.
- Não te preocupes, eu sei cuidar-me. Mas obrigado pelo cuidado, és uma boa amiga. Que seria de mim sem ti, Joana?
- Ora! Ora! O que o senhor doutor precisa é de arranjar uma mulher. Quer dizer mulheres o senhor doutor arranja, mas eu estou a falar de uma companheira, uma mulher que esteja sempre ao seu lado.
- Que sabes tu das mulheres que dizes que eu arranjo, mulher?
- Senhor doutor…eu sou saloia mas não sou parva. Eu bem noto o perfume que por vezes paira nesta casa de manhã quando chego. Há sinais delas por todo o lado, mas faz bem senhor doutor, goze a vida enquanto pode, porque isso não se gasta com o uso, desaparece é com os anos.
Rui não conseguiu conter umasonoras gargalhada e replicou:
- Só tu, Joana, para me fazeres rir hoje. Mas diz-me, que sabes tu disso, mulher?
- Experiência própria, senhor doutor, experiência própria. Então até amanhã, e durma bem.
- Duvido muito. Até amanhã, Joana.

Quando Joana saíu Rui sentou-se no sofá e ficou imóvel durante muito tempo, preocupado e confuso. A recordação daquela manhã passada com Rute na serra e o almoço na Azoia pusera-o nas nuvens, mas a despedida intempestiva da rapariga sem descortinar o motivo que justificasse aquela atitude estava a confundi-lo. Afinal que mulher era ela? Aquela rapariga meiga e carente que estivera nos seus braços e que percorrera o Parque da Pena de mão dada com ele, ou aquela mulher mal humurada e imprevisível que se saira furiosa do seu carro. Que mulher seria ela afinal?
Rui lamentou não lhe ter ficado com o contacto dela, não sabia o número de telefone, a morada e nem sequer o nome completo. Sentia uma necessidade premente de falar com ela para tentar compreender os motivos que a levaram a enfurecer-se e esclarecer qualquer mal-entendido que a possa ter levado a reagir daquela forma, mas não tinha qualuer possibilidade de o fazer e esse facto deixava-o desesperado. Gostava demasiado daquela mulher para pensar sequer em dormir sabendo que havia algo que estava a separá-los. O fim-de-semana iria ser um tormento para ele, porque só na segunda-feira iria ter possibilidade de falar com ela no colégio e então tentar esclarecer todas as dúvidas que pudessem ter surgido na sua cabeça. Na certeza que de momento nada mais poderia fazer, encerrou-se no escritório e tentou acrescentar mais algumas páginas ao seu romance. A cabeça fervia-lhe e inesperadamente as ideias começaram a surgir-lhe em catadupa, o que fez que em pouco tempo tivesse já escrito uma série de páginas. Embalado pela inspiração, e talvez pelo desespero, continuou noite fora até que o cansaço acabou por ser mais forte do que ele. Arrasado física e emocionalmente decidiu deitar-se acabando por adormecer rápidamente tal o estado de exaustão a que chegara. Já passava das 5 horas da manhã.

Com o toque insistente da campainha da porta Rui acordou sobressaltado, olhou para o relógio e foi com surpresa que constactou que pouco faltava já para o meio-dia. O sol, radioso, inundava o quarto com os raios que entravam pela janela que ficara aberta todava noite. Entretanto a campainha da porta continuava a tocar. Contrariado, levantou-se e foi, cambaçeante e ainda a esfregar os olhos que se dispôs a ir ver quem tivera a ousadia de o acordar àquela hora da “madrugada”. Aquela ideia de chamar madrugada ao meio-dia fê-lo sorrir e foi com um leve sorriso nos lábios que abriu a porta e nem queria acreditar naquilo que os seus olhos estvam a vêr. Rute estava ali na sua frente, sorridente e linda como sempre. Uma mini-saia bem curta deixava à mostar aquelas pernas de sonho que ele acaricara na véspera. Ainda estupefacto voltou a esfregar os olhos para se certificar que estava bem acordado. Não havia dúvidas era mesmo ela, a sua Rute que estava ali, radiosa à sua frente. Sem dizer palavra e sem dar tempo a que a rapariga falasse apertou-a nos braços e beijou-a apaixonadamente. Rute correspondeu com prazer ao beijo, tão intempestivo como inesperado. Ficaram ali longos minutos com as bocas coladas e os corações em alvoroço.
- Desculpa Rui – acabou ela por dizer quando conseguiu que as bocas se afastassem um pouco – desculpa o meu comportamente de ontem. Fui uma idiota.
- Chiu. Não digas nada. Estás aqui, é quanto basta.
- Não sei explicar o que me passou pela cabeça, de repente fiquei com medo.
- Medo? De quê, minha querida?
- De que me estivesses a usar e eu acabasse por me magoar de novo.
- Não te hei-de magoar nunca. Nunca faria sofrer a mulher que amo, e eu amo-te Rute. Pode parecer-te estranho, ou podes mesmo desconfiar, dum amor assim tão rápido. Poderás mesmo dizer que não acreditas em amores à primeira vista, mas a verdade é que te amo, e muito. Não é uma amor nascido ontem, mas um sentimento que tem vindo a germinar desde que me cruzo contigo diáriamente no colégio, como uma semente que se vai desenvolvendo no interior da terra sem que ninguém se aperceba disso. O nosso encontro de ontem apena o fez romper a terra e aparecer à luz do dia.
- Não duvido, meu amor, não duvido um só instante, porque também eu me apercebi na noite passada que há muito eu sentia alguma coisa por ti. Hoje sei que é amor. Eu amo-te Rui.
As duas bocas uniram-se de novo e foi assim, abraçados, que Rui a puxou para dentro de casa fechando a porta de seguida.
- Mas diz, meu amor, como me descobriste? Como descobriste a minha casa? Não sabias a morada, julgo eu.
- Não, não sabia, mas disseste-me ontem que moravas nas Azenhas do Mar. Não é uma terra grande e pensei que não fosse difícil encontrar-te perguntando nos cafés se te conheciam. Com o nome e a profissão não foi difícil. Tive ocasião de constactar que és muito conhecido nas Azenhas.
- Moro cá há muitos anos e gosto de conviver com as pessoas.
- Passei umas horas horríveis depois de te ter deixado no adro da igreja. Era noite alta quando consegui adormecer. Meditei muito e com a ajuda da lua e de um luar de sonho consegui decifrar o que sentia por ti. Como não tinha o teu número de telefone e porque tinha urgência em esclarecer tudo contigo, resolvi vir hoje mesmo procurar-te, e aqui estou.
- E nem sabes quanto isso me faz feliz. Estava ansioso que chegasse a próxima segunda-feira para te encontrar no colégio e falar contigo. Se soubesse a tua morada já tinha ido bater-te à porta.
- O que importa é que agora temos oportunidade de eslarecer todas as nossas dúvidas.
- Mas eu não tenho dúvidas Rute. Pode parecer prematuro mas tenho a certeza que te amo e que te quero a meu lado em todos os momentos da minha vida.
-Teremos tempo para falarmos sobre isso. O que pensas fazer hoje? Está um dia lindo.
-Que tal almoçarmos. Tenho ali um arroz de cabidela que deve estar divino. A Joana fá-lo como ninguém. Cozinhou-o para o meu jantar de ontem, mas estava sem fome e nem lhe toquei.
- A Joana?
-Ah! A Joana é a senhora que trata da minha casa há já muitos anos. É uma excelente pessoa e muito dedicada.
- Então vamos lá atirar-nos à cabidela da senhora Joana.
- E depois um passeio pela falésia e ao entardecer podemos contemplar o pôr-do-sol enquanto damos uns mergulhos aqui na piscina. Que achas?
- Acho perfeito.
- Dormes cá?
- Durmo, mas num quarto separado se não te importas.
- Num quarto separado? Porquê Rute?
- Não nos apressemos. Vamos dar os passos lentamente e mas com segurança. Gostaria que tudo acontecesse no tempo certo e com a certeza de que é isso mesmo que queremos. Se o fizermos teremos mais possibilidades de sermos felizes e de não nos magoarmos. Assim gostaria de passar o fim de semana contigo aqui na tua casa, mas sem partilharmos a mesma cama. Por enquanto.
- Como queiras. Farei tudo o que quiseres.
O fim-de-semana foi fantástico para os dois. Outros fins de semana se sucederam, umas vezes na companhia da filha de Rute, outras sózinhos, quando ela ia para junto do pai. A cumplicidade entre eles foi crescendo e já não podiam passar um sem o outro. Chegou a altura de decidirem o que queriam para o seu futuro e finalmente Rute acabou por se deitar na mesma cama que o namorado. No dia em que resolveram passar a viver juntos na casa das Azenhas do Mar, bem junto ao mar, com o cheiro da maresia a invadir a casa e o som das ondas em fúria a açoitarem os rochedos lá bem no fundo da falésia.


FIM

Sábado, Outubro 17, 2009

FOLHAS CAÍDAS


(Foto retirada da net)


Estas folhas espalhadas
Pelo chão do meu jardim
São os meus sonhos falhados,
As perspectivas goradas,
As metas nunca alcançadas
E tudo quanto sonhei
Mas nunca realizei,
E que terminaram assim.

Daquela árvore frondosa
Que deu corpo à minha esperança,
As folhas foram caindo
Uma a uma, devagar.
E em cada folha que cai
Há um sonho que se vai,
E uma ilusão que se extingue.
A cada folha que amarelece
Há uma vida que enfraquece
E uma força que se esvai.
E quando essa folha cai
É uma página que se rasga
Do livro da minha história,
E no fim, resta a memória,
E um sentimento: a saudade.

Aquela árvore frondosa
Que já foi verde e viçosa,
Hoje de folhas despida,
Já não dá sombra a ninguém.
Está agora feia e nua
E está caduca também
A árvore da minha vida.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

HÁ UMA ESTRELA NOVA NO CÉU




Entre milhões de estrelas cintilantes
Que bordam de luz e prata o firmamento
Há uma em cujo brilho mais me atento
Por me lembrar um sorriso que vi antes.


É um pontinho luminoso, tão distante,
Minúsculo, mas com um brilho tão intenso
Que rasga a escuridão do céu imenso
Para me envolver com a sua luz brilhante.

Essa estrela, essa luz e essa paz,
E o sorriso sereno que me traz
São o reacender de um farol que se apagou.

Eu sei mãe que lá no céu, tu não me esqueces,
E, junto a Deus, são agora as tuas preces
Os beijos que a tua ausência me roubou.

Sábado, Setembro 26, 2009

TENHO MEDO, MÃE!.




Escureceu subitamente,
E eu fiquei só.
Estou com medo, mãe,
Muito medo.
Tu sabes como a escuridão me assusta
E o receio que tenho de estar sózinho.
Abraça-me, mãe.
Aperta-me nos teus braços
E afaga-me os cabelos.
Beija-me,
E canta-me uma canção.
Era assim que afastavas o meus sustos de criança
Enquanto o sono não chegava.
Aconchegavas-me a roupa da cama.
Mais um beijo e um sussuro:
“Boa noite, meu amor.
Dorme um soninho descansado.”
Lembras-te?
Claro que lembras.

Como podias esquecer?

Ainda há pouco.
Enquanto o sol descia lentamente no horizonte
A dourar o entardecer,
Me contavas o teu dia.

De repente, ficou escuro,
Muito escuro.

Fiquei só e tive medo.

Mãe,
Não vás, não me deixes aqui sózinho
Com a escuridão à minha volta.
A luz do farol que orientou a minha vida
Apagou-se súbitamente.
Sinto-me perdido.
Chamo-te mas não me respondes.
Estás serena, mas imóvel.
Não me falas, nem me ouves.
Adormeceste.

Aconcheguei-te a roupa
Como sempre me fizeste.
Abracei-te, mas não senti o aperto dos teus braços.
Beijei-te, mas, pela primeira vez, não retribuiste.
Os teus dedos não procuraram os meus cabelos como dantes.
Quis cantar-te uma canção, mas a voz atraiçou-me.
Já dormias. Serenamente.
A mesma serenidade que sempre te acompanhou
Ao longo da tua vida.

Mãe,
Estou assustado e tenho medo.
Sem ti, a criança que me mantive até hoje,
Deixou de fazer sentido. Partiu contigo,
E eu não sei viver sem ela.

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

EU TENHO UMA MUSA




Eu tenho uma musa,
Uma ninfa
E uma fada.

Eu tenho uma musa
Que me inspira,
Que me embala,
Que me adormece
E me faz sonhar.

E tenho uma ninfa
Que corre e que dança nua no bosque,
Tendo num pé, um fiozinho de prata,
E ao pescoço, um colar de missangas
Que lhe acaricia os seios
Ao ritmo de uma dança erótica.

Quem me dera ser um colar de missangas!

Mas também tenho uma fada
Que um dia realizará os meus sonhos
E irá transformar-me num fauno elegante.
Então, apertarei nos meus braços a doce ninfa,
Colaremos os corpos nus
E acariciados pelos raios do sol
A dardejar, dourados,
Por entre a folhagem densa
Do bosque cerrado
Dançaremos o amor.

Uma dança de posse e de entrega total.

Não haverá lençóis de cambraia
Mas teremos o canto melódico
Da passarada a pautar os movimentos
Da nossa dança
Até à apoteose final.

A fada o disse. Assim será.

As fadas não mentem.

Eu, por agora,
Contento-me em ser um colar de missangas.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

VAMOS SEGUIR O EXEMPLO DA ESTÓNIA E VAMOS LIMPAR PORTUGAL NODIA 10 DE MARÇO



E se começassemos a limpeza já no próximo dia 27 de Setembro? Pensem niso.

Terça-feira, Agosto 18, 2009

NUMA NOITE DE LUAR




Nos meus tempos de rapaz novo,(ao tempo que isso já lá vai), nas salas de cinema o Verão era época de "reprises". Decidi este ano fazer o mesmo aqui no blog. O motivo é muito simples, permite-me ficar estendido na praia a gozar o sol sem me preocupar em escrever absolutamente nada. Preguiça pura.

Ao chegar ao patamar de entrada da sua nova casa, Ricardo abriu a porta, pegou na mulher ao colo, entrou e colocando-a de novo no chão desabafou aliviado: enfim sós!

Para trás tinha ficado um dia inesquecível mas atribulado, e muito cansativo. Fora o dia do seu casamento com Jessica, após seis anos de um namoro que conheceu fases muito boas e outras um pouco menos felizes. Finalmente chegara o momento que os noivos aguardaram impacientemente ao longo de todo o dia. Desejavam ardentemente ficar a sós na sua casa, e ansiavam pelo quarto e pela cama. Naquele momento o seu pensamento apontava apenas para um só objectivo: a noite de núpcias, há tanto tempo sonhada e obsessivamente desejada pelos dois.

A impaciência com que Jessica e Ricardo aguardaram a noite de núpcias teve muito a ver com o facto, invulgar nos tempos que correm, de Jessica ter feito questão de manter a sua virgindade até ao dia do casamento. Não foi fácil para ela conseguir concretizar esse seu desejo, e muito menos, convencer Ricardo a respeitar essa vontade. Ao longo de seis anos, várias foram as vezes em que ela vacilara e se vira tentada a esquecer o seu propósito. Várias vezes, levada pelo calor de alguns beijos mais ardentes e dumas carícias mais ousadas, esteve muito perto de ceder ao desejo irreprimível que a invadia, e à insistência de Ricardo, pouco convencido a esperar pela noite do casamento para descobrir os segredos guardados dentro daquele corpo sedutor. A todas as tentações sempre ela foi capaz de resistir, algumas vezes já, mesmo no limiar do ponto em que o retrocesso é praticamente impossível. Num assomo de coragem, de determinação, e também de lucidez, que era presumível já não existir a partir de determinada altura, várias vezes Jessica foi capaz de dizer não, quando tudo fazia prever que, finalmente, ela se iria entregar. Determinada a levar o seu propósito até ao fim, resistiu sempre, e sempre Ricardo se irritou ao ver gorados os seus intentos, quando tinha já como certa a posse plena daquele corpo tão desejado. Com efeito o rapaz nunca conseguiu entender a fixação da namorada pela preservação da sua virgindade.

Com maior ou menor dificuldade tudo passou, e agora ali estava ela pronta a entregar-se totalmente ao homem que sempre amou e para o qual se guardou para este dia tão importante. Naquele momento passaram pela cabeça dos dois, os mais significativos momentos de ternura que viveram ao longo dos últimos seis anos. Mas houve um que Jessica guardou na sua memória com um carinho especial. Foi o momento mais importante e mais difícil da sua, ainda curta, vida amorosa.


“ Num final de tarde quente e abafado de meados do mês Agosto, os dois jovens chegaram ao Guincho após terem assistido à exibição de um filme carregado de sensualidade e erotismo que excitou os dois namorados que não resistiram à troca de algumas carícias durante projecção do filme. Depois de terem abandonado o cinema, algo perturbados, decidiram dar um salto até à praia para estabilizarem um pouco os sentidos ainda alterados. Depois de o sol mergulhar no horizonte e à medida que o tom alaranjado do céu ia sendo substituído pelo negrume da noite, a praia ia ficando deserta. Num local isolado do extenso areal, com os corpos acariciados pela brisa quente que soprava brandamente, Jessica e Ricardo deixaram-se cair na areia, ficando deitados e imóveis a olhar as estrelas que se iam mostrando no firmamento, cada vez mais brilhantes e mais nítidas.

Era uma noite, banhada por um luar tão luminoso e tão intenso que deixava ver recortados no horizonte, os contornos das montanhas vizinhas da serra de Sintra. Era uma daquelas noites tão características do mês de Agosto em que o calor entorpece os corpos e estimula os sentidos. As pernas bem torneadas de Jessica, que uma reduzida e generosa mini-saia de ganga deixava a descoberto, tornavam-se ainda mais sedutoras banhadas pela magia do luar. Esse pormenor não escapou ao olhar do namorado que influenciado ainda pelo clima do filme que tinham acabado de ver, não demorou em começar a acariciá-las vagarosamente. Jessica anestesiada pelo calor não reagiu. Entre beijos e carícias o clima entre os dois namorados não demorou muito a aquecer. Não é difícil de calcular o que se passou a seguir. As mãos começaram numa procura frenética e cada vez mais ousada de sensações mais fortes e de locais mais íntimos, até aí interditos. Como não havia resistência, não tardou muito que os seios de Jessica se mostrassem em todo o seu esplendor banhados pelo luar. Entretanto a mini-saia, ia subindo coxas acima delicadamente empurradas pela mão de Ricardo. Em pouco tempo a reduzida calcinha de renda preta ficou totalmente a descoberto e a mão de Ricardo deslizou suavemente para o seu interior, acariciando-lhe carinhosamente a pélvis. A respiração de ambos tornara-se mais ofegante. O raciocínio estava já toldado e Jessica não encontrava nem força nem vontade para resistir. Estava completamente rendida. O sonho terminava ali.
Entretanto sem que eles se apercebessem o céu toldara-se, e os primeiros pingos de chuva surpreenderam os seus corpos colados. A principio os pingos de chuva que caíam espaçadamente não os desmotivou, mas após o primeiro relâmpago, e o primeiro trovão, seguidos de uma chuvada que já então se intensificara, o casal levantou-se vestiu a roupa já encharcada e correu para o automóvel onde chegaram e completamente encharcados.
Afinal Jessica estava salva. A trovoada salvara-a da rendição.



Na intimidade do quarto enquanto se beijava o casal recordou esse momento inesquecível para ambos. Então pela mente de Jessica passou uma ideia. Foi à janela, olhou o céu, e sorrindo, virou-se para o marido, e disse-lhe:

-Ricardo vamos sair.
-O quê? Sair? Estás louca?
-Talvez esteja, mas quero sair. Vamos. Depressa.
-Mas que bicho te mordeu? Sair? Esta noite? Estás a brincar.
-Vá Ricardo, vai buscar a chave do carro enquanto eu visto alguma coisa mais confortável. Vá lá. Não te vais arrepender, prometo.
-Está bem. Não quero começar o nosso casamento a contrariar-te. Mas que ideia maluca terás tu nessa cabeça?
-Vai. Depois verás.

Alguns minutos mais tarde Jessica entrou no carro, onde o marido a esperava e disse-lhe de chofre:
- Rápido para o Guincho.
- Para o Guincho?
- Sim para o Guincho, e nada de perguntas.

Vestia uma mini-saia de ganga, muito curta e um generoso top branco sob o qual se adivinhavam os seus seios livres e firmes e que deixava à mostra uma barriga escandalosamente lisa, no meio da qual sobressaía o umbigo bem desenhado.

Chegados ao Guincho, numa noite quente e abafada de Agosto, tal como uma outra ainda bem presente na lembrança dos dois, Jessica pegou o marido pela mão e a correr puxou-o até ao mesmo local onde dois anos antes estivera prestes a entregar-se. O mesmo calor; a mesma brisa suave e morna; o mesmo céu estrelado e sobretudo o mesmo luar prateado e intenso.

Abraçaram-se, beijaram-se apaixonadamente e deixaram-se cair sobre a areia ainda morna. Depois… depois foi a repetição de tudo quando se passara já tempos antes, só que desta vez sem chuva nem trovoada. Entre carícias, beijos, frases sussurradas, surgiu primeiro um leve ai, logo seguido de ligeiros gemidos que se iam tornando mais audíveis à medida que o tempo passava. Finalmente Ricardo e Jessica concretizaram o imenso amor que sentiam um pelo outro e em breve atingiram o prazer supremo anunciado por uma respiração ofegante e intensos gritinhos de prazer.

Depois deitaram-se de barriga para o ar, abraçados, a olhar o céu estrelado e a lua grande e redonda que parecia sorri-lhes e abençoar aquela união que ela apadrinhara. Passado algum tempo, que eles não faziam ideia quanto, Jessica levantou-se, puxou o marido para cima, e vestiram-se, Depois Jessica disse:

- Vamos querido. Vamos que temos uma noite de núpcias para desfrutar. Vamos para casa.

De mãos dadas foram atravessando lentamente a praia em direcção ao carro. No local onde estiveram deitados os noivos, ficara um quase imperceptível fio de sangue. Era o que restava da virgindade de Jessica simbolizada naquela pequenina mancha visível sobre a areia, iluminada pelo brilho e pelo encanto de uma noite de luar em pleno mês de Agosto
.

Terça-feira, Agosto 11, 2009

RELEMBRAR AMIGOS



Imagem retirada do Google

Hoje vou reeditar um conto colectivo que escrevi em Fevereiro de 2007, com a colaboração de alguns amigos e amigas que conheci aqui, nestas andanças blogueiras. Esta reposição é uma homenagem que quero fazer à Sindarin, que ainda hoje está presente no blog "Cristais de Gelo", à talentosa Ana Luar que desapareceu deste universo dos blogs, ao que julgo saber, ao Artur Saraiva e à Pérola, que também perdi de vista. Gostei muito de todos eles, ensinaram-me muito e tenho muitas saudades saudades de todos eles. É bom recordar o passado.

COM O MAR POR TESTEMUNHA

O mar, enfurecido, lança-se violentamente, em vagas gigantescas, sobre o extenso areal e fustiga impiedosamente as arribas escarpadas que o delimitam. A força destruidora de toneladas de água a abater-se sobre as rochas, e o ruído assustador que esse embate provoca impõem respeito a todos aqueles que, de longe, presenciam, temerosos, a temível força do oceano. Mesmo olhado à distância o mar impõe respeito. Ninguém pensa sequer em cometer a temeridade de descer à praia. Ninguém excepto aquele homem que, sentado na areia molhada com as espuma das ondas a beijar-lhe os pés, permanece imóvel, como que fascinado por aquele alarde de poder e de força que as ondas ameaçadoras do alto dos seus 8 metros, fazem questão de deixar bem explícito.

Há muito tempo que aquele homem ali permanece com os olhos fixos na imensidão que tem à sua frente. Não revela o menor sentimento de temor perante a fúria que o ameaça, e olha o mar e as ondas como se de velhos amigos se tratassem. Podia mesmo vislumbrar-se na sua face um leve sorriso a revelar alguma ternura, e no olhar podia ler-se-lhe a saudade. Não há qualquer dúvida, aquele homem encerra em si o fascínio pelo mar e pelas ondas.

No ar voam milhares de gotículas de água que açoitam a face de todos aqueles que, sentados na esplanada sobranceira à praia, contemplam a violência com que as ondas castigam os rochedos, cujo único pecado, para merecerem tamanha punição, é o de se encontrarem ali, no seu caminho. Todos se sentem esmagados por tal demonstração de poder e pela grandiosidade que esse poder transmite. O vento forte, e gelado, obriga a espuma que as ondas deixam no areal a elevar-se nos ares e a desenhar estranhos e graciosos bailados, substituindo-se às gaivotas que, perante a fúria marinha se afastaram da costa procurando no interior, abrigo mais seguro. Quando o mar acalmasse, elas estariam de volta.

O vento, a aumentar de intensidade a cada minuto que passa, vergasta, em rajadas cada vez mais fortes, e cada vez mais frias, ao poucos resistentes que ainda permanecem na esplanada e fustiga furiosamente as vidraças, provocando um silvo que soa lugubremente aos ouvidos dos clientes do bar. Está uma tarde medonha, mas paradoxalmente, é uma tarde estranhamente bela. O mesmo deve achar o homem que, como uma estátua, permanece impassível junto ao mar, continuando a olhá-lo fixamente com olhar sonhador. A pouco e pouco as atenções que estavam até aqui, centradas exclusivamente na tempestade começaram a fixar-se também naquele homem estranho ali sentado enfrentando temerariamente o perigo. O que fará ali? O que lhe estará a passar pela cabeça neste preciso momento? Uma estranha inquietação começou a apoderar-se de todos aqueles que já não conseguem tirar os olhos dele. Será que…?
O homem levantou-se e, lentamente avançou em direcção ao mar. Parou uns metros mais à frente, e ficou imóvel inclinando a cabeça ligeiramente para trás como que a fitar o céu, deixando que as minúsculas gotas de água suspensas no ar voando nas asas do vento, lhe açoitassem a face com violência. Parecia deliciado, enquanto no bar a inquietação ia aumentando a cada momento. Todos que ali se encontravam temiam uma tragédia, mas ninguém teve coragem para se aproximar dele, que já por várias vezes fora envolvido pelas ondas, conseguindo sempre manter-se bem firme e bem de pé.

Estava encharcado mas pressentia-se que estava feliz. Uma onda mais violenta lançou-se sobre ele fazendo-o vacilar, uma segunda e depois uma terceira onda acabaram por derrubá-lo fazendo-o rolar pelo areal adentro. Com uma agilidade insuspeitável num corpo algo envelhecido, o homem ergueu-se com rapidez. Como a água o arrastara para perto da esplanada foi possível ver melhor a sua cara. O homem sorria e aquele sorriso não enganava ninguém, ele estava deliciado e via-se que estava feliz. Abriu os braços e apertou-os contra o peito como que a envolver num forte abraço toda aquela massa de água que se agitava e rugia à sua frente. De repente todos compreenderam, sem saberem bem explicar porquê, que o mar nunca iria fazer mal aquele homem, e então todos ficam mais tranquilos. Agora estavam apenas estupefactos, e seduzidos, por aquela relação perigosa entre o homem e o mar. Eles compartilhavam um segredo. Qual seria?

Aquele homem recordava agora, com saudade, o seu nascimento, há muitos anos atrás, e a história mirabolante que o rodeara.

Numa noite, não menos sombria que a de hoje em que o vento uivava, e as ondas, tal como naquela tarde, faziam sentir o seu poder na areia e nos rochedos da praia, sua mãe, em complicado trabalho de parto, gemia e gritava. A chuva lá fora, fustigando as paredes da casa, parecia chorar com ela. A parteira, uma senhora idosa, mulher de pescadores, como eram também os seus pais e o seria ele também, ia e vinha trazendo panos e fervendo águas, num reboliço que parecia não ter mais fim. O seu pai, desesperado, percorrera já a pequena casa vezes sem fim, e quando se imobilizava por poucos minutos, enterrava a cara entre as mãos e chorava convulsivamente. Pedia à Virgem que salvasse o seu filho. O primogénito. Na loucura da dor, e na ânsia de um fim para aquele sofrimento fez uma promessa louca, tão louca como seria qualquer pessoa que se aventurasse na praia com tamanho temporal.

As horas tornavam-se cada vez mais vagarosas e o tormento não cessava. A tormenta também não. Por fim quase não se sabia quando a noite acabava e despontava o dia. Fez-se o silêncio. Aquela quietude encheu o ar, tomou conta de tudo, e até parecia que o vento e o mar, lá fora, se tinham, também eles, imobilizado por qualquer passo de magia. O seu pai precipitou-se para a porta do quarto e dispunha-se a entrar impetuosamente quando se ouviu no ar o choro de uma criança. Ficou pregado ao chão com o coração a querer saltar-lhe do peito, e um medo avassalador percorrendo o seu corpo, pois o filho vivia, mas a sua esposa, teria ela sobrevivido?

A mulher que fizera o parto enrolou a criança nas vestes simples que já estavam preparadas para esse efeito e, sem demoras, apressou-se a trazê-la ao seu progenitor.
- Olha Manel, cá está ele. É um menino. Benza-vos Deus!
- Um rapaz, Virgem Santíssima! E ela como está?

- Fraquita, quase se foi. Tiveste muita sorte homem, é para dares graças aos céus, mas vai ficar boa. Ela é uma mulher das nossas! É rija!

O pai levou-o para o quarto, e vendo que a mãe dormia depois de tanto esforço, depositou-lhe um beijo na fronte e disse:

- Obrigado.

Depois saiu com o bebé nos braços para espanto da mulher, que o ajudara a nascer, também a ele.

Cá fora o temporal não dava tréguas mas ele não fraquejou, e continuou a descer a encosta que dava acesso à praia. Ouviu uma voz a gritar atrás de si: - Volta Manel, estás louco homem? – Mas o vento uivava cada vez mais, e o mar rugia. A voz sumiu-se como um lamento. Cansado, avançava indiferente aos elementos, e só com um pensamento na mente. Tinha de cumprir! Tinha de cumprir! Por fim, a areia beijou-lhe os pés, e o espaço entre ele as vagas foi-se encurtando. Inexplicavelmente o vento enfraqueceu, e o mar recuava a pouco e pouco, no entanto a tempestade ainda se fazia sentir. Quando já estava perto da água a chuva parou, e ele pôde ver com mais segurança o caminho que faltava percorrer. Num instante estava com os pés no mar, sem qualquer temor. Não temia as ondas, por isso levantou o seu filho em direcção ao céu, e gritou bem alto:

- Meu Deus, obrigado por esta dádiva. Senhora, minha mãe e mãe de Deus, rogai por nós e protegei-nos sempre como hoje o haveis feito. A vós entrego a vida do meu filho, e o seu destino. Prometo que vos seremos sempre gratos por este milagre.
O vento deixou de soprar, e o mar amansou-se. Então o homem chorando, baixou-se, e com a mão em concha colheu um pouco de água salgada. A criança recebeu-a na testa. Estava muito fria, mas não chorou. Minutos passados estavam de volta a casa. Embrulhado nas suas vestes simples voltou são a salvo para o leito, onde o calor do corpo da sua mãe o recebeu.

A sua vida, entretanto, dera muitas voltas. Tantas como aquelas que as ondas davam enquanto ele recordava e brindava a sua existência. Depois de muito tempo estava de volta àquela praia onde nascera, mas onde hoje apenas se encontravam os traços da civilização. Deixara de ser aquele areal selvagem e deserto de antigamente.

- Daniel... és tu homem de Deus? És mesmo tu?

Daniel virou-se, surpreendido com a voz que lhe roubava o silêncio.
Incomodado deixou o olhar pousar, sobre a silhueta arredondada da mulher de olhos azuis que o fitava como se tivesse visto uma assombração. Queria ficar ali sozinho... confessando ao mar as mágoas de uma vida repleta de sonhos inacabados, e na hora do sossego alguém entrava sem pedir licença. Visivelmente irritado, levantou-se, sacudiu as mãos nos jeans gastos pelo tempo e ofereceu-a num gesto educado.
-Sabe o meu nome? Desculpe, não me recordo do seu. Saí há tanto tempo de cá que os rostos dos amigos se perderam nas memórias dos ventos.

A mulher sorriu... tirou o lenço que lhe cobria parte dos olhos e sem lhe dar tempo para revolver nas memórias...abraçou o corpo um pouco magro de Daniel.
-Sou a Lúcia, Daniel... não posso crer que te tenhas esquecido de mim, dos nossos mergulhos na lagoa da Vela, e das vezes que vínhamos aqui e ficávamos a olhar esse mar que tanto amas.

Os olhos de Daniel abriram-se de espanto e um sorriso iluminou o rosto apagado.
-Lúcia... és tu! És mesmo tu Lúcia, dizia como louco, enquanto acariciava o rosto da mulher, não acreditando que a vida lhe tenha feito tamanha surpresa.
Rindo que nem cachopos abraçaram-se... unidos num restauro de sistema aos bons velhos tempos. Olharam-se incrédulos por estarem ali no mesmo sítio onde já tinham sido tão cúmplices.

- Meu amigo, nunca pensei voltar a sentir esse abraço. Deixaste de dar noticias Daniel. Chegou a dizer-se na terra que estavas morto.

-Hahahaha Lúcia, como vês tens nos braços um fantasma, o que não deixa de ser verdade minha querida, porque o Daniel que vês agora é uma sombra do que conhecias.
O sorriso de Lúcia fez estremecer Daniel. Rapidamente vieram-lhe à memória recordações de um amor de adolescentes...um amor puro cheio de risos, um amor vivido naquela areia que o mar beijava nesse mesmo instante.

- Anda senta-te aqui comigo, tens tanto para me contar que acho que o
melhor é começares já. Os teus pais ainda vivem?

O olhar azul se acinzentou num sinal de perda.

-Infelizmente Daniel, faleceram pouco depois dos teus...eu também estive para sair da terra mas acabei por ficar. Nada tinha que me prendesse...mas também não tinha motivos para ir e fui ficando e envelhecendo. A mão larga mas macia de Lúcia percorreu o rosto de Daniel como querendo actualizar na memória os traços que elas tão bem conheciam.

-Fui louco Lúcia... fui louco por ter partido. Fui em busca de algo que a vida me recusou...e quando me dei conta já era tarde para voltar. A minha felicidade estava aqui junto desse mar.

Quase nasci dentro dele e nele fiz a promessa de morrer...Não consegui ser feliz em França, Lúcia. Quando parti... o meu coração ficou preso aqui, os meus olhos procuravam todas as manhãs esse azul inesquecível.

_-De que azul falas Daniel?

Ele sorriu e olhou dentro dos olhos de Lúcia que pareciam duas lagoas de tão azuis que eram... Tantas vezes tinha desejado acordar com eles pela frente... mas não lhe podia confessar isso.

Ela era uma mulher com família constituída.

-Falo do azul do mar Lúcia! Do azul do mar....

Daniel olhou para Lúcia e explicou-lhe que o azul do mar para ele eram as
suas recordações, lembrando-se de como a conhecera. Era véspera de Natal,
como tantas outras, naquela altura Daniel que tinha seis anos esperava
ansiosamente o cair da noite para a vinda do Pai Natal. A sua família era
humilde e portanto um dia como este era sempre um dia de tristeza para os
seus pais. A sua ansiedade era tanta que dificilmente o conseguiria dormir
pensando que presente teria no seu sapatinho. Dormiu para ver se conseguia
ver aquele velhinho mas como o sono era maior que sua vontade acabou por
adormecer profundamente.

- Lembras-te de eu te ter contado esta história na nossa infância Lúcia?
Ela acenou com a cabeça em sinal de concordância. Na manhã de Natal,
Daniel, apercebeu-se que o seu sapatinho não estava na chaminé e que não tinha
presente nenhum em casa. O pai de Daniel, o Sr. João, com os olhos cheios de
água, observava-o atentamente ao mesmo tempo que esperava ganhar coragem
para lhe dizer que o seu sonho não existia. Com uma grande dor no coração,
chamou-o:

- Daniel, meu filho, chega aqui!

- Pai?

- O que foi filho?

- O Pai Natal esqueceu-se de mim... disse Daniel abraçando o seu pai, e os
dois começam a chorar.

- Ele também se esqueceu de ti pai? Perguntou Daniel.

- Não meu filho.

O melhor presente que eu poderia ter na vida, está nos meus braços, disse o
Sr. João, e fica descansado pois eu sei que o Pai Natal não se esqueceu de
ti.

- Mas todas as outras crianças estão a brincar com os seus presentes... ele
passou pela nossa casa e não veio cá?..
.
- Passou não... o teu presente está abraçar-te agora, e vai levar-te para um
dos melhores passeios da tua vida! Assim foram até à praia estava um dia de
mar calmo. Daniel brincou com o pai durante o resto do dia, indo para casa
somente no início da noite. Quando chegaram a casa, Daniel muito sonolento,
foi para seu quarto e "escreveu" para o Pai Natal:

"Querido Pai Natal, Eu sei que é cedo demais para pedir alguma coisa, mas
quero agradecer o presente que me deste. Desejo que todos os Natais que eu •passe, façam com que meu pai se esqueça de seus problemas, e que ele possa
distrair-se comigo, passando uma tarde maravilhosa como a de hoje. Obrigado
pela minha vida, pois descobri que não são com brinquedos que somos felizes,
e sim, com o verdadeiro sentimento que está dentro de nós, que o senhor
desperta nos Natais. De quem te agradece por tudo, Daniel. E foi dormir com um lindo sorriso nos lábios. Entrando no quarto para dar boa noite ao seu filho, o pai de Daniel viu a cartinha e a partir desse dia, não deixou que
seus problemas afectassem a felicidade dele, e começou a fazer com que todos
os dias fossem um Natal para ambos. O quanto eu tinha sido feliz naquele dia,
Lúcia...

Lúcia e Daniel permaneceram por algum tempo, em silêncio, contemplando aquele mar que conheciam desde sempre. Foi talvez o silêncio mais revelador das suas vidas. Lado a lado, sem dizerem palavra, com os olhos fixos na imensidão que tinham pela frente, deixaram que perante si passassem as memórias do passado que viveram juntos, desde a infância até àquele longo e sentido abraço com que se despediram antes da sua partida para França, onde foi procurar aquilo que a sua terra lhe negava: Uma vida melhor e mais digna. Quis então que Lúcia o acompanhasse, mas a jovem recusou por não querer abandonar os pais, velhos e doentes, deixando-os sozinhos e desamparados. Daniel entendeu os motivos da namorada, mas a perspectiva de uma vida miserável, e sem esperança de melhoria, levou-o a partir, ainda que com o coração a sangrar. Isto aconteceu há 18 anos. Nunca mais voltara, e nunca mais vira Lúcia, até ao dia de hoje. A vida separara-os, mas a amizade permanecera intacta.

- Lúcia vem comigo, quero que conheças uma pessoa.

- A tua mulher?

-Não Lúcia. Mas vem, eu depois explico-te.

Lentamente, caminharam até ao bar, e Daniel dirigiu-se com a amiga para uma mesa onde se encontrava sentado um jovem, ainda adolescente.

-Lúcia, este é o François.

Depois dirigindo-se ao rapaz disse:

- Esta é a Lúcia, uma amiga de infância.

O rapaz, sorrindo com doçura, correspondeu inclinando levemente a cabeça.

-Prazer em conhecer-te, François. – Depois virando-se para Daniel inquiriu: -É teu filho?
-É, é meu
filho. Mas essa é uma história longa que gostaria de te contar. Estás com pressa?

-Não. Ainda falta muito para a janta. Sou toda ouvidos.

- Como sabes, saí da nossa terra para ir para França à procura de uma vida melhor.

-Se sei Daniel... Se sei!

-Claro. Claro que sabes, desculpa. Cheguei ao norte de França, a uma aldeiazinha junto a Brest, na Normandia, onde fui acolhido por um primo afastado do meu padrinho. Não tinha trabalho nem tinha dinheiro, mas tinha uma vontade enorme de trabalhar. Como sabes o trabalho nunca me meteu medo.

-É verdade.

- Nessa terra conheci uma rapariga, uma jovem de 18 anos, que estava grávida de um traste que depois de a enganar desapareceu sem deixar rasto. Numa terra pequena, habitada por pessoas de idade e com uma mentalidade retrógrada, a rapariga, sem família e sem ninguém que a apoiasse, viu-se desprezada por todos, e sem meios para demandar outras paragens. Até o trabalho lhe negaram. Eu tive pena dela e ajudei-a.
-Nem outra coisa era de esperar de uma pessoa como tu.

-Juntámo-nos, e apoiei-a sempre. Quando a criança nasceu, perfilhei-o e casei com ela. Mas aconteceu uma coisa terrível de que só nos apercebemos algumas semanas mais tarde. O bebé nascera cego.

-Que horror!

-É verdade, foi um choque muito grande para nós. Sofremos muito.

- E depois, que se passou?

- Aconteceu uma tragédia. Um dia a Rosalie, era assim que ela se chamava…

-Era?

-Sim. Morreu. Tinha o menino 3 anitos, um dia largou a mão da mãe e desatou a correr. Como não via, tropeçou e caiu. Quando a mãe correu para o apanhar foi atropelada junto à berma da estrada, por uma carro que passava em grande velocidade.
Não resistiu e acabou por morrer.

-E depois?

-Depois, criei o François com muito sacrifício, mas também com muito amor.

- François?

- Sim! É este rapagão que tens na tua frente.

-Mas ele vê!

-Vê. Quando completou 15 anos, um médico decidiu operá-lo dizendo ser possível corrigir a deficiência que originara a cegueira. Havia uma boa possibilidade de ele ficar curado.

-E?

-Há 6 meses o meu filho foi operado e, graças a Deus, a operação correu muito bem. O François passou a ver. Trouxe-o agora a Portugal para conhecer a terra do pai e dos avós e conhecer este mar onde o meu pai me trouxe poucos momentos depois de ter nascido.

E ele aqui está. Ficou no bar, porque teve receio da violência destas ondas. Até aqui vivia em função dos sons, dos cheiros, dos toques. Agora está a aprender a viver com as imagens, com a luz e com a cor. Está a descobrir um mundo até aqui desconhecido para ele. Como eu gostaria que a Rosalie o pudesse ver agora.

- Estou feliz por vocês.

-Mas falta ainda uma coisa.

-O quê?

-Vim também para cumprir uma promessa que fiz naqueles momentos de aflição, enquanto decorria a intervenção cirúrgica.

-Uma promessa?

-Sim. E peço-te que me ajudes a cumpri-la.

-Eu? Mas como?

-O François está com medo das ondas. Levamo-lo os dois, de mão dada, até à beira mar.
Prometi molhar-lhe os olhos com esta mesma água com que o meu pai me molhou a cara mal eu tinha acabado de nascer, após um parto complicado.
Com as lágrimas a correr pelas faces, os três, abraçados, aproximaram-se da água, e Daniel pôde enfim cumprir enfim a sua promessa. Depois levantou os olhos ao céu, abriu os braços, e soluçando convulsivamente rezou:

-“Obrigado meu Deus. Obrigado Santíssima Virgem. Entrego-vos a vida do meu filho, tal como o meu pai Vos entregou a minha. Cuidai dela como cuidaste da minha.”

A beleza daquele momento era indescritível e parecia que fora possível fazer recuar o tempo. Já não era François que recebia a água salgada, mas sim Daniel, que de olhos rasos de uma outra água, revia o seu pai, contando-lhe a sua história, ou ensinando-lhe a faina, da qual mais tarde se viu obrigado a desistir para procurar melhor sorte.

- Mãe.

Aquela voz ecoou melodiosamente no ar. Lúcia voltou de novo à realidade e Daniel e o filho voltaram as cabeças para ver a quem pertencia. Uma jovem, lindíssima, caminhava tranquilamente ao encontro deles, com os pés beijados pelas ondas, enquanto o seu cabelo ondulava também ao vento, tão louro que desafiava o sol, no seu raiar mais intenso. A pele, bronzeada pela brisa e pelo sal, fazia sobressair os seus olhos grandes, donde emanava um olhar puro, acompanhado por um sorriso franco.
- Mãe! Encontrei-te. Mais uma vez a segredares ao mar. – e sorria enquanto falava, com um ar tão doce e meigo que tudo à sua volta se tornou numa linda melodia, só igualada pelo canto das sereias do mar, que lhe banhava os pés.
Ao chegar junto deles, as suas faces coraram levemente, e, o seu olhar ficou algo envergonhado, pois no seu pensamento pairavam dois pensamentos. Quem seriam aqueles dois estranhos? Por acaso teria sido indiscreta ao revelar um pouco dos segredos da mãe?

Daniel olhava-a incrédulo. Lúcia não conseguia disfarçar o embaraço que sentia e as suas palavras atabalhoavam-se quando a apresentou aos dois.
- Daniel,...François….esta é Catarina. A minha filha.

- Muito prazer – disse Daniel estendendo a mão com rapidez. François limitou-se a dizer-lhe um olá, porque mesmo que quisesse dizer algo mais, a sua garganta não lhe permitiria fazê-lo. Daniel olhou Lúcia. A interrogação que ela viu nos seus olhos precisava de confirmação e ela não sabia se queria, ou se podia satisfazer a sua curiosidade. Uma coisa era certa, Catarina era a imagem viva da mãe de Daniel.

Catarina retribuiu os cumprimentos e com a sua doçura habitual informou a mãe que o motivo da sua vinda também se prendia com o facto de na casa, delas, o jantar estar à espera.

E tão entusiasmada ficara com o encontro com François que pedia a "todos os seus Santos" que a mãe os convidasse para jantar. Foi isso que aconteceu. Até porque Lúcia sabia que não tinha o direito de adiar mais o segredo da sua vida. E porque agora ele já estava meio revelado.

- Daniel, será que tu e o François gostariam de conhecer a minha humilde casa e juntarem-se a nós na refeição? Já é tarde e eu ficaria muito contente de vos poder ter à minha mesa.

François respondeu logo, quase sem deixar Lúcia acabar a fase.
- Podemos pai? Vamos lá. - E dando um passo em frente tomou a companhia de Catarina, arregaçando as calças.

Ambos seguiam lado a lado, com os pés enterrados na areia e banhados pelo mar.
Daniel olhou para Lúcia e disse:

- Bem, temos que os seguir não é? Achas que não vamos incomodar? Mas no seu pensamento só bailava uma questão. Todos os minutos que estivesse com ela seriam uma mais valia.

Havia de chegar uma altura em que ela seria obrigada a contar-lhe o que se passara e este pensamento constante tornou-se tão forte que a cabeça dele começou a latejar.
- Não de maneira nenhuma - respondeu Lúcia. Tu para mim nunca estiveste a mais, qualquer que fosse a circunstância.

Ele não respondeu, acompanhou-lhe os passos somente. Aquilo que para ela tinha sido uma resposta simples sem outro significado soou-lhe a ele como recriminação.
- Bem...continuou ela, ainda sabes onde fica a minha casa? Não é longe, mas certamente daqui até lá perceberás o que está a acontecer.
O coração dele deu um pulo. Não esperava que essa revelação lhe fosse feita, tão rápida e inesperadamente, mas melhor assim. Lúcia sempre fora uma mulher forte, com um carácter
vincado e de uma coragem avassaladora, sobretudo duma honestidade acima da média. O que poderia ele esperar dela senão esta atitude.

Ela foi caminhando sem nunca perder de vista a filha, escutando o seu riso espontâneo e vendo o seu jeito alegre. E lembrou-se de si, na idade dela. Não levantou ou desviou os olhos para ele e contou-lhe tudo sem interromper o seu discurso. Doutra forma não conseguiria fazê-lo.

- Lembras-te daquele dia em que fomos apanhados pela mudança da maré e ficámos umas horas à espera, abrigados, no buraco da Rocha da Saudade, até que podemos novamente regressar.

Claro que ele se lembrava. Como se tivesse acabado de a beijar, de tomar o seu corpo e se fundirem no único e mais belo acto de amor que jamais vivera na vida.
- Eu escutava-te sempre com atenção e sabia que a tua vida se estava a afastar-se velozmente da minha. Por isso quando soube não te contei. Não quis impedir-te de viveres o teu sonho. Eu também havia de pensar sempre que tinhas ficado por seres demasiado bom para me deixares e eu queria o teu amor, não a tua piedade ou que te sentisses obrigado a estar ao meu lado.

- Nunca! Eu amava-te Lúcia. Porque é que não me contaste. Terias evitado tanto sofrimento. Quantas vezes eu, lá longe não pensei...

Ela não o deixou continuar e continuando com a mesma atitude prosseguiu. Mesmo que ele quisesse pará-la, abraçá-la ou continuar a falar, ela não o permitiu.

- Tive-a num dia como aquele em que nasceste, com a minha irmã e a minha mãe à cabeceira e o meu pai e o meu cunhado, andando desvairados, sem saber o que fazer para me acudir.

Foi difícil, tanto como fora perder-te, mas passou, como tudo passa. Não me posso queixar de falta de apoio, nem de que a Catarina não tivesse sido amada por todos. Ainda o é.

Perdi o meu pai, num dia desses também, em que as mulheres choravam, rezavam e gritavam na praia, pedindo a Deus que poupasse o barco. Logo de seguida a minha mãe não conseguindo ultrapassar a dor, seguiu-lhe os passos. Fiquei com a minha irmã e o António, o meu querido cunhado a quem tudo devo. Quando a Catarina completou 12 anos a minha irmã morreu. Levava sempre o almoço ao António, que abandonara o mar no dia em que o meu pai morreu. Ele foi um dos sobreviventes. Depois foi trabalhar para a fábrica das conservas e ela, boa esposa, fazia questão de lhe mostrar quanto lhe agradecia a sua decisão. Nesse dia atrasou-se e, ao atravessar a estrada, não viu o maldito que a atropelou e depois fugiu.

Como vês, tenho muitas razões para vir contar segredos ao mar. Também para lhe perguntar porque me roubou directa ou indirectamente todos aqueles que eu amava.
O António é o pai que a Catarina sempre conheceu. Agarrou-se ainda mais a ela quando a minha irmã morreu. Ela estava por fim e depois de tanto tentarem à espera dum filho.

Por isso, Daniel, o nosso tempo passou. Não que eu e ele tenhamos qualquer tipo de ligação. Nunca o faríamos. Ele porque ainda hoje chora a mulher e o filho que não conheceu. Eu, porque todos os dias pergunto ao mar, que mal lhe fiz, uma vez que foi ele que te levou para longe de mim."

Depois do jantar, passados dois dias, Daniel continuava a ver o entusiasmo de François em relação a Catarina e para que nenhum dos dois sofresse pela maldade das pessoas, resolveu contar ao filho o seu segredo e o de Lúcia.
Conjuntamente sondou-o sobre as intenções dele para com a filha, porque embora o tivesse perfilhado e o sentisse como seu, ele, poderia muito bem-querer, um dia, regressar a França e Daniel não suportaria que a história se repetisse, muito menos Lúcia o permitiria.

François compreendeu e agradeceu-lhe a sua atitude e mostrou-lhe que mais que os laços de sangue, o amor e o respeito que os unia nunca seria posto em causa, como nunca o seria a sua fidelidade para com Catarina. Ele amava-a. França já não existia. A sua pátria agoira era a mulher amada!

A notícia da chegada de Daniel à terra saltitava de boca em boca, como a sardinha trazida pelas redes dos pescadores, saltitava na areia da praia. Foi uma noite em que ele e o filho entraram no café, mais concorrido do lugar, que se deu o incidente.

Se uns o receberam de braços abertos e com um sorriso nos lábios, outros cochichavam de maneira imprópria sob o seu passado e não fazendo questão de que as suas vozes não fossem ouvidas.

- Vejam só, entra aqui como se nada fosse. Desgraçou-a e foi-se embora comentava uma mulher numa mesa com outra que parecia ser da família.

- É o que dá confiar. Mas o pior foi que em vez de se preocupar com ela foi formar família lá e criar o filho doutro.

O rosto de François crispou-se e fez um gesto ao pai com a cabeça para saírem, mas antes que o pudessem fazer já outra conversa se formava. Desta vez era um homem que os olhava de lado, noutra mesa, onde jogava às cartas com mais três:
- Olha quem chegou...não é o moço que acha que esta gente não é a sua; que teve vergonha da sua terra e de trabalhar na faina como os demais. Que vem ele aqui fazer?

Daniel, deu meia volta mas tanto ele como o filho ficaram imóveis ao som duma voz forte e determinada que os mandava parar.

- Olha lá Daniel, onde pensas que vais? Anda aqui para a nossa beira – e logo mais dois homens se levantaram dispondo as cadeiras de modo a que os dois se pudessem sentar ao lado deles.

A voz pertencia a António, que de pé, se voltou a fazer ouvir.

- Vergonha devíeis ter vós... oh, gente da minha terra! Eis aqui um homem mais honrado que os demais. Nem parece que estou entre os meus! Para que vos deu agora? Qual de vós pode acusar alguém? Acaso sois algum modelo de virtudes....E sem deixar que ninguém lhe respondesse, com determinação expôs toda a história de Daniel e o que motivara a sua atitude para com Lúcia. Como poderia ele saber que ela sofria e que tivera uma filha dele se ela não lho dissera? Como poderia ela travar os passos ao homem que amava para que ele honrasse uma coisa que ela pensava seria mais tarde causa da sua separação? Deixou-o ir viver o seu sonho e fez bem! – Dizia ele, batendo com o punho cerrado na mesa. As encruzilhadas da vida levam-nos e trazem-nos quando é preciso. Foi isso que aconteceu.

O café enchera-se com mais gente, porque correra a notícia de que Daniel enfrentaria finalmente António. Porém não era isso que acontecia. Daniel estava com os olhos vermelhos, parecia querer explodir a qualquer momento. Aquele homem na sua frente tomava a sua defesa como se estivesse num cadafalso. Que maior prova de amizade e altruísmo lhe transmitia.

Lúcia entrara com a filha, que soube assim, quem era Daniel. Ficaram as duas muito quietas muito juntas, com Catarina sentindo crescer dentro de si um orgulho desmedido por ser filha de um homem que dera o seu nome a alguém que não era seu filho e que nascera cego. Duma mãe ultrajada, mais que a sua fora, pois ele abandonou-a para procurar melhor sorte. Quem sabe talvez para os dois. O seu tio tinha razão. As encruzilhadas da vida levam-nos e trazem-nos sempre com uma razão. Eis porque François estava ali, olhando-a com os olhos a transbordar de amor. Quem sabe para que a sua história fosse a continuação mais bela da história do seu pai e da sua mãe. O silêncio era ensurdecedor. No fim todos acolheram os dois homens calorosamente e os dias a partir daquele foram inesquecíveis.

Daniel e Lúcia não se casaram. Como ela dissera o seu tempo passara. Envelheceram juntos com uma ternura desmedida, uma amizade infinita e um amor indestrutível. Criaram os netos e viram os seus filhos, muitas vezes passear na praia, tremendamente apaixonados como eles o tinham feito um dia. Depois, descansaram.

Ainda hoje Catarina e François levam os filhos às campas dos pais perto da Rocha da Saudade. Lá as flores são sempre tão brancas como a espuma do mar. Catarina, fala muitas vezes com o mar, como a mãe fazia, mas para lhe agradecer tanta felicidade. Ao seu lado está François. Os filhos cresceram e estão em França. Um já casou, o outro gosta mais de fazer o papel de tio dedicado. As últimas fotografias estão em cima da mesa, da casa onde Daniel jantou um dia na companhia daqueles que mais amava na vida.


FIM


Autores: Sindarin; Ana Luar; Pérola; Arthur Saraiva; Gui.

Quinta-feira, Agosto 06, 2009

A PROPOSTA

FALANDO DE CINEMA

Filme em Destaque: “ A PROPOSTA”
Realizador: Anne Fletcher
Actores: Sandra Bullock; Betty White; Ryan Reynolds; Denis O’Hare
Género: Comédia romântica Idade: 12 anos Duração: 109 minutos

A prepotência e a arrogância têm-se vindo a disseminar rapidamente em todos os sectores da sociedade dos nossos dias. Lidamos com elas diariamente, nos locais de trabalho, na rua, nos serviços públicos, na forma como somos governados e até, tantas vezes, nas nossas próprias casas. Há cada vez mais pessoas a julgarem-se o centro do mundo, à volta do qual todos os outros devem girar, de preferência prestando-lhes vassalagem. Este tipo de atitude está na base de muitos dos conflitos que vivemos actualmente e é o adubo que alimenta e faz crescer a intolerância, também ela cada vez mais presente nos dias de hoje. Mas nenhuma ditadura, que não é mais do que a soma da prepotência com a arrogância, é eterna, e ao longo dos séculos, todas elas acabaram por ser derrubadas. Sempre assim foi e sempre assim será. Que se desiludam os ditadores, o seu reinado terá um fim e então eles olharão para todos aqueles que oprimiram suplicando a sua tolerância, aquela tolerância que eles nunca praticaram. È então que os oprimidos se verão perante uma encruzilhada: o caminho do perdão, o mais difícil, ou o da retaliação, o mais apetecível? É um tema aliciante este que nos sugere este interessante filme, de Anne Fletcher, “A Proposta”. Quando um dia se nos proporcionar um eventual “ajuste de contas”, que caminho escolheremos nós?

Margareth, uma editora de sucesso, arrogante e autoritária, é uma chefe detestada pelos subordinados que no entanto lhe obedecem cegamente, sem coragem para a contrariar e para lhe demonstrar o quanto lhes desagrada a prepotência com que ela os trata. Obedecem-lhe docilmente, porque sabem que, se lhe desagradarem, correm sério risco de serem despedidos. Temem-na, mas não a respeitam, suportam-na mas não a admiram. Também Andrew, o seu diligentíssimo assistente, não a tem em melhor conta que os seus colegas, apesar de cumprir escrupulosamente todas as ordens e até mesmo satisfazer os seus caprichos. Andrew aspira a desempenhar um cargo mais importante dentro da empresa, mesmo que, para o conseguir, tenha que suportar, aparentemente de bom grado, o despotismo da sua chefe.

Um dia, Margareth vê-se confrontada com uma ordem de extradição do país onde se acolheu e trabalha, os Estados Unidos, para o seu país de origem, o Canadá. Com o desembaraço do costume e, habituada que está, em dispor da vida dos outros a seu belo prazer, a editora encontra rapidamente uma solução para resolver o seu problema. Casará com o seu assistente, e com o autoritarismo com que sempre age, informa Andrew dessa sua decisão. Como irá reagir o rapaz? Dispondo da uma oportunidade única para fazer cair a sua detestável chefe, e quem sabe conseguir, finalmente, alcançar a tão ambicionada promoção, será que ele, uma vez mais irá aceitar as ordens de Margareth ou, pelo contrário, vai finalmente ingar-se e ver-se livre, de uma vez por todas, daquela mulher detestável? Irá ele ser compassivo ou retaliador?

Chegada a esta situação é o argumentista que fica perante um dilema. Que caminho seguir? Por aquele que o espectador prefere, (o espectador nunca é vingativo, afinal aquilo não é nada com ele que está ali apenas para se divertir, e um final cor-de-rosa fica sempre bem), ou por aquele que um trabalhador bem real, provavelmente optaria de tivesse vivido, uma situação semelhante, (há quem afirme que a vingança é o prazer dos deuses),? Não vou revelar o sentido que o filme tomou, não porque exista nele qualquer espécie de supense que pudesse ficar prejudicado com a revelação, mas porque não quero interferir nas conclusões que o leitor poderá tirar se aceitar o meu repto para reflectir sobre qual decisão tomaria, se estivesse no lugar de Mathew.

Sobre o filme quero apenas adiantar que se trata de uma história hilariante, não tão fútil como, à primeira vista, pode parecer, com excelente trabalho dos actores, (Sandra Bulock, está excelente como sempre), com diálogos interessantes e as paisagens bonitas do Alasca, que a mim, um apaixonado das terras frias, me encantam sempre. Um filme excelente para ver nestas férias. Ligeiro, divertido, que não agride a nossa inteligência e que, se nós quisermos, pode servir para entrarmos dentro da personagem de Mathew, e tentarmos descobrir que tipo de pessoa somos nós: tolerante ou vingativo? Eu cheguei a uma conclusão e não fiquei supreendido. Afinal sou um homem dos velhos tempos. Um romântico por natureza.


(Comentário que publiquei no jornal Cruz Alta. www.paroquias-sintra.net)

Sexta-feira, Julho 24, 2009

UMA TARDE NA SERRA DE SINTRA


(foto oferecida pela Verdinha do blog "Je Vois la Vie en vert"

No silêncio dos bosques procuro a paz.
Revejo-me na limpidez cristalina da água do lago.
Prende-se-me o olhar na imponência
E elegância dos cisnes ,
E na suavidade com que deslizam
Na quietude das águas mansas.

Encho os pulmões com o ar leve e puro
Que se respira no alto da serra,
Enquanto descanso à sombra fresca
De um castanheiro centenário.
Deixo-me embalar pelo canto da água
A brotar das fontes,
Pelo rumorejar da folhagem
E pelos trinados alegres que a passarada
Solta nos ares.
Recordo o passado, ao ouvir o som indiscreto
De um beijo trocado num canto escondido,
E deixo que os raios de sol,
A dardejar por entre a ramagem,
Me beijem o corpo.

A espiritualidade que se respira no alto do monte,
Com a cruz erguida a apontar ao céu,
Convida a olhar para as alturas e falar com Deus.
Parece-me ouvir o som suave das harpas
E do canto dos anjos, a descer até mim,
Nos braços do vento forte
Que me fustiga o rosto.

No ponto supremo da serra mítica,
Unem-se, a lua e o monte,
Num casamento que resulta em magia.
Aquela magia que todos sentimos
Em cada recanto da nossa serra,
E que, já Byron o disse,
faz de Sintra
“A Glorious Eden”.

Sexta-feira, Julho 17, 2009




Por iniciativa do Portal Lisboa e com a colaboração da Chiado Editora vai ser lançado o livro "O SONO E O SONHO", uma antolgia de poesia contemporânea, onde estão representados nomes consagrados da poesia portuguesa e novos poetas que começam a emergir no panorama das letras nacionais.

A sessão de lançamento desta obra realiza-se no próximo dia 25 de Julho pelas 19,30 h no Café In, na Avª de Brasília nº 311, Pavilhão Nascente, em Lisboa. A entrada é livre, e estão todos convidados. Espero vê-los por lá.

PS: Já me estava a esquecer, mas foram seleccionadas para esta oobra 3 poemas meus. Há-de haver sempre alguém a destoar, não é?

Sábado, Junho 27, 2009

A CASA DO LAGO



FALANDO DE CINEMA

FILME EM DESTAQUE: “A CASA DO LAGO”
REALIZADOR: Mark Rydell
INTÉRPRETES: Katharine Hepburn; Henry Fonda; Jane Fonda
Ano: 1981. Duração: 109 m Estreado no Cinema Londres em 24/6/1982


Depois de passada a euforia dos Óscares e de terem sido já exibidos todos os filmes que foram galardoados com as almejadas estatuetas, a programação das salas de cinema em Portugal caiu de novo na mediocridade habitual. Com os mesmos títulos em cartaz em todos os multiplex dos centros comerciais do nosso país, sejam quais forem as empresas concessionárias, a diversidade de oferta é algo que não existe no nosso país o que reduz, se não inviabiliza mesmo, a possibilidade de escolha por parte do espectador. Algo de errado se está a passar na actividade da distribuição e exibição de filmes em Portugal, com claro prejuízo para os espectadores que gostam de ver bom cinema de várias origens.
A dificuldade com que me deparei este mês para seleccionar um dos filmes, actualmente em exibição, que me permitisse alinhavar um comentário minimamente interessante, não me deixou outra solução que não fosse recorrer à minha “cinemateca” particular para recordar um filme já antigo,com 28 anos, mas um dos mais fascinantes a que assisti até hoje. Estou a falar de “A Casa do Lago”, “ A Gold Pond”, no seu título original, um filme magnífico que é um verdadeiro hino ao amor, àquele amor que dura uma vida inteira, e que se vai fortalecendo à medida que os anos passam, o vigor enfraquece e a saúde se fragiliza. O amor de muitos anos que une um casal de idade já avançada, é bonito de se ver, reconforta-nos a alma e faz-nos acreditar que o casamento para toda a vida ainda é hoje, e há-de ser sempre, um conceito moderno e um objectivo que todos os casais devem tentar alcançar. Infelizmente nos tempos que correm há quem se esforce para desacreditar o Matrimónio, com a intenção escondida de minar e destruir uma instituição basilar para o equilíbrio da sociedade: A FAMÍLIA.
Norman, (Henry Fonda), é um octogenário, enfraquecido pela idade e pela doença, inseguro e talvez por isso, cáustico, mordaz e irreverente. Ethel, (Katharine Hepburn), pouco mais nova que Norman, é, em contrapartida, uma mulher cheia de vida, decidida e voluntariosa, sempre ao lado do marido, solidária e companheira, um verdadeiro anjo da guarda sob cujas “asas”, ele se refugia e se sente em segurança. Mas para que tudo não pareça demasiado cor-de-rosa e porque a vida não é pintada só em tons alegres, também a felicidade dos dois velhos não é completa, porque Chelsea, a filha, nunca se relacionou muito bem com o pai, que, por sua vez, nunca foi capaz de lhe demonstrar o carinho e o amor que tinha por ela. Repelia-a quando ansiava abraçá-la e beijá-la. Norman é uma daquelas pessoas incapazes de deixar transparecer os seus afectos, que os reprime e disfarça lançando mão de uma falsa frieza e distanciamento. Neste velho “casmurro” estão retratados todos os homens e mulheres que não são capazes de proferir a palavra amo-te, que reprimem o abraço ou o beijo que queriam dar e que têm vergonha de serem carinhosos. Consideram a afectividade uma fraqueza, detestam-se por isso, sofrem e fazem sofrer os outros. Por sua vez Chelsea revolta-se com a aparente frieza com que o pai a trata e acaba por se afastar, apesar de a mãe se esforçar por lhe fazer compreender que está a avaliar mal o progenitor, porque ela ama-a demasiado, que no seu coração existe um amor tão grande como o imenso lago que se estende em frente da sua casa e, tal como o lago esconde ciosamente a vida que existe no seu seio, também o pai guarda dentro de si os seus sentimentos mais intensos. Pai e filha, afinal, são muito mais parecidos do que ambos querem admitir com a agravante de não comunicarem. Talvez por isso entrem em colisão tantas vezes.
“A Casa do Lago” é um filme lindíssimo, com o qual me deliciei já para cima de de uma dezena de vezes e que continua a encantar-me e a emocionar-me como se o estivesse a ver pela primeira vez. Muitos dos nossos leitores certamente que já o conhecem mas àqueles que ainda não o viram aconselho-os vivamente a que o vejam logo que puderem. Vão adorar com toda a certeza.
As interpretações fabulosas de Henry Fonda e Katherine Hupburn foram ambas galardoadas com os Óscares para o melhor actor e melhor actriz, tendo ainda o filme sido premiado com a estatueta para o melhor argumento. Em suma, um filme intemporal e uma pérola cinematográfica.

(Publicado por mim no jornal Cruz Alta. (www.paroquias-sintra.net)

Sexta-feira, Junho 19, 2009

FELIZMENTE QUE NESTE SÉCULO XXI, EM PORTUGAL, É MUITO DIFERENTE

Sexta-feira, Junho 12, 2009

TRIBUTO A ANTÓNIO MONGINHO, POETA E AMIGO.

POETA!

Não te digo adeus,
Porque os poetas
Não morrem nunca!

A sua poesia
Garantem-lhe a imortalidade.

A tua voz não se calou
Amigo poeta.
Continuará bem viva
Em cada verso dos teus poemas.

Soará,
Ora, meiga e doce,
a cantar os afectos que coloriram
A tua vida,
Ora, poderosa e acusadora,
A defender as causas que foram as tuas:
O Amor,
A Justiça,
A Solidariedade,
O HOMEM.

Os poetas não morrem,
Apenas se ausentam.

O amigo?

Ah! esse, partiu.
Deixou-nos.
Foi-se embora.

Dele resta a memória.
E a saudade.

ADEUS, AMIGO!


________________________

António Monginho partiu para o alto há poucos dias. Tinha 83 anos e era um grande poeta, embora nunca tivesse tido, da parte dos seus pares, o devido reconhecimento. Outros de menos méritos, têm sido mais cantados. Eborense de nascimento, por motivos profissionais viveu em várias cidades, sete. Daí a título do primeiro e também do último dos seus livros: " DAS SETE CIDADES".

Para além de um poeta de eleição, o poeta Monginho fazia-me o grande favor e concedia-me a honra de ser meu amigo. Agora partiu e eu só posso dizer: ADEUS AMIGO.

Fica aqui um poema deste poeta, em jeito de homenagem.
_________________________

Atavio-me para a morte. Como
posso esquecer-me?

Arvores insubmissas. Inclinações
vegetais.

Afros raros virgens. Colónias
de abetos.

Este sopro breve é um golpe de
asa ou vento leve?
- Não adianta chorar.



(António Monginho)

Segunda-feira, Junho 08, 2009

O ODORICO PARAGUAÇU PORTUGÊS - QUE VERGONHA!

Segunda-feira, Junho 01, 2009

PORQUE NÃO TE CALAS?



Ora aqui está como se fala bom Inglês Técnico. E aqueles patetas ainda troçaram dele. Só podem ser ignorantes.

Depois de ver esta vergonha, se alguém disser que sou português...eu nego.

Quinta-feira, Maio 14, 2009

JEREMIAS E SERAPIÃO



Clicar sobre a imagem para ampliar.

Quinta-feira, Abril 30, 2009

ELE NÃO ESTÁ ASSIM TÃO INTERESSADO






REALIZADOR: Kem Kwapis
INTÉRPRETES: Ben Affleck; Jennifer Aniston; Drew Barrymore; Jennifer Connelly; Bradley Cooper; Scarlett Jonhasson; Justin Long
GÉNERO: Comédia/Romance IDADE: M/12 anos DURAÇÃO: 129 m

Mais uma comédia romântica e mais uma oportunidade para alguns críticos de cinema, com tiques de intelectualidade bacoca, puxarem do seu cachimbo, cofiarem a barbicha, deixarem escorregar os óculos nariz abaixo e desancarem o filme. O costume. Na minha opinião são pessoas que não gostam de cinema e que apenas se servem dele para alardear conhecimentos que não têm e uma superioridade que só existe na sua cabeça. O leitor que me desculpe este desabafo, mas não consigo evitar de, sempre que comento uma comédia romântica, alfinetar esses figurões, que esquecem deliberadamente que o único objectivo deste género de filmes é apenas o de divertir o espectador. Faço esta afirmação pela enésima vez, e pela enésima vez constato a reincidência desses intelectuais de pacotilha em ignorar esta realidade. Quanto a mim deixo-os às voltas com os seus cachimbos, (com ou sem tabaco), com as suas barbichas mal amanhadas e com os seu óculos redondos na ponta do nariz, que eu, como tantos outros espectadores que gostam mesmo de cinema, vamos continuar a divertir-nos com estes filmes leves e bem dispostos que nos fazem esquecer por momentos as agruras da vida e a “imundície” em que este país se tornou.

Interpretado por um elenco de luxo, como poucas vezes nos é oferecido, “Ele Não Está Assim Tão Interessado” é um filme que fala de atracção física, de encontros pontuais, de esperanças e frustrações, de sucessos e de fracassos, de segurança e indecisão e ainda de fidelidade e traição. O mote é o amor, seja ele real, desejado ou apenas imaginário. O filme enfantiza o desencanto da espera por um telefonema que nunca surge, após um primeiro encontro que uma das partes pretende que se repita. O que se desejava que fosse o início de algo mais sério, não passou apenas de um encontro fortuito, um momento, uma ilusão. A esperança resiste algum tempo mais, mas o telefone teima em manter-se silencioso. Segue-se o desencanto, a tristeza e a insegurança.

Uma jovem que espera ansiosamente que o telefone toque; uma mulher já madura que sonha com o casamento após vários anos de vida em comum com o seu companheiro; um marido que após resistência inicial se deixa enredar nas malhas da infidelidade; um rapaz experiente e sabido que não se prende a nenhum relacionamente sério até…um dia; uma menina que espera encontrar na Internet o seu príncipe encantado, e uma rapariga que procura alguém que a ajude a iniciar uma carreira artística, mesmo que para isso tenha que se envolver muito para além do recomendável e que não enjeita, para o conseguir, um relacionamento proibido com um homem casado. Há de tudo um pouco neste filme, temas sérios tratados ligeiramente, com uma dose de humor quanto baste, mas que deixa no ar matéria para reflexão a quem pretenda fazer continuar este filme para além dos 129 minutos que demora a sua projecção. Os jovens, principalmente, poderão aproveitá-lo para fazer a radiografia da sua vida sentimental. Tem sido compensadora ou sentirão que há algo que lhes falta? Querem a sua vida amorosa sustentada numa relação séria e com possibilidades de evolução futura, ou contentam-se apenas com momentos, que podem ser agradáveis mas que são fugazes e deixam frequentemente sequelas difíceis de superar. Pode haver quem não acredite, mas é mesmo verdade que este filme também pode fazer-nos meditar, principalmente aos mais jovens, sobre que tipo de amor que pretendemos viver, se o “amor” ocasional, virada apenas para o instante, e isso não é amor, ou uma relação mais ambiciosa com os olhos postos no futuro, uma relação que faça exultar e não deprima, uma relação que, mesmo que não vingue, seja possível recordar mais tarde com carinho e não com vergonha. Estarão os jovens neste momento a dizer para consigo que isto é conversa de velho. Afinal este filme não passa de uma comédia romântica, para quê estarmos a complicar? São capazes de ter razão. Vou mas é comprar um cachimbo, deixar crescer a barba e pendurar os óculos na ponta do nariz. Não corro o risco de massacrar a massa cinzenta e dou ares de inteligente.

(Comentário publicado no número de Maio do jornal Cruz Alta. (www.paroquias-sintra.net)

Terça-feira, Abril 28, 2009

ENTRE O SONO E O SONHO

Dando cumprimento a uma solicitação que me foi feita pelos promotores da iniciativa, jornal Portallisboa e Chiado Editora, divulgo o mail que recebi hoje.

Caro amigo,

Somos o jornal Portal Lisboa, um jornal de base on-line, que actualmente tem funcionado como jornal gratuito, dedicado exclusivamente à cidade de Lisboa, com uma tiragem mensal de 20 000 exemplares. Pode consultar o nosso último exemplar impresso no endereço www.portallisboa.net/eJornal.

Temos acompanhado o seu blog, pelo que gostariamos de lhe dar os parabéns pelo serviço cultural que tem prestado à poesia e à literatura. Neste sentido, gostariamos de lhe informar da nova iniciativa do nosso jornal (www.portallisboa.net).

Depois do sucesso que foi a Primeira Colectânea de Poesia Contemporânea do Portal Lisboa e da Chiado Editora (www.chiadoeditora.com), com o nome “Entre o Sono e o Sonho”, vamos agora arrancar com o II. Volume da mesma colectânea, pelo que gostariamos de o convidar a noticiar este evento no seu blog. Neste momento, estamos à procura de novos autores para entrarem neste livro, pelo que o convidamos a visitar o regulamento (Link Regulamento) desta colectânea no nosso site. As inscrições podem ser feitas aqui (Link Inscrição).

Sem mais nenhum assunto de momento,

Agradecemos desde já a sua atenção e convidamos a participar neste desafio.

(esta é a capa de "Entre o Sono e o Sonho")





João Gomes de Almeida

Director

Av. Rui Nogueira Simões, nº 2 A

1600 - 868 Lisboa

tlm: 936887948

www.portallisboa.net


REGULAMENTO

"ENTRE O SONO E O SONHO"
antologia de poesia contemporânea
Vol. II
Regulamento
"ENTRE O SONO E O SONHO"
Pag. 1 de 2
REGULAMENTO
1. Objectivo da obra
Os poetas ainda desconhecidos têm poucas oportunidades de mostrar os seus trabalhos para
além dos sítios na internet. Para que os seus poemas possam ficar verdadeiramente para a
posteridade o Portal de Lisboa criou o projecto “ENTRE O SONO E O SONHO" - antologia
de poesia contemporânea, que vai agora para o seu segundo volume, tendo o primeiro
volume sido apresentado em Fevereiro de 2009.
Os autores participam com um a vinte dos seus melhores poemas, sem no entanto estarem
submetidos a um tema. É absolutamente necessário que possuam qualidade, pelo que o
Portal de Lisboa reserva o direito de não seleccionar algum autor que no seu entender não
tenha essa qualidade.
Esta obra será editada pela Chiado Editora, uma editora de referência que oferece garantias
de um trabalho feito com profissionalismo.
2. Forma de participação
Compra de 5 exemplares da obra ao preço de 12 euros por exemplar, por cada poema que
desejar incluir na antologia. O pagamento deverá ser efectuado na totalidade quando a equipa
do Portal de Lisboa avaliar os poemas enviados e confimar a inscrição.
O pagamento pode ser feito através de cheque à ordem de Lorena e Gomes Comunicações,
lda ou transferência bancária pelo nib 0032 0658 00209251571 63. Os livros adquiridos pelo
autor ser-lhe-ão entregues no dia do lançamento da obra, ou que serão enviados pelo correio,
no caso de o autor assim o preferir.
3. Direitos de autor
20% sobre o valor dos livros vendidos.
Os direitos de autor vão ser doados à Fundação Santo António Maria Claret, uma fundação
com um papel fundamental no apoio à infância, 3.ª idade, e cidadãos portadores de deficiência.
4. Livro
Dimensão: 14,8 x 21 cm.
O preço de venda ao público da obra é de 15 euros

Quinta-feira, Abril 23, 2009

AFINAL NÓS NÃO SOMOS POBRES...SOMOS É PARVOS. E PARECE QUE QUEREMOS CONTINUAR A SER.



Esta mensagem foi me enviada por um amigo. Vale a pena ler!

Meus amigos,

Estava há dias a falar com um amigo meu Nova-iorquino que conhece bem Portugal, o Eddie ..

Dizia-lhe eu à boa maneira portuguesa de “coitadinhos” :

- Sabes Eddie, nós os portugueses somos pobres...

Esta foi a sua resposta:

Amigo, como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capaz de
pagar por um litro de gasolina mais do triplo do que pago eu?

Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de electricidade, de telefone
móvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA?

Como podes tu dizer que sois pobres quando pagais comissões bancárias
por serviços bancários e cartas de crédito ao triplo que nos custam
nos EUA, ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000
dólares o equivalente 20.000? Podem dar 8.000 dólares de presente ao
vosso governo e nós não.

Não te entendo.

Nós é que somos pobres: por exemplo em New York o Governo Estatal,
tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes
cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é 6%,
nada comparado com os 20% dos ricos que vivem em Portugal. E contentes
com estes 20% pagais ainda impostos municipais.

Além disso, são vocês que têm “ impostos de luxo” como são os impostos
na gasolina e gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc, que faz com
que esses produtos cheguem em certos casos até certos a 300 % do valor
original., e outros como imposto sobre a renda, impostos nos salários,
impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das
empresas, de circulação automóvel.

Um Banco privado vai à falência e vocês que não têm nada com isso
pagam outro, uma espécie de casino, o vosso Banco Privado quebra, e
vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado.


Sois pobres onde ?

Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre Ganhos por adiantado e
Bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na
abundância, porque considera que os negócios da nação e de todos os
seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque
fiscal, da corrupção dos seus governantes e autarcas. Um país capaz de
pagar salários irreais aos seus funcionários de estado e de Empresas
ligadas ao Estado.


Deixa-te de merdas, sois pobres onde?

Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA e que não pagamos impostos
sobre a renda se ganhamos menos de 3000 dólares ao mês por pessoas,
isto é mais ou menos os vossos 2000 €. Vocês podem pagar impostos do
lixo, sobre o consumo da água, do gás e electricidade. Aí pagam
segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto que
nós como somos pobres nos conformamos com a segurança pública.
Vocês enviam os filhos para colégios privados, enquanto nós aqui nos
EUA as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos prevendo
que não os podemos comprar.
Vocês não são pobres, gastam muito mal o vosso dinheiro.


Que vou responder ao Eddie?

Por favor dêem-me sugestões
.

Sábado, Abril 18, 2009

UM EPISÓDIO VERDADEIRO


Hoje apetece-me partilhar um episódio que vivi há 37 anos atrás. Estava eu a acompanhar a implementação de um serviço da empresa onde trabalhava, numa excelente livraria e discoteca em Algés onde estive durante 3 semanas a dar formação a uma funcionária da livraria. Era um estabelecimento de qualidade com livros de todos os géneros e onde era possível encontrar livros e discos proibidos pela censura. Um dia entram 2 indivíduos que cosmeçaram a passar as estantes a pente fino. A empregada da loja, uma rapariga inteligente e travessa, perguntou-me:

-Sabe sem são aqueles dois?.

- Não - respondi eu.

-São dois PIDES que vêm à procura de livros proibidos. - E logo de seguida pôs a tocar no sistema sonoro da loja um disco do Zeca Afonso, "Os Vampiros".

Estupefacto, perguntei-lhe:

-O que é que estás a fazer? Estás a tocar isso com eles aqui dentro?

- Não tenha medo. - Respondeu ela - Estes só Vêm à procura dos livros que constam numa lista que lhes deram. De discos não percebem nada.

E assim aconteceu. Os homens vasculharam toda a livraria, e não encontrando o que buscavam foram-se embora. Os livros estavam lá, mas bem escondidos e só eram vendidos a pessoas conhecidas e de confiança do proprietário.

Quando sairam, desatámos os dois a rir que nem uns perdidos.

Como são estúpidos os censores e os lacaios que os servem! O pior é que, 35 anos depois, ainda andam alguns por aí.

Ah! Como eu gostava daquela rapariga!

Segunda-feira, Abril 13, 2009

MIMOS





A nossa querida Fátima, do excelente blogue "MAR AZUL", http://azulsakura.blogspot.com, brindou-me com estes mimos. Agradeço-lhe do fundo do coraçãO a amizade que a levou a oferecer-me estes presentes. Eu também gosto muito dela.

Vou passá-los a todos os autores dos blogues que estou a acompanhar.

Beijos e abraços a todos, convenientemente distribuidos.

Sábado, Abril 11, 2009

RESSSUSCITOU! ALELUIA!



Uma Santa Páscoa para todos.

Sexta-feira, Abril 10, 2009

SÓ...E EM SILÊNCIO


Sexta-feira, Março 27, 2009

A CRUZ E A JANGADA



O tempo penitencial da Quaresma está a terminar. Segue-se a celebração da Ressurreição de Jesus, a base em que assenta a nossa Fé. Sem ela o cristianismo não faria sentido, porque se Jesus não tivesse vencido a morte, teria sido apenas “um homem bom” , como em criança tantas vezes ouvi dizer da boca de pessoas afastadas da Igreja e sem a dádiva da Fé. Hoje, lamentávelmente, já nem esse mérito os ateístas se dignam reconhecer-Lhe. Ao vencer a morte, Jesus revelou-se verdadeiramente como Filho de Deus.
Durante a Quaresma e a Paixão do Senhor olhamos a cruz com um sentimento de dor e de tristeza e vimo-la como um instrumento de ingomínia, sofrimento, tortura e morte. Com Cristo a cruz tornou-se odiosa aos olhos de todos aqueles que O amavam e seguiam. Jesus sofreu horrores cravado nos seus braços e foi nela que exalou o último suspiro.
Depois de retirado o Corpo, a cruz ficou despida no alto do Calvário e deixou de ser olhada como um instrumento de castigo mas como símbolo da vilania e ingomínia dos homens. Carregoe em si esse fardo durante 3 dias. A Ressurreição de Jesus veio no entanto dar-lhe outra dimensão e significado. Dignificou-a. Deixou de de ser ingominiosa para transformar num instrumento de esperança: uma jangada. Há quem não goste de ver uma cruz sem a imagem crucificada de Cristo. Houve, na nossa comunidade, quem não gostasse de ver na nossa igreja de S. Miguel uma cruz enorme com uma jangada presa nos seus braços. Eu, gosto mais de ver a Cruz desta forma. A Quaresma terminou, Cristo sofreu, morreu e foi retirarado da cruz e ressuscitou ao terceiro dia. A Cruz ficou vazia mas passa por ela a nossa salvação. É a jangada que Jesus nos deixou e que nós é indispensável para chegarmos até Ele.

(Editorial que escrevi para o Jornal Cruz Alta de Abril de 2009. Este jornal pode ser acedido através de www.paroquias-sintra.net)

Quarta-feira, Março 25, 2009

O NOSSO RETRATO INTERIOR?

Recebi por mail, que uma amiga me enviou, um questionário que dizem ser do Dr. Phill, um daqueles questionários que tiram o retrato à nossa personalidade. Com o risco de ofender os psicólogos, digo não não dou grande credibilidade a esse tipo de conclusões, mas por graça, e por curiosidade também, preencho-os sempre, para ver o resultado. Neste caso, o meu retrato ficou assim. Estou a publicá-lo porque, por coincidência, está muito, mas mesmo muito, parecido comigo.


Os outros vêem-no como uma pessoa sensível, cautelosa, cuidadosa e prática. Vêem-no como sendo esperto, talentoso ou dotado, mas modesto. Não é uma pessoa que faça amigos demasiado depressa ou com facilidade, mas é alguém extremamente leal aos amigos que faz e espera a mesma lealdade em troca. Aqueles que realmente o vêm a conhecer apercebem-se que é preciso muito para o fazer perder a confiança que tem nos amigos, mas também que é igualmente moroso recuperar se essa confiança for alguma vez quebrada.


O questionário já deve ser do conhecimento da maioria das minhas amigas, mas para a eventualidade de haver alguém que não o conheça ainda, aqui está ele:

Eu tive 38 pontos.

O Teste do Dr. Phil.

Em baixo está o teste Dr. Phil.
(O Dr. Phil teve 55 pontos, fez este teste no programa da Oprah. E ela teve 38). Algumas pessoas pagam muito dinheiro para descobrir estas coisas!


Leia, pois é bastante interessante!

Não seja demasiado sensível!

O que se segue é bastante preciso e só leva uns minutinhos a fazer.

Faça este teste para si mesmo e depois encaminhe-o para os seus amigos.

A pessoa que lho enviou colocou a sua pontuação no assunto do e-mail. Por favor, faça o mesmo quando o encaminhar aos seus amigos.

(devolva-o à pessoa que lho encaminhou).

Não espreite, mas comece a fazer o teste conforme vai andando para baixo e responda.

As respostas são em relação à pessoa que você é agora e não sobre a pessoa que você foi no passado.

Este é um teste real feito pelo Departamento de Recursos Humanos. Ajuda-os a ter uma melhor ideia acerca dos seus funcionários bem como acerca das pessoas que poderão vir a sê-lo.


São apenas 10 simples perguntas, por isso pegue numa caneta e numa folha de papel para registar as suas repostas para cada pergunta.

Certifique-se de que muda o assunto do seu email e acrescenta o SEU total.

Quando terminar, encaminhe isto para os seus amigos e mande-o também para a pessoa que lho encaminhou a si.

Certifique-se de que coloca a SUA pontuação no assunto do email.


Pronto(a)?
Comece.
1. Quando se sente melhor?

A) de manhã
B) durante a tarde e princípio da noite
C) noite avançada

2. Normalmente caminha...

A) relativamente rápido, com passadas largas
B) relativamente rápido, com passos curtos
C) menos rápido, de cabeça erguida, olhando o mundo de frente
D) menos rápido, de cabeça baixa
E) muito lentamente

3. Quando as pessoas falam consigo você...

A) fica de braços cruzados
B) tem as mãos entrelaçadas
C) tem uma ou ambas as mãos pousadas nas ancas
D) toca ou empurra a pessoa com quem está a falar
E) brinca com a sua orelha, toca no seu queixou ou alisa o cabelo

4. Quando está descontraído, você senta-se com...

A) os joelhos unidos e dobrados e as pernas lado a lado de forma perfeita
B) as pernas cruzadas
C) as pernas esticadas e direitas
D) uma perna dobrada debaixo de si

5. Quando algo realmente o diverte, reage com...

A) uma grande e gostosa gargalhada
B) uma gargalhada, mas não muito alta
C) um riso baixinho
D) um sorriso malandreco

6. Quando vai a uma festa ou evento social você...

A) faz uma entrada ruidosa para que todos reparem em si
B) faz uma entrada discreta, olhando á sua volta à procura de alguém que conheça
C) faz a entrada mais discreta possível, tentando que ninguém repare em si

7. Está a trabalhar muito, bastante concentrado e é interrompido.


A) dá as boas-vindas à interrupção
B) sente-se extremamente irritado
C) varia entre estes dois extremos



8. Qual das cores seguintes gosta mais...

A) Vermelho o cor-de-laranja
B) preto
C) amarelo ou azul claro
D) verde
E) azul escuro ou roxo
F) branco
G) castanho ou cinzento

9. Quando você está deitado na cama à noite, naqueles últimos momentos antes de adormecer, você está...

A) esticado deitado de costas
B) deitado de cara e barriga para baixo
C) deitado de lado, ligeiramente enrolado
D) deitado com a cabeça sobre um dos braços
E) com a cabeça debaixo das cobertas


10. Muitas vezes sonha que está...

A) a cair
B) a lutar ou a esforçar-se
C) à procura de algo ou alguém
D) a voar ou a flutuar
E) normalmente tem um sono sem sonhos
F) os seus sonhos são sempre agradáveis





PONTOS:


1. (a) 2 (b) 4 (c) 6

2. (a) 6 (b) 4 (c) 7 (d) 2 (e) 1
3. (a) 4 (b) 2 (c) 5 (d) 7 (e) 6
4. (a) 4 (b) 6 (c) 2 (d) 1
5. (a) 6 (b) 4 (c) 3 (d) 5 (e) 2
6. (a) 6 (b) 4 (c) 2
7. (a) 6 (b) 2 (c) 4
8. (a) 6 (b) 7 (c) 5 (d) 4 (e) 3 (f) 2 (g) 1
9. ( a) 7 (b) 6 (c) 4 (d) 2 (e) 1
10. (a) 4 (b) 2 (c) 3 (d) 5 (e) 6 (f) 1

Agora faça a soma do total dos números que obteve.




MAIS DE 60 PONTOS: Os outros vêem-no com alguém que devem 'lidar com cuidado'. É visto como vaidoso, centrado sobre si mesmo e que é extremamente dominante. Outros podem admirá-lo, desejando ser mais como você, mas sempre sem confiarem totalmente em si, hesitantes em se envolver demasiado consigo.

51 A 60 PONTOS: Os outros vêem-no com uma personalidade excitante, altamente volátil e impuslvia, um líder natural, que é rápido a tomar decisões, muito embora nem sempre sejam as mais acertadas. Vêem-no como corajoso e aventureiro, alguém que experimentará sempre algo nem que seja uma vez, alguém que assume riscos e aprecia a aventura. Gostam de estar na sua companhia por causa do entusiasmo que irradia.


41 A 50 PONTOS

: Os outros vêem-no como uma pessoa fresca, cheia de vida, charmosa, divertida, prática e sempre interessante, alguém que está constantemente no centro das atenções, mas que é suficientemente equilibrada para não deixar que isso lhe suba à cabeça. Também a vêem como uma pessoa amável, com consideração pelos outros e compreensiva, alguém que está sempre disposto a animar e a ajudar os outros.


31 A 40 PONTOS:

Os outros vêem-no como uma pessoa sensível, cautelosa, cuidadosa e prática. Vêem-no como sendo esperto, talentoso ou dotado, mas modesto. Não é uma pessoa que faça amigos demasiado depressa ou com facilidade, mas é alguém extremamente leal aos amigos que faz e espera a mesma lealdade em troca. Aqueles que realmente o vêm a conhecer apercebem-se que é preciso muito para o fazer perder a confiança que tem nos amigos, mas também que é igualmente moroso recuperar se essa confiança for alguma vez quebrada.


21 A 30 PONTOS:

Os seus amigos vêem-no como sofrido e picuinhas. Vêem-no como uma pessoa extremamente cautelosa, cuidadosa e lenta. Surpreendê-los-ia muito se alguma vez fizesse algo impulsivamente ou momentâneo, pois estão à espera que examine tudo cuidadosamente por todos os ângulos e só depois, normalmente decidir-se contra. Acham que esta reacção se deve em parte devido à sua natureza cautelosa.


MENOS DE 21 PONTOS:

As pessoas acham que você é tímido, nervoso e indeciso, alguém que precisa de ter alguém que cuide de si, alguém que quer sempre que seja outra pessoa a tomar as decisões e que não quer envolver-se em nada e com ninguém! Vêem-no como um preocupado que vê sempre problemas onde não existem. Algumas pessoas acham-no chato. Só aqueles que realmente o conhecem muito bem é que sabem que não o é.

Quarta-feira, Março 11, 2009

O ENIGMA DO ORGASMO FEMININO

Peço desculpa às minhas amigas mas não resisti a postar este mail que uma amiga me mandou. Está escrito com um sentido de humor irresístível. Espero poder arrancar-vos uma boa gargalhada.

O ENIGMA DO ORGASMO FEMININO





O orgasmo feminino é uma coisa da qual as mulheres percebem muito pouco,
E os homens ainda menos. Pelo facto de ser uma reacção endócrina, que se
dá sem expelir nada, não se apresenta nenhuma prova evidente de que
aconteceu, ou de que foi simulado.

Diante deste mistério, investigações continuam, pesquisas são feitas,
centenas de livros são escritos, tudo para tentar esclarecer este assunto.
A acompanhar este tema, deu no outro dia uma entrevista na TV com uma
conhecida sexóloga, que apresentou uma pesquisa feita nos Estados Unidos
na qual se mediu a descarga eléctrica emitida pela periquita no instante do
orgasmo.

Os resultados mostram que, na hora H, a pardaleca dispara uma carga de
250.000 micro volts. Ou seja, 5 passarinhas juntas, ligadas em série na hora
do 'ai meu Deus',são suficientes para acender uma lâmpada. E uma dúzia é
capaz de provocar a ignição no motor de um Carocha com a bateria em baixo.
Já há até mulheres a treinar para carregar a bateria do telemóvel: dizem que
é só ter o orgasmo e, tchan...carregar.

Portanto, é preciso ter muito cuidado porque aquilo, afinal, não é uma rata:
É uma torradeira eléctrica!!! E se der curto-circuito na hora de
'virar os olhos'? Além de vesgo, fica-se com a doença de Parkinson e com a
Salsicha assada.

Preservativo agora é pouco:
Tem de se mandar encamisar na Michelin.
E, no momento da descarga, é recomendado usar sapatos de borracha, não
os descalçar e não pisar o chão molhado.
É também aconselhável que, antes de se começar a molhar o biscoito, se
pergunte à parceira se ela é de 110 ou de 220 volts, não se vá esturricar
a alheira.

Terça-feira, Março 10, 2009

VER E PENSAR

Uma história verdadeira


Um dia o filho pergunta ao pai:

"Papá, vens correr comigo a maratona?"


O pai responde que sim, e ambos correm a primeira maratona juntos.
Um outro dia, volta a perguntar ao pai se quer voltar a correr a maratona com ele, ao que o pai responde novamente que sim.
Correm novamente os dois.
Certo dia, o filho pergunta ao pai:


"papá, queres correr comigo o Ironman?(O Ironman é o mais difícil...exige nadar 4 km, andar de bicicleta 180 km e correr 42 )
E o pai diz que sim.
Isto é tudo muito simples...até que se vejam estas imagens...fantástico!





Não me atrevo a fazer nenhum comentário, apenas reflectir na força do amor.

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

VEM AÍ A PRIMAVERA




Foi antipático este Inverno. Frio e borrascoso, entreteve-se a atormentar-nos a paciência durante 3 longos meses e prepara-se finalmente para partir. Talvez porque a consciência lhe pese por ter sido tão duro connosco durante tanto tempo, resolveu finalmente abrir um sorriso e oferecer-nos, neste final do seu “mandato” alguns dias ensolarados que não nos irão fazer esquecer o quanto ele nos tratou mal anteriormente. O Inverno está prestes a ir embora? Pois que vá, mas pode ir com a certeza de que saudades, é coisa que que não nos deixa. Vá, e quando regressar daqui a 9 meses que, que venha com melhor disposição.
É verdade que a chuva é absolutamente necessária e que as invernias de antanho eram bem mais rigorosas do que actualmente, mas porque de há alguns anos a esta parte, os sucessivos invernos nos têem vindo a habituar mal, tornou-se difícil aceitar uma estação invernosa mais dura. A chuva faz falta sim senhor, é ponto assente, mas faz falta nos campos e nas barragens e não nas nossas costas onde não existem hortas a necessitar de rega. Bom mesmo era ter sol na eira e chuva no nabal, mas o homem na sua “infinita” ciência ainda não conseguiu concretizar esse velho sonho de gerações milenares. É pena porque, por mim, avesso como sou à enxada, ver-me-ia livre daquelas molhas que me ensopam a roupa, enregelam os ossos e provocam um mau feitio indisfarçavel. Pois é senhor Inverno vá-se embora, faça boa viagem e goze umas longas férias para descansar do trabalho que teve em nos exasperar nestes últimos meses. Vá e ceda o seu lugar à juventude, àquela bela jovem que se aproxima, fresca, jovial e bonita, vestida de flores com pétalas delicadas e coloridas, perfumada de aromas campestres com que irá aromatizar os ares rodeada de bandos de pássaros irrequietos a esvoaçar em seu redor, abrilhantando a sua dança com alegres e melodiosos trinados. É a Primavera que está a chegar. Que venha em boa hora porque são muitas já as saudades que sentimos dela.
Depois do céu cinzento e carregado, da chuva, da neve e dos temporais, eis que o sol se aproxima, suave e esplendoroso, pronto para apadrinhar a renovação da vida nos campos que uma vez mais se irá processar. As árvores até agora nuas irão vestir-se com folhinhas verdes e tenras e ornamentar-se com milhares de florinhas delicadas de várias cores. Nos campos as sementes geminarão fazendo irromper da terra as novas plantas e as flores irão aos poucos tecendo um imenso manto multicolorido que os há-de cobrir. É a explosão da cor e dos aromas da vida renovada. Afinal a natureza não morreu, apenas descansou durante algum tempo para ressuscitar agora pujante e esplendorosa. O Invern, esse poderá ser considerado a Quaresma da natureza. Também ele é um tempo de despojamento e de austeridade. É tempo de deixar cair as folhas inúteis para que rebentem depois outras novas, mais pujantes, mais viçosas e mais bonitas. Nãoé a este despojamento que a Quaresma nos convida?
E a Primavera o que nos traz? A vida nova. Das árvores e dos campos que pareciam mortos volta a brotar a vida. O sol brilha, as aves procriam e a alegria e optimismo instalam-se de novo. Será que é descabido estabelecer uma analogia entre a Primavera e a Páscoa, a Ressurreição de Cristo? Pensemos bem: quanto tudo parece perdido eis que a vida regressa, e renasce a esperança. Que acham?

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

PARA TERMINAR EM GRANDE

Estes últimos posts têem sido algo atípicos, porque roçam a brejeirice, que eu não tenho cultivado aqui, e porque são pretensos desenhos, e eu não tenho o menor jeito para desenhar. Deu-me para aqui, podia ter-me dado para pior. Decidi terminar este ciclo dos gatafunhos em grande. Hoje dá-se destaque ao tamanho, talvez porque eu sou grande por natureza, mas garanto que não tenho nada a ver com este tipo de tamanho porque o meu nariz é perfeitamente normal.

(Clicar sobara a imagem para a ampliar)


Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

ESTAMOS NA SEMANA DO GATAFUNHO

Pois é! De vez em quando batem-nos cá umas manias que nem nós sabemos explicar como surgiram. Agora deu-me para vos moer a paciência com estes riscos mal-amanhados, mas por acso sei como esta veio aqui parar. Uma amiga pediu-me para lhe fazer uns boneco, (não, não são desses, não sejam maldosas), para um blogue atrevido que ela criou. Não sei qual foi a ideia dela, mas tentei fazer uns "desenhos" e começaram a nascer aberrações como estas, só que algo mais ousadas, como convinha `natureza do blogue.

Agor, à falta de temas melhores, decidi criar a semana dos gatafunhos. Aqui estão eles. Desculpem o atrevimento e os desenhadores que me perdoem, mas a existência destes bonecos só vem valorizar o trabalho deles. Isto de desenhar não é para quem quer, mas para quem sabe... e eu não sei.

1 - QUEM ANDA À CHUVA MOLHA-SE



Pois molha. Vejam os exemplos seguintes.







Imaginação não falta. E desculpas também não. O resultado é que é o mesmo. Mas valeu pelo momento.

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

UMA SUGESTÃO PARA A PRÁTICA DESPORTIVA

cLICAR SOBRE A IMAGEM PARA AMPLIAR

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

A TROCA


FALANDO DE CINEMA


FILME EM DESTAQUE: “A TROCA” (THE CHANGELING)

REALIZADOR: Clint Estwood
INTÉRPRETES: Angelina Jolie; Jonh Malkovich; Gratlio Grifith; Jan Devereaux; Michele Martin
GÉNERO: Trhiller IDADE: M/12 anos (Filme de qualidade) DURAÇÃO: 141 minutos
____________________________________________________________________________


Dramático. Intenso. Chocante. Perturbador. Penso que esta é uma adjectivação que qualifica com objectividade este novo e excelente fillme de Clint Estwood. Tão dramático que chega a doer. Intenso, ao ponto de sufocar o espectador, de emoção e de revolta. Perturbador, porque revela quão frágeis somos nós, simples cidadãos, ante a prepotência e a hipocrisia dos detentores do poder. Chocante, porque recria um episódio real, uma história arrepiante e cruel mas verdadeira, que aconteceu na segunda década do século XX, em Los Angeles, e que acabou por abalar e fazer ruir todo o edifício político da cidade, nessa época.

A trama desenrola-se no ano de 1928 no estado da Califórnia, na cidade de Los Angeles, como já referi, e relata a luta de uma mulher angustiada pelo misterioso desaparecimento do seu filho. Destroçada pela dor, deposita toda a sua esperança nas mãos da polícia local, confiando na sua eficácia e empenhamento para trazer de volta a casa o filho ausente. A realidade, porém, revelar-se-ia bem diferente. Mais interessados em camuflar o fracasso das suas diligências, resultado do desinteresse e incompetência com que trataram do caso, o capitão da força policial em conluio com o “sheriff” e com o aval do Mayor da cidade, tenta ludibriar Christine Collins, (Angelina Jolie), a mãe da criança desaparecida, devolvendo-lhe, no meio de grande aparato mediático, um rapaz que não é o seu filho. Quando constatam que ela não se deixa enganar recorrem à chantagem e à coacção psicológica, para a obrigar a aceitar o embuste e o consequente encerramento do caso. Incomodados com a persistência de Christine que exige que a investigação prossiga, os responsáveis policiais endurecem os seus métodos de pressão e iniciam uma campanha difamatória contra ela, humilhando-a e tentando desacreditá-la perante a opinião pública. Seguiram-se as ameaças e o internamento forçado num hospital psiquiátrico dirigido por um médico tão corrrupto e cruel como os polícias com quem colabora. Desamparada, Christine conta apenas com o apoio do reverendo Briegleb, (Jonh Malkovich), o pastor da comunidade evangélica local que há muito que vem denunciando, no púlpito e na rádio, com coragem e com dureza, a corrupção e a prepotência dos políticos e da polícia da cidade.

Uma mãe desesperada e dorida pelo desaparecimento de um filho, temperada pela sofrimento e ferida pela injustiça transforma-se numa mulher forte e indestrutível, capaz de enfrentar todas as adversidades. Christine é uma mulher ferida e sofrida, não verga nem se deixa vencer e, determinada a recuperar o SEU filho, inicia uma luta desigual disposta a enfrentar corajosamente a arrogância e a crueldade das autoridades, com a única arma de que dispõe: a força do seu amor de mãe. Como aliado conta apenas com o corajoso pastor. Felizmente para ela, no meio da indignidade da polícia, existe um detective honesto que consegue apanhar o fio à meada e, á revelia dos seus chefes, acaba por esclarecer o mistério. Os resultados são tão surpreendentes como devastadores e permitem que o filme termine com uma mensagem forte e optimista: a vida é um caminho de esperança, mesmo quando os escolhos são muitos e os obstáculos parecem intransponíveis. Vale a pena lutar para tentar vence-los. Christine Collins descobriu esse caminho numa tarde negra do mês de Fevereiro de 1928 e trilhou-o sempre até ao fim.

Iniciei este comentário com vários adjectivos, vou terminá-lo apenas com um deles: perturbador. Perturba-me, e deve perturbar-nos a todos, que no mundo exista ainda tirania, que a corrupção alastre, que a prepotência e a arrogância se instalem e a hipocrisia e a mentira se vulgarizem entre os detentores de cargos de poder, sejam eles na política, nas forças de segurança ou simplemente nos nossos locais de trabalho. Christine Collins, no início do século passado foi uma vítima de todos estes abusos, e como ela, quantos outros milhões de pessoas não o terão sido também, nos mais diversos locais do mundo e pelos mais variados motivos. Se é chocante que isso tenha acontecido há 80 anos atrás, é perturbador que quase um século depois, pouco ou nada tenha mudado, a não ser a sofisticação dos métodos na prática desses excessos que não serão hoje tão ostensivamente evidentes como eram nessa época, mas que, dissimulados e escondidos atrás de palavras bonitas e conceitos nobres, ainda andam por aí. Não as vemos mas sentimo-las. Negam-nas, mas existem. As pessoas acomodaram-se, cresce o medo, impera o oportunismo. Os tiranos agradecem. Quase um século depois continua a haver opressores e oprimidos. Enquanto isso a turba olha para o lado e assobia para o ar. Infelizmente há cada vez menos “pastores” a lutar contra o despotismo. Não acham pertubador?

“REVERENDOS BRIEGLEB, PRECISAM-SE. URGENTEMENTE”.

(Comentário que publiquei no jornal Cruz Alta de Fevereiro/09)

ADEUS PRIVACIDADE...MAS NÃO TANTO. ACHO EU!

Recebi este mail que me divertiu bastante. Não será tanto assim, mas...

EM 2019!! Para quem vai aderir ao cartão único:

Assim vai ser o nosso futuro!!!



- Telefonista: Pizza Hut, boa noite!

- Cliente: Boa noite, quero encomendar Pizzas...

- Telefonista: Pode-me dar o seu NIN?

- Cliente: Sim, o meu Número de Identificação Nacional é o 6102 1993 8456 5463 2107.

- Telefonista: Obrigada, Sr. Lacerda. O seu endereço é na Avenida Paes de
Barros, 19, Apartamento 11, e o número do seu telefone é o 21549 4236, certo?
O telefone do seu escritório na Liberty Seguros, é o 21 574 52 30 e o seu telemóvel
é o 96 266 25 66, correcto?

- Cliente: Como é que conseguiu todas essas informações?

- Telefonista: Porque estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.

- Cliente: Ah, sim, é verdade! Quero encomendar duas Pizzas: uma Quatro
Queijos e outra Calabresa...

- Telefonista: Talvez não seja boa ideia...

- Cliente: O quê...?

- Telefonista: Consta na sua ficha médica que o senhor sofre de hipertensão
e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de
vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a saúde.

- Cliente: Claro! Tem razão! O que é que sugere?

- Telefonista: Por que é que não experimenta a nossa Pizza Superlight, com
Tofu e Rabanetes? O senhor vai adorar!

- Cliente: Como é que sabe que vou adorar?

- Telefonista: O senhor consultou a página 'Receitas Gulosas com Soja' da
Biblioteca Municipal, no dia 15 de Janeiro, às 14:27 e permaneceu
ligado à rede durante 39 minutos. Daí a minha sugestão...

- Cliente: Ok, está bem! Mande-me então duas Pizzas tamanho familiar!

- Telefonista: É a escolha certa para o senhor, a sua esposa e os vossos
quatro filhos, pode ter a certeza.

- Cliente: Quanto é?

- Telefonista: São 49,99.

- Cliente: Quer o número do meu Cartão de Crédito?

- Telefonista: Lamento, mas o senhor vai ter que pagar em dinheiro. O
limite do seu Cartão de Crédito foi ultrapassado.

- Cliente: Tudo bem. Posso ir ao Multibanco levantar dinheiro antes que
chegue a Pizza.

- Telefonista: Duvido que consiga. A sua Conta de Depósito à Ordem está com
o saldo negativo.

- Cliente: Meta-se na sua vida! Mande-me as Pizzas que eu arranjo o
dinheiro. Quando é que entregam?

- Telefonista: Estamos um pouco atrasados. Serão entregues em 45 minutos.
Se estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar
duas Pizzas na moto, não é lá muito aconselhável. Além de ser perigoso...

- Cliente: Mas que história é essa? Como é que sabe que eu vou de moto?

- Telefonista: Peço desculpa, mas reparei aqui que não pagou as últimas
prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga e
então, pensei que fosse utilizá-la.

- Cliente: Foooddddddd.......!!!!!!!!!

- Telefonista: Gostaria de pedir-lhe para não ser mal educado... Não se
esqueça de que já foi condenado em Julho de 2006 por desacato em
público a um Agente da Autoridade

- Cliente: (Silêncio).

- Telefonista: Mais alguma coisa?

- Cliente: Não. É só isso... Não. Espere... Não se esqueça dos 2 litros de
Coca-Cola que constam na promoção.

- Telefonista: O regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo
095423/12, proíbe a venda de bebidas com açúcar a pessoas
diabéticas...

- Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou atirar-me pela janela!!!!!

- Telefonista: E torcer um pé? O senhor mora no rés-do-chão...!



Cartão único...Oba oba...

Sábado, Janeiro 24, 2009

APENAS UMA FRASE?

"Um homem só tem o direito de olhar outro homem, de cima para baixo, para o ajudar a levantar-se."

Desconheço o autor deste belo pensamento.

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

PERDOEM A AUSÊNCIA

Peço desculpa às minhas amigas, que apesar de eu andar ausente nas postagens neste blog e nas visitas aos blogs amigos, continuam a honrar-me com as suas visitas e com a sua simpatia e amizade. A minha ausência tem uma explicação: a precária saúde da minha mãe e um trabalho de um plano de negócios que estou a ajudar a elaborar. Espero regressar em breve à actividade blogueira e estou na dúvida se hei-de manter a mesma linha "editorial" e partilhar convosco algumas histórias que continuo a escrever no pouco tempo que tenho livre ou ser mais interventivo em relação à política deste país e às malfeitorias que este governo e este primeiro-ministro, cujo nome não menciono por uma questão de higiene mental, têem vindo a cometer contra os portugueses. Mas valerá a pena se, apesar de tudo o que esta gente tem vindo a fazer contra os portugueses, eles tencionam voltar a votar neles? Provavelmente continuarei com as minha histórias, pelo menos nelas não entram políticos detestáveis. Por enquanto.

Em breve espero reiniciar as minhas visitas aos vossos magníficos blogues.

Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

UM SANTO NATAL



PARA TODOS UM SANTO E FELIZ NATAL

Sábado, Dezembro 20, 2008

UMA HISTÓRIA DE TODOS OS DIAS

Uma história comovente, não sei se verídica ou não, mas uma história que apesar de ser adequada a qualquer altura do ano ganha maior força nesta época do Natal.

Um Santo Natal para todos, e que bom que seria que a fome acabasse neste mundo louco.




Ricardinho
> não aguentou o cheiro bom do pão e falou:
>
> - Pai, tô com fome!!!
>
> O pai, Agenor , sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência...
>
> - Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!!!
>
> Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente...
>
> Ao entrar dirige-se a um homem no balcão:
>
> - Meu senhor, estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!!
>
>
> Amaro , o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho...
>
> Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo...
>
> Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua...
>
> Para Agenor , uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá...
>
> Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada...
>
> A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades...
>
> Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar:
>
> - Ô Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?!?!
>
> Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer...
>
> Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho...
>
> Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas...
>
> Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório...
>
> Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de
> pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada...
>
> Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria, e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias...
>
> Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho...
>
> Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso...
>
> Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores...
>
> No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho...
>
> Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia porque estava ajudando...
>
> Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele
> chamava-o para ajudar aquela pessoa...
>
> E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres...
>
> Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar...
>
> Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta...
>
> Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula...
>
> Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros , advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro...
>
> Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o 'antigo funcionário' tão elegante em seu primeiro terno...
>
> Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida diariamente na hora do almoço...
>
>
> Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho , o agora nutricionista Ricardo Baptista...
>
> Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um...
>
> Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que a mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido...
>
> Ricardinho , o filho mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho', que seu pai fundou com tanto carinho:
>
> 'Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço. Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!!!'
>
> (História verídica)

Rececebida por email
>

Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

E NÃO É QUE É MESMO VERDADE?


(Clicar na imagem para a ampliar. Tamanho XXXL)

ANTÓNIO LOBO ANTUNES (Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão, Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.


NOTA: Comigo TUDO isto é verdade.

Segunda-feira, Novembro 17, 2008

A AVE NEGRA E A POMBA BRANCA

Tendo como fundo o azul radioso do céu uma pomba branca vai evoluindo no ar num voo gracioso e tranquilo. De repente um vulto começa a desenhar-se ao longe e à medida que se vai aproximando ganha a forma de uma ave negra, ameaçadora e inquietante. A pombinha até aí feliz no seu voo descuidado, estremece com essa visão horrenda, assusta-se e foge em direcção ao seu pombal onde ficará a salvo do ataque da malvada criatura que se aproxima, mas é com desespero que constata que se afastara demasiado da sua “casa” e que o perigo está cada vez perto. Aterrorizada ao sentir a sinistra ave negra a curta distância de si, a frágil pombinha esconde-se na copa de uma árvore frondosa que encontra pela frente. Encolhida a tremer de medo fechou os olhitos assustados e esperou resignada pelo terrível desfecho que se afigurava inevitável. Sente a aproximação da ave tenebrosa e adivinha já a presença do sinistro “passaroco” mesmo por cima da sua cabeça. A sombra inquietante da ave negra cobre a indefesa pombinha branca que sente já a sua carne a ser rasgada pelas garras afiadas da cruel e implacável predadora que a arranca do ramo da árvore onde se refugiara e a conduz pelos ares até ao seu ninho onde a comerá sem piedade.

Os segundos parecem horas enquanto a pombinha encolhida de medo aguarda expectante pelo fim trágico. O tempo passa e nada acontece. Os raios do sol voltam a aquecer as penas brancas da pomba e ela começa a acreditar que o perigo já passou. A medo vai abrindo os olhitos e vê a ave assassina a afastar-se nos ares. Aos poucos vai-se acalmando e tranquiliza-se enquanto vê a silhueta da ave negra cada vez mais longe a esbater-se no horizonte, mais ainda consegue vê-la à distância, a picar o seu voo e desaparecer por detrás de um monte. Curiosa, a pombinha, agora mais afoita voou em direcção ao local onde viu desaparecer a ave negra. Quando chegou ao local ficou deslumbrada ao deparar-se com um lago imenso, de água cristalina, coberto por centenas de cisnes, brancos como ela, e entre eles um imponente cisne negro a nadar com elegância e serenidade no meio dos seus irmãos. Afinal a tal ave negra, horrenda e agoirenta que aterrorizara a inocente pombinha era nem mais nem menos que um pacífico cisne, tão belo como os outros cisnes. Viajara para longe e acabara agora de regressar ao seio dos seus irmãos que o receberam de asas abertas como acontecia sempre que algum deles regressava após prolongada ausência.

A pomba branca, inocente e insegura regressou ao seu pombal, pensativa e envergonhada pela sua insegurança e por ter avaliado mal aquele belo cisne apenas por grande e ser negro, e foi com o propósito de não voltar a julgar as outras aves apenas pelas aparências que entrou no pombal. A verdade é que ela não o fizera por mal mas por medo e insegurança. Se nem tudo o que luze é oiro também nem tudo que é negro é mau. Os cisnes negros por exemplo.


Este é um texto sem sentido que me apeteceu escrever vá lá saber-se porquê. Mas a verdade é que anda por saí muita gente a julgar os outros sem conhecerem nada deles, nem da sua vida ou dos seus problemas. Eu também já caí nessa tentação, mas enganei-me quase sempre.

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

Quem Semeia Ventos...


(Foto e notícia do Correio da Manhã de 12/11/2008)

Costuma dizer-se que quem semeia ventos...colhe tempestades. Não defendo a desordem nem o insulto, mas a senhora tudo tem feito para que isso aconteça. Como diz o povo: estava a pedi-las. Até quando os portugueses que não gostam de ser enganados nem que lhes metam as mãos dos bolsos vão ter que gramar esta gente?

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Agora para rir um pouco.

Recebi esta anedota por mail. Compartilho-a convosco embora saiba que não vos estou a dar nenhuma novidade.

BRANCA DE NEVE , A BRUXA E PINÓQUIO ENCONTRAM-SE NA FLORESTA:



- SOU A MAIS LINDA DO MUNDO ! - DIZ BRANCA DE NEVE
- SOU A MAIS FEIA DO MUNDO ! - DIZ A BRUXA
- SOU O MAIOR MENTIROSO DO MUNDO ! - DIZ PINÓQUIO

E ENTÃO ENTRAM, UM DE CADA VEZ, NA GRANDE CAVERNA, PARA FALAR COM O SÁBIO DA FLORESTA, O POSSUIDOR DO ESPELHO MÁGICO DA VERDADE.

- BRANCA DE NEVE ENTRA E SAI MUITO FELIZ: - SOU MESMO A MAIS LINDA DO MUNDO!

- A BRUXA ENTRA TAMBEM E SAI TODA SORRIDENTE: - SOU MESMO A MAIS FEIA DO MUNDO!

- PINÓQUIO ENTRA POR ÚLTIMO, SAI ENFURECIDO E PERGUNTA:

- .......!!!! QUEM É O SÓCRATES ????

Domingo, Novembro 02, 2008

UMA MANHÂ DE NEVOEIRO



Uma manhã de Outono
Fria e brumosa.

Uma manhã nostálgica!

Um manto cinzento
De nevoeiro intenso
Esconde a serra
E invade os bosques.

Mas afinal
Que faço eu aqui
A vaguear pela serra
Numa manhã fria
E húmida,
Sózinho,
Sem tino
E sem rumo?

À minha volta
Só se ouve o silêncio.

Não se ouve o canto de um pássaro.
Não ecoam na vastidão do bosque
Passos nem vozes,
Nesta manhã
Pardacenta e triste.
Até o romance se afastou
Dos cantos idílicos
Que abundam na serra.
Não se ouvem sussurros de amor
Vindos detrás de um rochedo,
Nem sequer o eco
De um beijo
Trocado
A coberto das moitas.

As árvores esbatidas
No manto brumoso
Que envolve o bosque
Configuram fantasmas.

Pergunto-me:
Que faço eu aqui,
No alto da serra,
Sózinho e perdido
Numa manhã de Outono
Nevoenta e fria?

Não sei responder.

Talvez tenha vindo
Reviver o passado.
Recordar momentos felizes,
Quem sabe, reencontrar-me
Com sonhos antigos
Perdidos na poalha do tempo
E que a magia da serra
Alimentou um dia.

Quem sabe?

O que foi que me trouxe à serra
Numa manhã nostálgica
Chuvosa e fria
De nevoeiro intenso?

Não sei!
Só sei que estou aqui,
E sinto-me bem.


Terça-feira, Outubro 28, 2008

SEREI EU POETA?


Com a falta de talento que me é característica, mas com a boa vontade que sempre tenho, dedico a todas as amigas, e amigos, que me têem visitado ultimamente, sem que eu tenha ainda tido oportunidade de retribuir, esta espécie de poema. Não liguem à forma mas apenas à intenção com que foi escrito.
Espero em breve visitá-las nos vossos maravilhosos cantinhos.


Um poeta
Será apenas alguém
Que escreve poemas?
Alguém que tem o dom
de, usando as palavras,
construir imagens,
Espelhar sentimentos,
Estados de espírito,
E almas em êxtase?

Ser poeta,
É isso, é verdade,
Mas pode ser muito mais.
Se não fosse
Como seria eu um poeta?
E sou.

Sou um poeta
Que não escreve poemas
Porque para isso
Me falta o talento.
A poesia, não sou eu que a faço,
Procuro-a,
E encontro-a.
Sinto-a e vivo-a
No azul do céu,
nas nuvens alvíssimas,
na brandura do vento
e até mesmo na fúria do mar.

Existe um poema
Numa simples flor
E no aroma que exala.
Existe um poema
Na silhueta airosa
De uma mulher elegante.
Existe um poema
Nos alegres trinados
Que a passarada lança nos ares,
Mas o mais belo poema
Encontra-se no sorriso amigável
De uma alma bondosa.

Perdoem-me que diga que,
Embora não tendo o talento
Que me dê o direito
De escrever poesia,
Eu sou um poeta.

Sábado, Outubro 18, 2008

CARTA ABERTA AO SR. SÓCRATES

Recebi, enviada por uma amiga minha, esta carta aberta escrita por uma mãe, jornalista de profissão, ao Sr. Sócrates, primeiro-ministro de Portugal para infelicidade dos portugueses que trabalham ou trabalharam uma vida inteira. Porque estou totalmente de acordo com as preocupações e críticas desta mãe preocupada, e porque está esxtraordináriamente bem escrita, coisa rara no tempo presente, decido compartilhar a sua leitura, que seria deliciosa se não fosse dramática, com todos os amigos e amigas que fazem o favor de continuar a visitar-me. Ora leiam.




Sr. Engº José Sócrates,



Antes de mais, peço desculpa por não o tratar por Excelência nem por
Primeiro-Ministro, mas, para ser franca, tenho muitas dúvidas quanto
ao facto de o senhor ser excelente e, de resto, o cargo de
primeiro-ministro parece-me, neste momento, muito pouco dignificado.



Também queria avisá-lo de antemão que esta carta vai ser longa, mas
penso que não haverá problema para si, já que você é do tempo em que o
ensino do Português exigia grandes e profundas leituras. Ainda pensei
em escrever tudo por tópicos e com abreviaturas, mas julgo que lhe faz
bem recordar o prazer de ler um texto bem escrito, com princípio, meio
e fim, e que, quiçá, o faça reflectir (passe a falta de modéstia).



Gostaria de começar por lhe falar do 'Magalhães'. Não sobre os erros
ortográficos, porque a respeito disso já o seu assessor deve ter
recebido um e-mail meu. Queria falar-lhe da gratuitidade, da
inconsequência, da precipitação e da leviandade com que o senhor
engenheiro anunciou e pôs em prática o projecto a que chama de
e-escolinha.



O senhor fala em Plano Tecnológico e, de facto, eu tenho visto a
tecnologia, mas ainda não vi plano nenhum. Senão, vejamos a cronologia
dos factos associados ao projecto 'Magalhães':

. No princípio do mês de Agosto, o senhor engenheiro apareceu na
televisão a anunciar o projecto e-escolinhas e a sua ferramenta: o
portátil Magalhães.

. No dia 18 de Setembro (quinta-feira) ao fim do dia, o meu filho traz
na mochila um papel dirigido aos encarregados de educação, com apenas
quatro linhas de texto informando que o 'Magalhães' é um projecto do
Governo e que, dependendo do escalão de IRS, o seu custo pode variar
entre os zero e os 50 euros. Mais nada! Seguia-se um formulário com
espaço para dados como nome do aluno, nome do encarregado de educação,
escola, concelho, etc. e, por fim, a oportunidade de assinalar, com
uma cruzinha, se pretendemos ou não adquirir o 'Magalhães'.

. No dia 22 de Setembro (segunda-feira), ao fim do dia, o meu filho
traz um novo papel, desta vez uma extensa carta a anunciar a visita,
no dia seguinte, do primeiro-ministro para entregar os primeiros
'Magalhães' na EB1 Padre Manuel de Castro. Novamente uma explicação
respeitante aos escalões do IRS e ao custo dos portáteis.

. No dia 23 de Setembro (terça-feira), o meu filho não traz mais
papéis, traz um 'Magalhães' debaixo do braço.



Ora, como é fácil de ver, tudo aconteceu num espaço de três dias úteis
em que as famílias não tiveram oportunidade de obter esclarecimentos
sobre a futura utilização e utilidade do 'Magalhães'. Às perguntas que
colocámos à professora sobre o assunto, ela não soube responder.
Reunião de esclarecimento, nunca houve nenhuma.

Portanto, explique-me, senhor engenheiro: o que é que o seu Governo
pensou para o 'Magalhães'? Que planos tem para o integrar nas aulas?
Como vai articular o seu uso com as matérias leccionadas? Sabe, é que
50 euros talvez seja pouco para se gastar numa ferramenta de trabalho,
mas, decididamente, e na minha opinião, é demasiado para se gastar num
brinquedo. Por favor, senhor engenheiro, não me obrigue a concluir que
acabei de pagar por uma inutilidade, um capricho seu, uma manobra de
campanha eleitoral, um espectáculo de fogo de artifício do qual só
sobra fumo e o fedor intoxicante da pólvora.

Seja honesto com os portugueses e admita que não tem plano nenhum.
Admita que fez tudo tão à pressa que nem teve tempo de esclarecer as
escolas e os professores. E não venha agora dizer-me que cabe aos pais
aproveitarem esta maravilhosa oportunidade que o Governo lhes deu e
ensinarem os filhos a lidar com as novas tecnologias. O seu projecto
chama-se e-escolinha, não se chama e-familiazinha! Faça-lhe jus!
Ponha a sua equipa a trabalhar, mexa-se, credibilize as suas
iniciativas!



Uma coisa curiosa, senhor engenheiro, é que tudo parece conspirar a
seu favor nesta sua lamentável obra de empobrecimento do ensino
assente em medidas gratuitas.

Há dias arrisquei-me a ver um episódio completo da série Morangos com
Açúcar. Por coincidência, apanhei precisamente o primeiro episódio da
nova série que significa, na ficção, o primeiro dia de aulas daquela
miudagem. Ora, nesse primeiro dia de aulas, os alunos conheceram a sua
professora de matemática e o seu professor de português. As imagens
sucediam-se alternando a aula de apresentação de matemática por
contraposição à de português. Enquanto a professora de matemática
escrevia do quadro os pressupostos da sua metodologia - disciplina,
rigor e trabalho - o professor de português escrevia no quadro os
pressupostos da sua - emoção, entrega e trabalho. Ora, o que me faz
espécie, senhor engenheiro, é que a personagem da professora de
matemática é maldosa, agressiva e antiquada, enquanto que o professor
de português é um tipo moderno e bué de fixe. Então, de acordo com os
princípios do raciocínio lógico, se a professora de matemática é
maldosa e agressiva e os seus pressupostos são disciplina e rigor,
então a disciplina e o rigor são coisas negativas. Por outro lado, se
o professor de português é bué de fixe, então os pressupostos da
emoção e da entrega são perfeitos. E de facto era o que se via.
Enquanto que na aula de matemática os alunos bufavam, entediados, na
aula de português sorriam, entusiasmados.



Disciplina e rigor aparecem, assim, como conceitos inconciliáveis com
emoção e entrega, e isto é a maior barbaridade que eu já vi na minha
vida. Digo-o eu, senhor engenheiro, que tenho uma profissão que vive
das emoções, mas onde o rigor é 'obstinado', como dizem os poetas. Eu
já percebi que o ensino dos dias de hoje não sabe conciliar estes dois
lados do trabalho. E, não o sabendo, optou por deixar de lado a
disciplina e o rigor. Os professores são obrigados a acreditar que
para se fazer um texto criativo não se pode estar preocupado com os
erros ortográficos. E que para se saber fazer uma operação aritmética
não se pode estar preocupado com a exactidão do seu resultado. Era o
que faltava, senhor engenheiro!



Agora é o momento em que o senhor engenheiro diz de si para si: mas
esta mulher é um Velho do Restelo, que não percebe que os tempos
mudaram e que o ensino tem que se adaptar a essas mudanças? Percebo,
senhor engenheiro. Então não percebo? Mas acontece que o que o senhor
engenheiro está a fazer não é adaptar o ensino às mudanças, você está
a esvaziá-lo de sentido e de propósitos. Adaptar o ensino seria afinar
as metodologias por forma a torná-las mais cativantes aos olhos de uma
geração inquieta e voltada para o imediato. Mas nunca diminuir, nunca
desvalorizar, nunca reduzir ao básico, nunca baixar a bitola até ao
nível da mediocridade.



Mas, por falar em Velho do Restelo...



... Li, há dias, numa entrevista com uma professora de Literatura
Portuguesa, que o episódio do Velho do Restelo foi excluído do estudo
d'Os Lusíadas. Curioso, porque este era o episódio que punha tudo em
causa, que questionava, que analisava por outra perspectiva, que é
algo que as crianças e adolescentes de hoje em dia estão pouco
habituados a fazer. Sabem contrariar, é certo, mas não sabem
questionar. São coisas bem diferentes: contrariar tem o seu quê de
gratuito; questionar tem tudo de filosófico. Para contrariar, basta
bater o pé. Para questionar, é preciso pensar.

Tenho pena, porque no meu tempo (que não é um tempo assim tão
distante), o episódio do Velho do Restelo, juntamente com os de Inês
de Castro e da Ilha dos Amores, era o que mais apaixonava e empolgava
a turma. Eram três episódios marcantes, que quebravam a monotonia do
discurso de engrandecimento da nação e que, por isso, tinham o mérito
de conseguir que os alunos tivessem curiosidade em descodificar as
suas figuras de estilo e desbravar o hermetismo da linguagem. Ainda
hoje me lembro exactamente da aula em que começámos a ler o episódio
de Inês de castro e lembro-me das palavras da professora Lídia,
espicaçando-nos, estimulando-nos, obrigando-nos a pensar. E foi há 20
anos.



Bem sei que vivemos numa era em que a imagem se sobrepõe à palavra,
mas veja só alguns versos do episódio de Inês de Castro, veja que
perfeita e inequívoca imagem eles compõem:



'Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruito,

Naquele engano d'alma ledo e cego,

Que a fortuna não deixa durar muito (...)'



Feche os olhos, senhor engenheiro, vá lá, feche os olhos. Não consegue
ver, perfeitamente desenhado e com uma nitidez absoluta, o rosto
branco e delicado de Inês de Castro, os seus longos cabelos soltos
pelas costas, o corpo adolescente, as mãos investidas num qualquer
bordado, o pensamento distante, vagueando em delícias proibidas no
leito do príncipe? Não vê os seus olhos que de vez em quando escapam
às linhas do bordado e vão demorar-se na janela, inquietos de saudade,
à espera de ver D. Pedro surgir a galope na linha do horizonte? E
agora, se se concentrar bem, não vê uma nuvem negra a pairar sobre
ela, não vê o prenúncio do sangue a escorrer-lhe pelos fios de cabelo?
Não consegue ver tudo isto apenas nestes quatro versos?

Pois eu acho estes quatro versos belíssimos, de uma simplicidade
arrebatadora, de uma clareza inesperada. É poesia, senhor engenheiro,
é poesia! Da mais nobre, grandiosa e magnífica que temos na nossa
História. Não ouse menosprezá-la. Não incite ninguém a desrespeitá-la.



Bem, admito que me perdi em divagações em torno da Inês de Castro. O
que eu queria mesmo era tentar perceber porque carga de água o Velho
do Restelo desapareceu assim. Será precisamente por estimular a
diferença de opiniões, por duvidar, por condenar? Sabe, não tarda
muito, o episódio da Ilha dos Amores será também excluído dos
conteúdos programáticos por 'alegado teor pornográfico' e o de Inês de
Castro igualmente, por 'incitamento ao adultério e ao desrespeito pela
autoridade'.

Como é, senhor engenheiro? Voltamos ao tempo do 'lápix' azul?



E já agora, voltando à questão do rigor e da disciplina, da entrega e
da emoção: o senhor engenheiro tem ideia de quanta entrega e de quanta
emoção Luís de Camões depôs na sua obra? E, por outro lado, o senhor
engenheiro duvida da disciplina e do rigor necessários à sua
concretização? São centenas e centenas de páginas, em dezenas de
capítulos e incontáveis estrofes com a mesma métrica, o mesmo tipo de
rima, cada palavra escolhida a dedo... o que implicou tudo isto senão
uma carga infinita de disciplina e rigor?





Senhor engenheiro José Sócrates: vejo que acabo de confiar o meu
filho ao sistema de ensino onde o senhor montou a sua barraca de circo
e não me apetece nada vê-lo transformar-se num palhaço. Bem, também
não quero ser injusta consigo. A verdade é que as coisas já começaram
a descarrilar há alguns anos, mas também é verdade que você está a
sobrealimentar o crime, com um tirinho aqui, uma facadinha ali, uma
desonestidade acolá.



Lembro-me bem da época em que fiz a minha recruta como jornalista e
das muitas vezes em que fui cobrir cerimónias e eventos em que você
participava. Na altura, o senhor engenheiro era Secretário de Estado
do Ambiente e andava com a ministra Elisa Ferreira por esse Portugal
fora, a inaugurar ETAR's e a selar aterros. Também o vi a plantar
árvores, com as suas próprias mãos. E é por isso que me dói que agora,
mais de dez anos depois, você esteja a dar cabo das nossas sementes e
a tornar estéreis os solos que deveriam ser férteis.



Sabe, é que eu tenho grandes sonhos para o meu filho. Não, não me
refiro ao sonho de que ele seja doutor ou engenheiro. Falo do sonho de
que ele respeite as ciências, tenha apreço pelas artes, almeje a
sabedoria e valorize o trabalho. Porque é isso que eu espero da
escola. O resto é comigo.



Acho graça agora a ouvir os professores dizerem sistematicamente aos
pais que a família deve dar continuidade, em casa, ao trabalho que a
escola faz com as crianças. Bem, se assim fosse eu teria que ensinar o
meu filho a atirar com cadeiras à cabeça dos outros e a escrever as
redacções em linguagem de sms. Não. Para mim, é o contrário: a escola
é que deve dar continuidade ao trabalho que eu faço com o meu filho.
Acho que se anda a sobrevalorizar o papel da escola. No meu tempo, a
escola tinha apenas a função de ensinar e fazia-o com competência e
rigor. Mas nos dias que correm, em que os pais não têm tempo nem
disposição para educar os filhos, exige-se à escola que forme o seu
carácter e ocupe todo o seu tempo livre. Só que infelizmente ela tem
cumprido muito mal esse papel.



A escola do meu tempo foi uma boa escola. Hoje, toda a gente sabe que
a minha geração é uma geração de empreendedores, de gente criativa e
com capacidade iniciativa, que arrisca, que aposta, que ambiciona. E
não é disso que o país precisa? Bem sei que apanhámos os bons ventos
da adesão à União Europeia e dos fundos e apoios que daí advieram, mas
isso por si só não bastaria, não acha? E é de facto curioso: tirando o
Marco cigano, que abandonou a escola muito cedo, e a Fatinha que
andava sempre com ranhoca no nariz e tinha que tomar conta de três
irmãos mais novos, todos os meus colegas da primária fizeram alguma
coisa pela vida. Até a Paulinha, que era filha da empregada (no meu
tempo dizia-se empregada e não auxiliar de acção educativa, mas,
curiosamente, o respeito por elas era maior), apesar de se ter ficado
pelo 9º ano, não descansou enquanto não abriu o seu próprio Pão Quente
e a ele se dedicou com afinco e empenho. E, no entanto, levámos
reguadas por não sabermos de cor as principais culturas das
ex-colónias e éramos sujeitos a humilhação pública por cada erro
ortográfico. Traumatizados? Huuummm... não me parece. Na verdade,
senhor engenheiro, tenho um respeito e uma paixão pela escola tais
que, se tivesse tempo e dinheiro, passaria o resto da minha vida a
estudar.



Às vezes dá-me para imaginar as suas conversas com os seus filhos (nem
sei bem se tem um ou dois filhos...) e pergunto-me se também é válido
para eles o caos que o senhor engenheiro anda a instalar por aí.
Parece que estou a ver o seu filho a dizer-lhe: ó pai, estou com
dificuldade em resolver este sistema de três equações a três
incógnitas... dás-me uma ajuda? E depois, vejo-o a si a responder com
a sua voz de homilia de domingo: não faz mal, filho... sabes escrever
o teu nome completo, não sabes? Então não te preocupes, é
perfeitamente suficiente...

Vendo as coisas assim, não lhe parece criminoso o que você anda a fazer?



E depois, custa-me que você apareça em praça pública acompanhado da
sua Ministra da Educação, que anda sempre com aquele ar de infeliz, de
quem comeu e não gostou, ambos com o discurso hipócrita do mérito dos
professores e do sucesso dos alunos, apoiados em estatísticas cuja
real interpretação, à luz das mudanças que você operou, nos apresenta
uma monstruosa obscenidade. Ofende-me, sabe? Ofende-me por me tomar
por estúpida.

Aliás, a sua Ministra da Educação é uma das figuras mais
desconcertantes que eu já vi na minha vida. De cada vez que ela fala,
tenho a sensação que está a orar na missa de sétimo dia do sistema de
ensino e que o que os seus olhos verdadeiramente dizem aos pais deste
Portugal é apenas 'os meus sentidos pêsames'.



Não me pesa a consciência por estar a escrever-lhe esta carta. Sabe, é
que eu não votei em si para primeiro-ministro, portanto estou à
vontade. Eu votei em branco. Mas, alto lá! Antes que você peça ao seu
assessor para lhe fazer um discurso sobre o afastamento dos jovens da
política, lembre-se, senhor engenheiro: o voto em branco não é o voto
da indiferença, é o voto da insatisfação! Mas, porque vos é
conveniente, o voto em branco é contabilizado, indiscriminadamente,
com o voto nulo, que é aquele em que os alienados desenham macaquinhos
e escrevem obscenidades.



Você, senhor engenheiro, está a arriscar-se demasiado. Portugal está
prestes a marcar-lhe uma falta a vermelho no livro de ponto. Ah...
espere lá... as faltas a vermelho acabaram... agora já não há
castigos...



Bem, não me vou estender mais, até porque já estou cansada de repetir
'senhor engenheiro para cá', 'senhor engenheiro para lá'. É que o meu
marido também é engenheiro e tenho receio de lhe ganhar cisma.



Esta carta não chegará até si. Vou partilhá-la apenas e só com os meus
E-leitores (sim, sim, eu também tenho os meus eleitores) e talvez só
por causa disso eu já consiga hoje dormir melhor. Quanto a si, tenho
dúvidas.



Para terminar, tenho um enorme prazer em dedicar-lhe, aqui, uma
estrofe do episódio do Velho do Restelo. Para que não caia no
esquecimento. Nem no seu, nem no nosso.



'A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias? '





Atenciosamente e ao abrigo do artigo nº 37 da Constituição da
República Portuguesa,

Uma mãe preocupada



A autora desta carta abriu um blogue com o seguinte endereço:

http://maepreocupada.blogspot.com/

Não deixem de o visitar.

Sexta-feira, Outubro 17, 2008

PARA SORRIR

Vim aqui num dos raros momentos que tenho livres para vir ao PC, para agradecer a todas as minhas amigas, e amigos, as suas palavras amigas e solidárias. Estou a fazer os possíveis para poder acabar a história da Ana Lúcia, que vocês já nem devem saber quem é.

Para amenizar um pouco, deixo aqui uma anedotazinha que estava no meu mail e que só agora li. Compartilho convosco, e espero que ninguém se sinta chocado. Eu não fiquei e sou católico.



Num banquete, sentaram um padre católico ao lado de um rabino judeu.
O padre, querendo gozar o rabino, enche o prato com pedaços de um suculento
leitão e depois oferece para o 'colega'.


O rabino recusa, dizendo:
- Muito obrigado, mas...não sabe que a minha religião não permite a carne de porco?
- Noooossa! Que religião esquisita! Comer leitão é uma delííícia!
-Comenta o padre com ironia.


Na hora da despedida, o rabino chega e diz ao padre:
- Mande minhas recomendações a sua mulher!
E o padre, horrorizado:
- Minha mulher? Não sabe que a minha religião não permite casamento de sacerdotes?


- Noooossa! Que religião esquisita! Comer mulher é uma delííícia!... mas se você prefere leitão...!

Terça-feira, Setembro 30, 2008

UMA EXPLICAÇÃO

A Todas as minhas amigas e amigos que têem tido a amabilidade de me visitar neste cantinho, quero pedir desculpa pela minha ausêncoa forçada por problemas de saúde de um familiar muito chegado. Peço desculpatambém por não vos ter retribuido as visitas, mas creiam que não é por desinteresse que o tenho feito. Espero, em breve, retomar a história da Ana Lúcia, e começar a visitar-vos a todas(os).

Obrigado pela voss amizade, que muito me tem sensibilizado.

Beijos e abraços distribuidos convenientemente.

Domingo, Setembro 21, 2008

EUFORIA?

Notícia na primeira página do jornal "Correio da Manhã" de hoje.

" Líder do PS, recebido em euforia por milhares de militantes"

Comentário:

Este povo está louco? Euforia porquê? Por este país estar a bater no fundo por obra e graça do Sr. Sócrates e os seus ministros? Por a pobreza estar a alastrar e a riqueza a concentrar-se nas mãos de uns quantos? Por haver de novo fome em Portugal?, (curiosamente quando isso aconteceu da última de forma significativa foi durante um governo socialista. Recordam-se do distrito de Setúbal?), etc. etc. etc.

Esta notícia que, muitos poderão achar que é motivo para rir, a mim dá-me vontade de chorar, e fez-me recordar uma pequena história que li há alguns anos atrás. Era assim:

Dois homens conversavam e um deles disse para o outro:

- Sabes que, para além do homem, a hiena é o único animal que ri?

- A hiena não é o animal que come os seus próprios dejectos? Pergunta o outro.

- Sim, é.

- Então ri de quê?

É o caso.

Sexta-feira, Setembro 19, 2008

NOVO INTERLÚDIO

Enquanto não chega o próximo episódio da Ana Lúcia,(está demorado, não é?), deixo aqui mais um momento de boas disposição, que uma amiga teve a amabilidade de me enviar. Espero que se divirtam, e podem dar ao político a cara que entenderem. Eu já o fiz.


Este mail é dos melhores registos de língua portuguesa que tenho lido
sobre a nossa digníssima 'língua de Camões', a tal que tem fama de ser
pérfida, infiel ou traiçoeira. Divirtam-se!!
Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade,
subiu para o palanque e começou o discurso:
- Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados,
reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou
assunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida ou de
morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta
é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmara
deste Município.
De repente, uma pessoa do público pergunta:
- Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para
dizer a mesma coisa?
O candidato respondeu:
- Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível
cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para
pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que
estão aqui; A terceira palavra é para pessoas que têm um nível
cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele alcoólico, ali
deitado na esquina.
De imediato, o alcoólico levanta-se a cambalear e
respondeu:
- Senhor postulante, aspirante ou candidato: (hic) o facto,
circunstância ou razão pela qual me encontro (hic) num estado etílico,
alcoolizado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer que
o meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasca (hic). E
com todo a reverência, estima ou respeito que o senhor me merece (hic)
pode ir agrupando, reunindo ou juntando (hic) os seus haveres, coisas
ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir direitinho (hic) à
leviana da sua progenitora, à mundana da sua mãe biológica ou à puta
que o pariu!

Quarta-feira, Setembro 03, 2008

ANA LÚCIA (2ª Parte)


UM ENTARDECER DE SONHO


Vinte e dois anos mais tarde…

Enquanto o sol desce lentamente e prepara o mergulho nas águas oceânicas, o extenso areal da Praia Grande vai ficando praticamente deserto de banhistas que, apesar da temperatura amena que se faz agora sentir depois de um dia de calor escaldante, vão debandando à medida que os ponteiros do relógio avançam para a hora de jantar. Apenas alguns resistentes optam por usufruir de mais alguns momentos da tranquilidade e do prazer de um final de tarde esplêndido, e simulâneamente admirar um pôr-do-sol verdadeiramente majestoso.

O astro-rei, depois de na sua caminhada para o acaso ter incendiado o céu, vai agora dourando o oceano onde dentro de alguns minutos mergulhará serenamente para dar lugar à penumbra que por sua vez anuncia a aproximação da noite. Para poder desfrutar melhor do encanto desses momentos mágicos ergue-se da areia o corpo escultural de uma mulher que, se dirige calmamente para a beira-mar, onde ficou imóvel a contemplar um dos mais soberbos espectáculo que a natureza é capaz de oferecer. Aquela silhueta elegante desenhada em contra-luz no fundo alaranjado de um céu em fogo, torna o quadro ainda mais deslumbrante congregando em si, após o sol ter desaparecido no mar, os olhares dos poucos banhistas que ainda se mantêem na praia.

Aquela mulher estupenda manteve-se quieta e contemplativa até a enorme bola de fogo desaparecer no horizonte, para depois iniciar uma caminhada descontraída ao longo do areal, aproveitando, aqui e além, para mergulhar nas ondas hoje menos frias do que é habitual nesta praia. Ana Lúcia, pois é dela aquela silhueta esbelta que passeia na praia, entrou já na casa dos 40 e é agora uma mulher madura no auge dos seus atributos físicos e mentais, emocionalmente estável, detentora de uma auto-estima notável, experiente, esclarecida e segura de si. Divorciada há 12 anos após um casamento atribulado, recheado de mentiras e infidelidades, vitíma de constantes agressões psicológicas, chegou mesmo a sentir no corpo a dor da violência física. Aconteceu apenas uma vez, a primeira e única vez, porque no dia seguinte a ter sido agredida, pegou no filho, fez as malas e foi para casa dos pais. Hoje considera que as bofetadas que então tanto a magoaram, mais anímica do que físicamente, foram uma das melhores coisas que lhe podiam ter acontecido na vida, pois fizeram-na abrir os olhos, ter um assomo de coragem e dignidade e de uma vez por todas encerrar um capítulo negro da sua vida.

(Continua)

Terça-feira, Setembro 02, 2008

INTERLÚDIO

Enquanto não chega um novo capítulo da Ana Lúcia, que está mesmo a cair, aqui vai uma anedota para alegrar as hostes na hora do regresso ao trabalho.

Dois guardas da GNR, na berma da estrada, vêem passar um tipo a mais de 120.
Diz um para o outro.
"Aquele não é o fulano a quem apreendemos a carta a semana passada por
excesso de velocidade?"
"Era pois!" – respondeu o segundo
"Vamos caçá-lo!"
Uns kms mais adiante, já com o tipo parado, um dos GNR, chega-se ao pé dele e
pergunta-lhe:
"A sua carta de condução?...."
"Mau! " – responde o mânfio
"Não me digam que a perderam

Sexta-feira, Agosto 22, 2008

ANA LÚCIA



PREÂMBULO

O CASAMENTO

Magnífica no seu vestido branco, Ana Lúcia entrou na igreja pelo braço do pai que a conduziu até ao altar deixando-a ao lado do homem que a partir daquele dia passaria a ser seu marido. Com a cabeça povoada de sonhos, a sua face, através da transparência do véu, deixava antever a imensa felicidade que a invadia naquele momento. A seu lado estava aquele que ela considerava o seu principe encantado, o homem com quem a partir daquele dia iria partilhar a casa, a cama, o corpo e a vida. Ali, aos pés do altar, perante o padre, os convidados e principalmente perante Deus, iriam ambos prometer que se amariam para sempre, que seriam fiéis um ao outro e que se manteriam unidos nos momentos felizes e nas adversidades, até ao fim dos seus dias. Ana Lúcia iria afirmá-lo convictamente dentro em pouco e acreditava que o noivo o iria fazer também.

Como acontece com quase todas as noivas, Ana Lúcia estava a viver o momento mais feliz da sua vida. Amava profundamente aquele homem que sairia daquela igreja como seu esposo e não conseguiu evitar que uma lágrima rebelde lhe rolasse pela face quando o ouviu pronunciar o sim, de forma bem audível. Não tinha naquele momento qualquer dúvida que ele a iria fazer muito feliz. Com ele iria partilhar a partir daquela noite a sua intimidade, seria ele o pai dos seus filhos, o companheiro fiel e dedicado, o amante devotado e marido extremoso. Foi com esta certeza que pronunciou, sem hesitar, o sim que os iria unir até ao fim dos seus dias. A diferença de idades, ela era vinte anos mais nova, nunca a preocupou, tão certa que estava que a experiência do marido seria para ela uma garantia de segurança. Com ele a seu lado sentia-se confiante. O futuro sorria-lhe.

Terminada a cerimónia, saíu da igreja com um sorriso tão radioso que não deixava dúvidas a ninguém que ela se sentia nesse momento a mulher mais feliz do mundo. Agora esperava ansiosamente que a noite chegasse depressa para finalmente iniciar a sua lua de mel, que antevia maravilhosa.

(Continua)

Domingo, Agosto 03, 2008

O MEU MUNDO



À minha volta
A vozearia,
A barafunda ,
O egoísmo,
A violência ,
A hipocrisia,
A marginalidade.

Olho em redor,
E vejo o caos.

Desgosto-me,
Defendo-me…
E fujo.

Refugio-me no mundo
Que imaginei
Só para mim.

Sou um eremita.


Gui

Agosto/2008

Sexta-feira, Agosto 01, 2008

UMA EXPLICAÇÃO

Resolvi retirar todas as imagense deste blogue para não ter problemas com questões que se podem prender com direitos de autor. Sou director de um clube desportivo que se vê agora confrontado com um pedido de pagamento de 1.000 por alegadamente ter colocado no seu site uma imagem protegida por direitos de autor. Para evitar que um dia venha a ter uma surpresa desagradável resolvi só colocar aqui fotografias da minha autoria. A imagem do cabeçalho foi mudada por esse motivo. Entre o apagar o blogue e despi-lo das imagens que tinha optei pela segunda hipótese. Tenho pena.

Domingo, Julho 20, 2008

EIS O PAÍS DO SÓCRATES... QUE NÃO O MEU.

Recebi este texto através de um mail enviado por uma boa amiga. Como aqui só estão escritas verdades decidi postá-lo. Será que há alguém que discorde? Duvido muito.


A HIPER-ANEDOTA em que se transformou Portugal...


- Na escola um professor é agredido por um aluno. O professor nada pode fazer, porque a sua progressão na carreira está dependente da nota que dá ao seu aluno.


- Um jovem de 18 anos recebe €200 do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma €236 depois de toda uma vida de trabalho.


- Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.


- O Estado que queria gastar 6 mil milhões de euros no novo Aeroporto recusa-se a baixar impostos, porque não tem dinheiro.



- Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas, existe 1 polícia para cada 2000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.


- Numa empreitada pública, os trabalhadores são todos imigrantes ilegais, que recebem abaixo do salário mínimo e o Estado não fiscaliza.


- Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é das causas sociais.


- Um polícia bate num negro: é uma atitude racista. Um bando de negros mata 3 polícias: não estão inseridos na sociedade.


- O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados. No Fórum Montijo o WC da Pizza Hut fica a 100 mts e nem tem local para lavar mãos.


- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga o ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos).



- O Ministério do Ambiente incentiva o uso de meios alternativos ao combustível. No edifício do Ministério do Ambiente não há estacionamento para bicicletas, nem se sabe de nenhum ministro que utilize bicicleta.


- Nas prisões é distribuído gratuitamente seringas por causa do HIV, mas como entra droga nas prisões?


- No exame final de 12º ano és apanhado a copiar, chumbas o ano: O sr.Primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por fax e é engenheiro.


- Um jovem de 14 mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal. Um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica.


- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem. Não pagas as finanças a tempo e horas, passado um dia já estas a pagar juros.


- Fechas a janela da tua varanda e estas a fazer uma obra ilegal.
Constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.


- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num oficio respeitável, é exploração do trabalho infantil. Se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe.


- Paguei 0.50€ por uma seringa na farmácia para dar um medicamento ao meu filho, mas se fosse drogado, não pagava nada.


É assim, está tudo dito!!! E viva a selecção nacional, que o povo quer é bola!!!

Segunda-feira, Julho 14, 2008

PARECE QUE É UMA ESPÉCIE DE POEMA

Num post recente quis agradecer a uma amiga por um gesto que demonstrou o carinho e a grande amizade que faz o favor de me dispensar. Hoje vou postar uma espécie de poema, mal alinhavado é certo, que lhe dediquei e que tive a ousadia de lhe enviar. Resolvi postá-lo, embora ele seja pessoal, de certa forma para responder a uma amiga que fez o favor de me visitar aqui e gostaria de saber qual foi o gesto que tanto me sensibilizou. Penso que agora não é difícil de adivinhar.



Aqui no ponto mais alto da serra mítica
Onde o monte e a lua se beijam quando a noite cai
Eu, alheado do mar de encanto que se estende a meus pés,
Não consigo pensar em mais nada a não ser em ti.

Sinto no ar o teu perfume a envolver a serra,
O aroma da amizade que derramaste com a tua oração,
Que rezaste, à tua maneira,
Quando numa tarde de Abril ainda recente
Decidiste percorrer os mesmos caminhos que eu trilhei mil vezes,

Sabias que eles são o refúgio
Que procuro quando preciso olhar para dentro de mim,
Recordar alegrias passadas,
Encher a alma com otrinar dos pássaros,
Com o canto das águas a correr nas fontes,
Ou apenas com o leve murmúrio das folhas da árvores
A dançar ao ritmo de um vento mansinho.

O teu perfume permanece intacto,
Mais intenso a cada dia que passa.
É um perfume que resiste à chuva, ao vento e ao tempo,
E que não se dissipa por acção de qualquer tempestade.

Nessa tarde de Abril, sabendo que não me virias aqui encontrar
Quiseste cá vir para estar comigo.
Não sei se tu sabes, mas, nesse dia, eu caminhei a teu lado
Nesse passeio solidário que fizeste por mim.
Hoje aqui no alto da serra, tu não sabes, mas estás sentada comigo,
No ponto mais alto da serra mítica,
Nesta rocha onde em tempos existiu uma cruz,
Que um raio destruíu, e a incúria dos homens mantêm ausente.
Deixamos que o vento forte nos açoite a face,
Olhamos a planície extensa que desagua no mar,
E no íntimo esperamos que a noite chegue depressa
Na esperança de ver a Lua chegar
Para viver com o monte mais uma noite de amor.

Um amor que começou desde que há Lua e há serra,
Ali, lado a lado, com a nossa Amizade, que é bem mais recente,
Mas que espero que dure enquanto vivermos.

É este o fascínio e a magia da serra
Que no seu seio, torna tudo mais belo, mais autêntico e mais puro.
Aqui vive-se intensamente o amor.
Aqui nasce, cresce e fortalece a AMIZADE.

Segunda-feira, Julho 07, 2008

ANDAM A BRINCAR COM O NOSSO DINHEIRO.

Recebi hoje por mail este texto. Porque concordo totalmente com o seu conteúdo e porque esta "tropa fandanga" que nos desgoverna não contente por andar a atacar os cidadãos mais carenciados, pretende ainda brincar com o nosso dinheiro em magalomanias resolvi divulgá-lo neste blog. É tempo de parar, pensar e dizer basta. Não foram estes senhores que tanto atacaram a construção do Centro Cultural de Belém? Não são eles que agora pretendem ampliá-lo com mais dois módulos, um hotel de luxo e um espaço para exposições, talvez para compensar o espaço que ficou ocupado permanentemente com a colecção Berardo. Será que o sr. Comendador vai pagar o preço desse módulo?


Travar, para pensar!


Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de combóio. Comprado o
bilhete, dá consigo num combóio que só se diferencia dos nossos Alfa
por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos
passageiros.

A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de
vista, demorou cerca de cinco horas.

Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria
comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites
orçamentais seriam mesmo uns tontos.

Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes
recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.

A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu
Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e
jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de
apoio à terceira idade.

Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque
não constroem aeroportos em cima de pântanos, nem optam por ter comboios
supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.

O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde
o combóio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por
passageiro, competitivo com o transporte aéreo.

É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que
fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com
pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que
não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros
países ricos.

Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de
cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à
economia do País.

Para além de que, dado hoje ser um projecto, praticamente, não
financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias
gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira,
o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se mil escolas Básicas e
Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil
obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada
uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma),
mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros
cada um).

Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em
muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a
degradada rede viária secundária.

Cabe ao Governo, reflectir!Cabe à Oposição, contrapor

Sexta-feira, Junho 27, 2008

TRIBUTO À AMIZADE

Faz hoje dois meses, uma amiga, que eu não conheço pessoalmente, ofereceu-me uma grande, bonita e original prova de amizade, para além da força com sempre me encorajou para enfrentar um momento complicado. Foi um gesto lindíssimo que nunca esquecerei e que ficará para sempre ligado na minha memória a esse dia que foi um dos mais difíceis da minha vida. Um beijo grande e obrigado por seres minha amiga.

RECTIFICAçÃO: Peço desculpa mas este post deveria ser publicado no dia 28 e não a 27. Foi um lapso da minha parte que já não sei a quantas ando.

Terça-feira, Junho 10, 2008

AS BANDEIRAS

O País voltou a ficar inundado de bandeiras de Portugal e de cachecóis da selecção nacional de futebol. Voltàmos quase todos a ficar inchados de orgulho pelo facto de sermos portugueses, e esquecemos as agruras da vida e da realidade que nos põe na cauda da Europa em quase tudo quanto seja positivo. Só ocupamos os primeiros lugares nos aspectos negativos e condenáveis. Mas apesar disso os portugueses estão contentes. Milagres do futebol.

Eu não tenho nenhuma bandeira hasteada nem no carro nem na varanda ou na janela, nem sequer no coração.Pode parecer censurável que o diga, mas esta afirmação tem a sua razão de ser. Gosto de futebol, mas o futebol é para mim, apenas um espectáculo desportivo, um divertimento que dura 90 minutos. Durante essa hora e meia talvez eu esqueça a miséria que cada vez mais grassa neste país,mas terminado o jogo não há vitória que me faça esquecer da triste realidade que é Portugal neste momento.

Enquanto houver crianças a passar fome, frio e a sofrer maus tratos, enquanto houver idosos abandonados sem dinheiro para comer nem para comprar os medicamentos de que necessitam, enquanto a criminalidade aumentar sem vermos tomar medidas eficazes para a combater, enquanto houver centenas de milhar de portugueses sem trabalho, enquanto não houver saúde e educação de qualidade para todos, enquanto os ricos ficarem cada vez mais ricos e houver cada vez mais pobres e fome alastrar neste país, e enquanto este cantinho à beira-mar plantado não passar não passar de um sítio mal frequentado não terei orgulho nenhum na minha nacionalidade nem hastearei nenhuma bandeira de Portugal. Nunca o farei por folclore por muitos golos que a selecção de futebol marque.

Se um dia este sítio passar a ser de facto um país a sério, bem frequentado, credível, justo e bem governado por políticos verdadeiros e competentes, quando a saúde de qualidade estiver disponível para todos e todos tiverem emprego, quando todos tiverem que dinheiro para se tratar e alimentar, quando todos tiverem as mesmas oportunidades, quando houver maior justiça social, quando sentirmos que é possível viver em segurança neste país, então eu talvez não coloque nenhuma bandeira de Portugal no carro nem na janela, mas seguramente tê-la-ei no meu coração. Mesmo que a selecção de futebol perca todos os jogos.

Quarta-feira, Junho 04, 2008

O EUCALIPTO

O EUCALIPTO E A FLORESTA


Em tempos já foi uma bonita floresta, verde, frondosa e aprazível onde era possível admirar uma enorme variedades de árvores de todos os tipos e tamanhos que cresciam ao ritmo lento que a natureza estabelece. Havia ali árvores quase gigantescas, lado a lado com outras mais delgadas e franzinas de acordo com as características da sua espécie, e com a riqueza da terra onde se enraizaram; na terra boa e junto de nascentes e regatos as raízes cresciam, fortaleciam-se e iam ocupando o terreno disponível sem no entanto impedir que outras raízes de outras árvores compartilhassem com elas da mesma terra e da mesma água, e todas elas iam aumentando o seu porte e a sombra que proporcionavam. Outras que haviam nascido em terra menos generosa, muitas vezes em terreno rochoso e onde a água não abundava tinham mais dificuldade em se desenvolverem ficando pequenas, delgadas e com copas menos exuberantes, mas todas elas tinham, em maior ou menor quantidade, um quinhão de terra para se enraizarem e água para alimentarem a sua seiva. Não era uma floresta onde houvesse grande justiça já que nem todas as árvores tinham as mesmas oportunidades de desenvolvimento, mas todas tinham pelo menos os nutrientes mínimos para garantirem a sua sobrevivência. A vida na floresta decorria com serenidade enquanto as árvores cresciam e se iam metamorfoseando dentro dos tempos próprios impostos pela natureza. E assim a floresta adensava-se, expandia-se e estava cada vez mais frondosa, mais aprazível e mais bonita.

Um dia, porém, alguém se lembrou de plantar ali um eucalipto que mal se instalou começou de imediato a invadir, com as suas raízes, o território das árvores vizinhas. O eucalipto achou que a expropriação do terreno alheio não era suficiente para satisfazer a sua ambição e a sua sede de expansão e começou também a roubar-lhes a água. Em pouco tempo as suas raízes tinham-se fortalecido e espalhado já por enorme área sempre à procura de água que parecia nunca chegar para lhe mitigar a sede. A seguir a ele surgiu outro eucalipto, depois mais outro, e mais outro, e muitos outros ainda. Em seu redor o que antes da sua chegada era um terreno fértil e húmido depressa se transformou em terra seca e árida. As outras árvores, privadas do seu quinhão de terra e da água que necessitavam, começaram a definhar e apenas os eucaliptos progrediam a olhos vistos. Estavam já grandes e “gordos”. Em pouco tempo a floresta verdejante, diversificada e frondosa que já fora, acabou por se transformar num eucaliptal seco, feio e parasita. Para disfarçar a sua acção destruidora os eucaliptos lançavam para ao ar um aroma agradável fazendo constar que a sua presença ali tornava o ar mais puro e saudável, mas esse aroma e o boato que espalharam tinham apenas como objectivo disfarçar os malefícios que a sua presença na floresta causava às outras árvores e convencê-las que lhes deviam estar agradecidas pelo previlégio de as ter ali como vizinhas e pelos benefícios que a sua presença ali trazia para toda a floresta. Muitas das árvores não compreenderam de imediato o logro em que estavam a cair e agradeciam aos eucaliptos a sua generosidade e a dádiva que lhes ofereciam, mesmo sabendo que eles lhes estavam a roubar a água e a fazer definhar as suas raízes. Estavam cega, e quando compreenderam o logro já era tarde. A floresta, tal como tinha sido, bonita, frondosa e aprazível não existia mais, em seu lugar existe hoje um eucaliptal. As milhares de árvores viçosas e de farta ramagem bem verde foram substituídas por algumas centenas de eucaliptos vorazes e impiedosos. Apoderaram-se dos terrenos e da água e fizeram definhar a floresta. Hoje é apenas um eucaliptal, feio, seco e parasita. Amanhã, quando o lenhador o derrubar a golpes de machado ficará apenas um deserto, desoladoramente árido.

PS: O eucalipto desta história tem um nome que todos bem conhecemos. Quem adivinha qual é?

Sábado, Maio 24, 2008

NUNCA É TARDE DEMAIS

Realizador: Adam Brooks
Intérpretes: Ryan Reinolds; Na Neguyen; Mattew Mason
Género: Comédia/Drama Idade: M/12 anos Duração: 1 h 52 m


Alguns dos leitores habituais desta rubrica, (se é que os há), talvez esperassem ver aqui comentado este mês um dos filmes recentemente galardoados com Oscares da Academia de Holywood. Era essa de facto a minha intenção até ter assistido à projecção de “ Para Sempre. Talvez…” um filme simples, leve e despretensioso, realizado apenas com a intenção de divertir e sem qualquer veleidade de conquistar prémios. É um daqueles filmes geralmente catalogados como comédia-romântica, género de cinema que os críticos adoram arrasar e que para os cinéfilos mais pretensiosos é sinónimo de mediocridade. Respeito a opinião, mas discordo completamente.

Não considero que este tipo de filmes tenha obrigatóriamente de ser mau, (é falsa a ideia de que para ter qualidade um filme deve ser complexo, de leitura difícil e, principalmente, que seja controverso), e este filme de Adam Brooks, “PARA SEMPRE. TALVEZ…” é mais um exemplo a reforçar essa minha convicção. Os bons e os maus filmes não dependem da “cor” com que são “pintados”, os bons em tons de negro, os maus de cor-de-rosa. Não, a qualidade de um filme, para além da competência da realização e dos desempenhos dos actores, têm muito a ver com a honestidade com que o argumento é tratado. Como já por várias vezes escrevi é possível extrair de todos os filmes uma lição e um tema para meditar, basta apenas que queiramos e sejamos capazes de “ler” o filme para além das imagens que o realizador nos oferece. Considero que cada filme tem tantas leituras possíveis quantos forem os espectadores a vê-lo, mesmo quando é evidente a mensagem que o realizador pretende fazer passar. O fascínio do cinema reside muito na possibilidade que o espectador tem de transformar uma má história num bom argumento, se estiver disposto a pensar um pouco.


Will, em processo de divórcio, vê-se confrontado com o pedido da filha Maya de 10 anos, para que lhe conte como foi que ele e a mãe se conheceram. Confusa e perturbada com a separação dos pais acredita que conhecendo o passado dos progenitores poderá compreender
melhor os motivos que estiveram na origem do falhanço do seu casamento. Will pretende fugir ao interrogatório e tenta adiar as respostas, mas perante a insistência da garota acedeu ao seu pedido, com uma condição, ele não omitirá nenhum pormenor do seu passado a não ser o verdadeiro nome das três mulheres que se cruzaram na sua vida. Maya terá, por sua vez, que descobrir qual delas acabou por ser a sua mãe. A partir daí Will relata à filha todo o seu percurso, da faculdade até ao casamento, desde o Wiscosin a Nova Iorque, da campanha de eleitoral de Bill Clinton, para quem trabalhou, até às mulheres com quem se relacionou, e ao casamento com Emily. Qual delas seria a mãe de Maya? A garota ouve atentamente o relato do pai e acabapor decifrar o enigma, mas descobre também alguma coisa mais…

Um argumento simples como se percebe, mas que fala de coisas importantes. Fala-nos de divórcio e dos traumas que ele inevitavelmente provoca nas crianças que veem o seu lar desfeito e desfeita também a sua estabilidade emocional, mas fala-nos também de amor e da incapacidade que por vezes temos em descobri-lo. Dizia-se antigamente quando se falava de casamentos que cada tacho tem a sua tampa. É verdade, a dificuldade por vezes é encontrar a tampa que se ajuste às medidas do tacho. É também assim com o amor, existe algures para cada um de nós a pessoa que se ajusta à nossa “medida”, a dificuldade está , muitas vezes em encontrá-la. Will não conseguiu mas a filha descobriu-a por ele. Sempre valeu a pena ter-lhe contado a sua história.

A verdade é que hoje em dia muitos jovens decidem casar-se sem ponderarem minimamente a sua compatibilidade, e também não é menos verdade que muitos casais se decidem pelo divórcio à primeira contrariedade sem fazer uma tentativa séria para salvar o casamento. Está calculado que 50% dos casamentos termina em divórcio. Porquê? Talvez porque não haja o cuidado de procurar a tampa certa para cada tacho.


( Comentário publicado no jornal Cruz Alta de Maio de 2008)

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Após uma longa ausência por motivos de saúde regressei agora ao computador. Sujeito a uma delicada operação cirúrgica e após um pequeno percalço as coisas parecem estar agora a melhorar. A recuperação é lenta, requer muita paciência e só agora tive disposição de vir aqui agradecer às minhas amigas a força que me transmitiram e a prova de amizade que me deram.

Agora com um pouco de tempo passarei a visitar-vos nos vossos cantinhos para vos agradecer individualmente a atenção que têm tido comigo. OBRIGADO A TODAS.

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UMA AFIRMAÇÃO COM MAIS DE UM SÉCULO:

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...'

Guerra Junqueiro escrito em 1886

Sábado, Abril 26, 2008

PARA SEMPRE TALVEZ

Filme em Destaque “ PARA SEMPRE. TALVEZ…”
Realizador: Adam Brooks
Intérpretes: Ryan Reinolds; Na Neguyen; Mattew Mason
Género: Comédia/Drama Idade: M/12 anos Duração: 1 h 52 m


Alguns dos leitores habituais desta rubrica, (se é que os há), talvez esperassem ver aqui comentado este mês um dos filmes recentemente galardoados com Oscares da Academia de Holywood. Era essa de facto a minha intenção até ter assistido à projecção de “ Para Sempre. Talvez…” um filme simples, leve e despretensioso, realizado apenas com a intenção de divertir e sem qualquer veleidade de conquistar prémios. É um daqueles filmes geralmente catalogados como comédia-romântica, género de cinema que os críticos adoram arrasar e que para os cinéfilos mais pretensiosos é sinónimo de mediocridade. Respeito a opinião, mas discordo completamente.

Não considero que este tipo de filmes tenha obrigatóriamente de ser mau, (é falsa a ideia de que para ter qualidade um filme deve ser complexo, de leitura difícil e, principalmente, que seja controverso), e este filme de Adam Brooks, “PARA SEMPRE. TALVEZ…” é mais um exemplo a reforçar essa minha convicção. Os bons e os maus filmes não dependem da “cor” com que são “pintados”, os bons em tons de negro, os maus de cor-de-rosa. Não, a qualidade de um filme, para além da competência da realização e dos desempenhos dos actores, têm muito a ver com a honestidade com que o argumento é tratado. Como já por várias vezes escrevi é possível extrair de todos os filmes uma lição e um tema para meditar, basta apenas que queiramos e sejamos capazes de “ler” o filme para além das imagens que o realizador nos oferece. Considero que cada filme tem tantas leituras possíveis quantos forem os espectadores a vê-lo, mesmo quando é evidente a mensagem que o realizador pretende fazer passar. O fascínio do cinema reside muito na possibilidade que o espectador tem de transformar uma má história num bom argumento, se estiver disposto a pensar um pouco.


Will, em processo de divórcio, vê-se confrontado com o pedido da filha Maya de 10 anos, para que lhe conte como foi que ele e a mãe se conheceram. Confusa e perturbada com a separação dos pais acredita que conhecendo o passado dos progenitores poderá compreender
melhor os motivos que estiveram na origem do falhanço do seu casamento. Will pretende fugir ao interrogatório e tenta adiar as respostas, mas perante a insistência da garota acedeu ao seu pedido, com uma condição, ele não omitirá nenhum pormenor do seu passado a não ser o verdadeiro nome das três mulheres que se cruzaram na sua vida. Maya terá, por sua vez, que descobrir qual delas acabou por ser a sua mãe. A partir daí Will relata à filha todo o seu percurso, da faculdade até ao casamento, desde o Wiscosin a Nova Iorque, da campanha de eleitoral de Bill Clinton, para quem trabalhou, até às mulheres com quem se relacionou, e ao casamento com Emily. Qual delas seria a mãe de Maya? A garota ouve atentamente o relato do pai e acabapor decifrar o enigma, mas descobre também alguma coisa mais…

Um argumento simples como se percebe, mas que fala de coisas importantes. Fala-nos de divórcio e dos traumas que ele inevitavelmente provoca nas crianças que veem o seu lar desfeito e desfeita também a sua estabilidade emocional, mas fala-nos também de amor e da incapacidade que por vezes temos em descobri-lo. Dizia-se antigamente quando se falava de casamentos que cada tacho tem a sua tampa. É verdade, a dificuldade por vezes é encontrar a tampa que se ajuste às medidas do tacho. É também assim com o amor, existe algures para cada um de nós a pessoa que se ajusta à nossa “medida”, a dificuldade está , muitas vezes em encontrá-la. Will não conseguiu mas a filha descobriu-a por ele. Sempre valeu a pena ter-lhe contado a sua história.

A verdade é que hoje em dia muitos jovens decidem casar-se sem ponderarem minimamente a sua compatibilidade, e também não é menos verdade que muitos casais se decidem pelo divórcio à primeira contrariedade sem fazer uma tentativa séria para salvar o casamento. Está calculado que 50% dos casamentos termina em divórcio. Porquê? Talvez porque não haja o cuidado de procurar a tampa certa para cada tacho.


(Comentário publicado no jornal Cruz Alta em Abril de 2008) Acesso por www.paroquias-sintra.net)

Não sei quanto tempo este blog vai ficar parado. Depense de como evoluir o meu estado de saúde. Entretanto um beijo para todas a s amigas que me visitarem. Para os amigos um grande abraço.

Sexta-feira, Abril 04, 2008

ATRINTONA E O CINQUENTÃO (EPÍLOGO)

EPÍLOGO

- Boa tarde Joana. – Disse Rui ao entrar em casa saudando a empregada que há muitos anos o aturava com uma paciência de sante.

- Boa tarde senhor doutor. Hoje chegou mais cedo. – Respondeu sorridente a mulher.

- É verdade, tenho trabalho para fazer e vou fechar-me no escritório. Se quiseres podes ir para casa que eu cá arranjo qualquer coisa para comer. Não tenho muita fome hoje.

- Não diga isso. O jantarinho está preparado, é só aquecer. Fiz-lhe um petisco que o senhor doutor aprecia muito: galinha de cabidela, que me diz?

- Digo-te que provavelmente que hoje não vou jantar, mas obrigado na mesma, tu estragas-me com mimos. Mas deixa lá que a cabidela não se estraga, se não fôr hoje como-a amanhã. Mas vai Joana, hoje não preciso mais de ti. Dá lá um abraço ao teu marido. A propósito, como está ele? Há dias que não vejo.

- Cada vez mais resingão. Só eu é que tenho paciência para o aturar. Mas foi aquilo que me saíu na rifa, que hei-de eu fazer?

- Deixa-te disso mulher. Vocês não podem passar um sem o outro, e tu ao que sei também não és nenhuma santa.

- Ah! Ah! – riu Joana com gosto – Quer dizer que o safado já andou a fazer-lhe queixinhas.

- Vai, vai lá ter com ele. Até amanhã, Joana.

- Até amanhã sr. doutor. Não trabalhe até muito tarde. Tenha cuidado com a saúde, a vida não é só trabalho e o descanso é muito importante para o bem estar do corpo e do espírito também.

- Não te preocupes, eu sei cuidar-me. Mas obrigado pelo cuidado, és uma boa amiga. Que seria de mim sem ti, Joana?

- Ora! Ora! O que o senhor doutor precisa é de arranjar uma mulher. Quer dizer mulheres o senhor doutor arranja, mas eu estou a falar de uma companheira, uma mulher que esteja sempre ao seu lado.

- Que sabes tu das mulheres que dizes que eu arranjo, Joana?

- Senhor doutor…eu sou saloia mas não sou parva. Eu bem noto o perfume que por vezes paira nesta casa de manhã quando chego. Há sinais delas por todo o lado, mas faz bem senhor doutor, goze a vida enquanto pode, porque isso não se gasta com o uso, desaparece é com os anos.

Rui não conseguiu conter uma sonoras gargalhada e replicou:

- Só tu, Joana, para me fazeres rir hoje. Mas diz-me, que sabes tu disso, mulher?

- Experiência própria, senhor doutor, experiência própria. Então até amanhã, e durma bem.

- Duvido muito. Até amanhã, Joana.

Quando Joana saíu Rui sentou-se no sofá e ficou imóvel durante muito tempo, preocupado e confuso. A recordação daquela manhã passada com Rute na serra e o almoço na Azoia pusera-o nas nuvens, mas a despedida intempestiva da rapariga sem descortinar o motivo que justificasse aquela atitude estava a confundi-lo. Afinal que mulher era ela? Aquela rapariga meiga e carente que estivera nos seus braços e que percorrera o Parque da Pena de mão dada com ele, ou aquela mulher mal humorada e imprevisível que saira furiosa do seu carro. Que mulher seria ela afinal?

Rui lamentou não ter ficado com o contacto dela. Não sabia o número de telefone, a morada e nem sequer o nome completo. Sentia uma necessidade premente de falar com ela para tentar compreender os motivos que a levaram a enfurecer-se, e esclarecer qualquer mal-entendido que a possa ter levado a reagir daquela forma, mas não tinha qualquer possibilidade de o fazer, e esse facto deixava-o desesperado. Gostava demasiado daquela mulher para pensar sequer em dormir sabendo que havia algo que estava a separá-los. O fim-de-semana iria ser um tormento para ele, porque só na segunda-feira iria ter possibilidade de falar de estar com ela no colégio e então tentar esclarecer todas as dúvidas que pudessem ter surgido na sua cabeça. Na certeza que de momento nada mais poderia fazer, fechou-se no escritório e tentou acrescentar mais algumas páginas ao seu romance. A cabeça fervia-lhe e inesperadamente as ideias começaram a surgir-lhe em catadupa, o que fez que em pouco tempo tivesse já escrito um grande número de páginas. Embalado pela inspiração, e talvez pelo desespero, continuou noite fora até que o cansaço acabou por ser mais forte do que ele. Arrasado física e emocionalmente decidiu deitar-se acabando por adormecer rápidamente, tal o estado de exaustão a que chegara. Já passava das 5 horas da manhã.



Com o toque insistente da campainha da porta Rui acordou sobressaltado, olhou para o relógio e foi com surpresa que constactou que pouco faltava para o meio-dia. O sol, radioso, inundava o quarto com os raios que entravam pela janela que ficara aberta toda a noite. Entretanto a campainha da porta continuava a tocar. Contrariado, levantou-se e foi, cambaleante, e ainda a esfregar os olhos, que se dispôs a ir ver quem tivera a ousadia de o acordar àquela hora da “madrugada”. A ideia de chamar madrugada ao meio-dia fê-lo sorrir e foi com um leve sorriso nos lábios que abriu a porta, Espamtado, nem queria acreditar naquilo que os seus olhos estvam a vêr. Rute estava ali na sua frente, sorridente e linda como sempre. Uma mini-saia bem curta deixava a descoberto aquelas pernas de sonho que ele acaricara na véspera. Ainda estupefacto voltou a esfregar os olhos para se certificar que estava bem acordado. Não havia dúvidas, era mesmo ela, a sua Rute que, radiosa, estava ali à sua frente. Sem dizer palavra e sem dar tempo a que a rapariga falasse apertou-a nos braços e beijou-a apaixonadamente. Rute correspondeu com prazer ao beijo, tão intempestivo como inesperado. Ficaram ali longos minutos com as bocas coladas e os corações em alvoroço.

- Desculpa Rui – acabou ela por dizer quando conseguiu que as bocas se afastassem um pouco – desculpa o meu comportamente de ontem. Fui uma idiota.

- Chiu. Não digas nada. Estás aqui, é quanto basta.

- Não sei explicar o que me passou pela cabeça, de repente fiquei com medo.

- Medo? De quê, minha querida?

- De que me estivesses a usar e eu acabasse por me magoar de novo.

- Não te hei-de magoar nunca. Nunca faria sofrer a mulher que amo, e eu amo-te Rute. Pode parecer-te estranho, ou podes mesmo desconfiar, dum amor assim tão rápido. Poderás mesmo dizer que não acreditas em amores à primeira vista, mas a verdade é que te amo, e muito. Não é uma amor nascido ontem, mas um sentimento que tem vindo a germinar desde que me cruzo contigo diáriamente no colégio; como uma semente que se vai desenvolvendo no interior da terra sem que ninguém se aperceba disso. O nosso encontro de ontem apenas o fez romper a terra e aparecer à luz do dia.

- Não duvido, meu amor, não duvido um só instante, porque também eu me apercebi na noite passada que há muito eu sentia alguma coisa por ti. Hoje sei que é amor. Eu amo-te Rui.

As duas bocas uniram-se de novo e foi assim, abraçados, que Rui a puxou para dentro de casa fechando a porta de seguida.

- Mas diz, meu amor, como me descobriste? Como descobriste a minha casa? Não sabias a morada, julgo eu.

- Não, não sabia, mas disseste-me ontem que moravas nas Azenhas do Mar. è uja pequena aldeia e pensei que não fosse difícil encontrar-te, perguntando nos cafés se te conheciam. Com o nome e a profissão não foi difícil. Tive ocasião de constactar que és muito conhecido nas Azenhas.

- Moro cá há muitos anos e gosto de conviver com as pessoas.

- Passei umas horas horríveis depois de te ter deixado no adro da igreja. Era noite alta quando consegui adormecer. Meditei muito e com a ajuda da lua e de um luar de sonho consegui decifrar o que sentia por ti. Como não tinha o teu número de telefone e porque tinha urgência em esclarecer tudo contigo, resolvi vir hoje mesmo procurar-te, e aqui estou.

- E nem sabes quanto isso me faz feliz. Estava ansioso que chegasse a próxima segunda-feira para te encontrar no colégio e falar contigo. Se soubesse a tua morada já tinha ido bater-te à porta.

- O que importa é que agora temos oportunidade de eslarecer todas as nossas dúvidas.

- Mas eu não tenho dúvidas Rute. Pode parecer prematuro mas tenho a certeza que te amo e que te quero a meu lado em todos os momentos da minha vida.

-Teremos tempo para falarmos sobre isso. O que pensas fazer hoje? Está um dia lindo.

-Que tal almoçarmos. Tenho ali um arroz de cabidela que deve estar divinal. A Joana fá-lo como ninguém. Cozinhou-o para o meu jantar de ontem, mas estava sem fome e nem lhe toquei.

- A Joana?

-Ah! A Joana é a senhora que trata da minha casa há já muitos anos. É uma excelente pessoa e muito dedicada.

- Então vamos lá atirar-nos à cabidela da senhora Joana.

- E depois um passeio pela falésia, e ao entardecer podemos contemplar o pôr-do-sol enquanto damos uns mergulhos aqui na piscina. Que achas?

- Acho perfeito.

- Dormes cá?

- Durmo, mas num quarto separado se não te importas.

- Num quarto separado? Porquê Rute?

- Não nos apressemos. Vamos dar os passos lentamente mas com segurança. Gostaria que tudo acontecesse no tempo certo e com a certeza de que é isso mesmo que queremos. Se o fizermos teremos mais possibilidades de sermos felizes e de não nos magoarmos. Assim gostaria de passar o fim de semana contigo aqui na tua casa, mas sem partilharmos a mesma cama. Por enquanto.

- Como queiras. Farei tudo o que quiseres.

O fim-de-semana foi fantástico para os dois. Outros fins de semana se sucederam, umas vezes na companhia da filha de Rute, outras sózinhos, quando ela ia para junto do pai. A cumplicidade entre eles foi crescendo e já não podiam passar um sem o outro. Chegou a altura de decidirem o que queriam para o seu futuro e finalmente Rute acabou por aceitar partilhar a cama do namorado. Nesse dia resolveram passar a viver juntos na casa das Azenhas do Mar, bem junto ao mar, tendo como vizinhos o cheiro intendo da maresia e o ruído permanente das ondas marinhas a fustigarem impiedosamente os rochedos lá no fundo da falésia.

E será que foram felizes para sempre? Faço força para que sim. É que eu gosto mesmo destes dois.

FIM

Peço desculpa pela demora em publicar o final desta historiazinha e pela forma pouco cuidada como o escrevi, mas fi-lo porque não queria interromper as minhas postagens neste blog sem definir o futuro da Rute e do Rui. Vou estar ausente por uns tempos, por motivos de saúde, os mesmos que me têm mantido longe de todas as minhas amigas, (e amigos), bloguistas. Prometo que vos visitarei sempre que me for possivel. Vou ser operado dentro de duas semanas, se Deus quiser, e se Deus quiser, voltarei recuperado o mais rapidamente possível.Até agora é mais a cabeça que me incomoda já que fisicamente me sinto bem. Espero continuar a sentir-me bem depois da cirurgia e ficar com a cabeça limpa, para voltar a visitá-las e a escrever estas coisa que vocês têm a amabilidade de fingir que gostam. Um beijo grande para todas e até breve...se Deus quiser.

OS MONSTROS

Da minha amiga Alice Matos recebi hoje este mail, que divulgo porque nunca é demais denunciar as barbaridades que os adultos cometem contra as crianças, mesmo que seja através de pequenas histórias. A Sara não existe nem nunca escreveu esta carta, mas quantas crianças no mundo a poderiam ter escrito? E o que são os adultos que procedem desta forma? Uns monstros. E o que são as autoridades que castigam devidamente estes monstros? Deixo a resposta ao critério de cada um. O meu nome é ""Sara"" Tenho 3 anos Os meus olhos estão inchados, Não consigo ver. Eu devo ser estúpida, Eu devo ser má, O que mais poderia pôr o meu pai em tal estado? Eu gostaria de ser melhor, Gostaria de ser menos feia. Então, talvez a minha mãe me viesse sempre dar miminhos. Eu não posso falar, Eu não posso fazer asneiras, Senão fico trancada todo o dia. Quando eu acordo estou sozinha, A casa está escura, Os meus pais não estão em casa. Quando a minha mãe chega, Eu tento ser amável, Senão eu talvez levaria Uma chicotada à noite. Não faças barulho! Acabo de ouvir um carro, O meu pai chega do bar do Carlos. Ouço-o dizer palavrões. Ele chama-me. Eu aperto-me contra o muro. Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos. Tenho tanto medo agora, Começo a chorar. Ele encontra-me a chorar, Ele atira-me com palavras más, Ele diz que a culpa é minha, que ele sofra no trabalho. Ele esbofeteia-me e bate-me, E berra comigo ainda mais, Eu liberto-me finalmente e corro até à porta. Ele já a trancou. Eu enrolo-me toda em bola, Ele agarra em mim e lança-me contra o muro. Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos, E o meu dia continua com horríveis palavras... "Eu lamento muito!", eu grito Mas já é tarde de mais O seu rosto tornou-se num ódio inimaginável. O mal e as feridas mais e mais, "Meu Deus por favor, tenha piedade! Faz com que isto acabe por favor!" E finalmente ele pára, e vai para a porta, Enquanto eu fico deitada, Imóvel no chão. O meu nome é "Sara" Tenho 3 anos, Esta noite o meu pai *matou-me*. Existem milhões de crianças que assim como a "Sara" são mortos. E você pode ajudá-los. http://www.portugueselanguageservices.com.au

O blogue "A PAPOILA" atingiu as 50.000 visitas. A qualidade do blogue e da sua autora justificam plenamente este número. Parabéns amiga, e um beijo grande.

Domingo, Março 23, 2008

DOMINGO DE PÁSCOA - A RESSUREIÇÃO DE CRISTO



Jesus ressuscistou. Sem a ressurreição de Cristo o Cristainaismo não faria sentido.
Será que acreditamos? Eu acredito.


Hallelujah - G.F. Handel "Messiah" - Bethany College Choir



Uma Santa Páscoa para todos.

Sábado, Março 22, 2008

SÁBADO SANTO - O RECOLHIMENTO




Com Jesus no Santo Sepulcro recordemos o sofrimento da Virgem Maria. Avé Maria...

Sexta-feira, Março 21, 2008

SEXTA-FEIRA SANTA - A PAIXÃO DE JESUS CRISTO



Jesus Cristo morreu na cruz por todos nós. O mundo cristão está de luto. Pai Nosso...

Quinta-feira, Março 20, 2008

QUINTA-FEIRA SANTA - A ÚLTIMA CEIA




Tempo de silêncio, recolhimento e de oração. Pai Nosso...

Terça-feira, Março 11, 2008

AINDA HAVERÁ PESSOAS ASSIM?

Vou partilhar convosco um bonito mail que recebi hoje. É apenas uma história, julgo eu, mas é uma história que nos faz sentir bem. Digo eu.


"Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de
hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas
as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.

Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres,
famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos,
onde tinham passado as férias...
E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava,
passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as
coisas que conseguia ver do lado de fora da janela.

O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de
uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a
actividade e cor do mundo do lado de fora da janela.
A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes,
chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus
barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por
entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e
enormes acariciavam a paisagem e uma ténue vista da silhueta da cidade
podia ser vislumbrada no horizonte. Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas.

Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar:
Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e
ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de
palavras bastante descritivas.

Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto
trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida, o
homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia.•
Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que
levassem o corpo.

Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser
colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e
fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a
enfermeira deixou o quarto. Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo! O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu
falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas dar-lhe coragem..."

Moral da História:

Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos
nossos próprios problemas.

A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando
partilhada, é dobrada.

Se te queres sentir rico, conta todas as coisas que tens que o
dinheiro não pode comprar.

O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que o chamam de presente.


Quero informar as minhas amigas, e amigos, que não estou esquecido de terminar a história " A Trintona e o Cinquentão". O epílogo será o próximo post. Vamos lá ver se gostam.

Quarta-feira, Março 05, 2008

O BANQUETE DO AMOR




O BANQUETE DO AMOR

Realizador: Robert Benton
Intérpretes; Morgan Freeman; Selma Blair; Greg Kinnear
Género: Drama/Romance Idade: M/12 Duração 102 m Filme de qualidade

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Um pintor depois de ver este filme poderá perfeitamente imaginá-lo como um belo quadro pintado com cores alegres e garridas salpicadas aqui e além por algumas pinceladas mais sombrias. Por seu lado um músico talvez o imaginasse como uma sinfonia, uma harmoniosa conjugação de andamentos e sonoridades, desde o ”Allegro” ao “Pianníssimo” , do som pujante e triunfal dos metais à suavidade da harpa, à beleza dos violinos e à melancolia do violoncelo. Eu, que não pinto nem componho vi este filme apenas com os olhos de um simples cinéfilo que saiu da sala de cinema com a certeza reforçada que o amor é um sentimento lindo. Imprevisível, louco, ingrato, por vezes cruel mas sempre lindo… muito lindo.

“O Banquete do Amor” pode perfeitamente ser olhado como um quadro que nos extasia, uma sinfonia que nos embala ou simplesmente um filme que nos enternece e enche a alma. Experimentemos ve-lo com os olhos do pintor e apreciemo-lo como se de um quadro se tratasse; fixemo-nos na sua policromia e tentemos vislumbrar nela o amor a emergir da explosão de cores, alegres umas a sugerirem ventura, outras mais escuras a representarem a tristeza e a angústia que o amor tantas vezes arrasta consigo. Tomemos agora o lugar do músico e “oiçamos”, o filme, como uma sinfonia, ora melodiosa e tranquila, ora arrebatadora e truculenta, que através da sonoridade dos diversos instrumentos e da diversidade dos andamentos “canta” os vários estados e expressões do amor, desde a alegria e o êxtase à decepção e ao sofrimento. Se não formos capaz de o fazer, e muitos de nós não o serão porque não somos músicos nem sequer somos pintores, vejamo--lo apenas como vulgares apreciadores de cinema, como pessoas que amam e são felizes ou pessoas para quem o amor não trouxe a recompensa ansiada. Todos estamos ali representados.

Este filme do “oscarizado” Robert Benton senta-nos à mesa de um café numa pequena cidade do interior do Estado do Oregon, na companhia de Harry, um velho professor e literato, um homem atento e perpicaz que se apercebe primeiro do que ninguém de tudo o que vai acontecendo naquela cidade. Ao seu lado, nós espectadores, vamos aprendendo com ele a saber observar e a interpretar sinais, sejam eles um simples olhar, um gesto dissimulado ou mesmo um silêncio revelador. Harry utiliza a sua sagacidade, a experiência e sabedoria que adquiriu com a idade e o poder de observação que a sua condição de escritor lhe desenvolveu, para, prevendo o que muito provavelmente irá acontecer no futuro próximo, ajudar e orientar os seus amigos a ultrapassar os momentos menos bons que se aproximam, ou a prepará-los para os momento felizes que irão viver em breve. A uns e outros não faltará com uma palavra amiga, um conselho útil, um aviso oportuno.

Como já deu para perceber “O Banquete do Amor” é um filme, um excelente filme, sobre o amor e todas as suas “nuances”: a felicidade, a desilusão e o sofrimento. Da mesa do café onde o realizador nos sentou iremos conviver com a paixão, o encantamento, a traição e a esperança, tudo isto faces do mesmo sentimento. Regressando ao início deste comentário, e porque não sei pintar, não sei compôr, mas porque também não sabendo escrever poesia julgo que tenho alma de poeta, direi que vi este filme não só com os olhos do cinéfilo compulsivo que sou, mas também com os do poeta que gostaria de ser, e consegui ver nele um encantador poema de exaltação do amor, um poema que aconselho a todos aqueles que acreditam nele, que amam, que já amaram ou que se preparam para amar. Um filme aconselhável a todas aquelas pessoas que sentem ou já sentiram o calor dessa chama abrasadora que é capaz de transformar o mais circunspecto e inteligente dos seres humanos no mais chapado idiota que é possível imaginar. É aí que reside uma grande parte do encanto do amor.


Comentário publicado no jornal "CRUZ ALTA" (www.paroquias-sintra.net)

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

NÂO TERIA MUDADO NADA? MUDOU SIM...PARA PIOR!




"As Farpas" de Eça de Queirós
133 anos depois........


«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os
carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado
como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»


Isto foi escrito em 1871, por Eça de Queirós, no primeiro número d'As
Farpas, quando ainda não havia Sócrates. Hoje é isto tudo...e muito mais.

Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

UMA PRENDA DA MENINA DOS DIAMANTES




A Menina dos Diamantes, como eu lhe chamo por brincadeira, do blog MOMENTOS, http://somomentos.blogspot.com, ofereceu-me mais um mimo que eu aceito com muito prazer e gratidão.

Passo-o, por motivos óbvios, a todos os blogs que linkei neste blogue. Gostaria que o aceitassem e que visitem o blog MOMENTOS. Vão gostar de certeza.

Aceito também a sugestão da Alice do Blog "DETALHES" que pode ser acedido no link que pode ser encontrado na coluna da direita deste blogue. Com a publicação deste sêlo solidarizo-me com todos aqueles que estão impedidos de escrever, ou manifestar de qualquer outra forma, o seu pensamento.

Sábado, Fevereiro 16, 2008

UM DESAFIO ? GOSTO DISSO.




Aa minhas grandes amigas,( nossas grandes amigas), Papoila e Luar Perdido tiveram a amabilidade para me convidar a divulgar 6 características da minha personalidade. Fá-lo-ei com todo o gosto, e só espero é que dando-e assim a conhecer não venha a perder a vossa amizade. É que eu não sou grande coisa. Então lá vai.

1 – SOU SONHADOR - Eu não acredito que os signos tenham alguma coisa a ver com a nossa personalidade e os nossos comportamentos. Os signos não influenciam em nada os nossos amores, a nossa saúde ou a nossa carteira. Pelo menos eu não acredito. Diz-se no entanto que os aquarianos são pessoas que têm uma imaginação fértil e vivem num mundo muito seu. Dizia uma vez uma colega minha que o filho, também um aquariano, criava o seu mundo e vivia-o intensamente, um mundo imaginário claro. Achei graça porque essa descrição ajustava-se, e ajusta-se a mim como uma luva. Sou sonhador e pronto. Porquê? Sei lá…porque sou e não por ser de Aquário, penso eu.

Resultado: 1 ponto negativo.

2 – SOU COMODISTA – É verdade, não gosto mesmo nada de coisas que me incomodem. Sou um homem de rotinas e não gosto muito de romper com elas. Não sou aventureiro, não gosto de seguir por caminhos que não conheço e de fazer coisas que julgo que não sei fazer. Não tenho ganho nada com isso e tenho perdido alguma coisa. Agora é tarde para mudar…mas se não fosse também não mudaria. Se não mudei quando era novo!

Resultado: Mais 1ponto negativo.

3 – SOU LEAL – Sou incapaz de tratar alguém com deslealdade. Quando sou amigo, sou mesmo amigo e quando tenho algo a censurar a alguém faço-o directamente olhos nos olhos e nunca nas costas de quem quer que seja. Se alguém me desilude limito-me a afastar-me e a coisa fica por aí. Nunca na minha vida tentei prejudicar quem quer que seja nem a falar mal de ninguém. Quem me conhece sabe que é assim e sabe com o que pode contar.

Resultado: 1 ponto positivo, finalmente.

4 – SOU RESERVADO – Faço todos os possiveis para não deixar transparecer os emoções. Guardo-as por norma para mim sem as compartilhar, o que é uma atitude péssima. Não gosto de dar nas vistas, já bem basta o meu metro e noventa. Recordo que quando era adolescente era muito tímido, depois quando comecei a trabalhar torne-me um grande descarado, mas no meio desse descaramento havia ainda uns laivos de timidez o que levou uma vez uma colega aminha a dizer em publico que eu era como um toureiro daqueles que toureiam muito bem, fazia tudo bem feito, mas hesitava na hora da estocada final. Era verdade. Ela conhecia-me bem… sabia que eu gostava da festa brava.

Resultado: Outro ponto negativo.

5 - SOU FANÁTICO POR CINEMA – Sou um cnéfilo compulsivo. Vejo todos os filmes, bons ou maus. Só não vejo, por norma filmes de terror. Sou dos que acho que todo o filme, por muito mau que seja tem sempre algo que merece o tempo que se gastou a vê-lo: uma frase, um olhar, um gesto, um silêncio, uma música…uma mulher, claro. Comecei a ver cinema ainda muito criança ao colo da minha mãe. Bem não é bem verdade porque nessa altura quando as luzes se apagavam eu metia a cabeça debaixo dos braços dela e só os abria quando elas se acendiam de novo. Ainda não havia mulheres despidas no cinema nessa altura, senão eu não fechava os olhos não. É muito possível que nos encontremos por aí numa qualquer sala de cinema, perto, (ou longe), de si.

Resultado: 1 ponto positivo? ( O exagero nunca pode ser considerado positivo, acho eu.) 1 ponto negativo? ( Porquê? O que há de mal em gostar tanto de cinema?) Decidam vocês.

6 – SOU UM CONTEMPLATIVO DA MULHER – Acho a mulher a mais bela e harmoniosa obra da criação. Não me canso nunca de contemplar a beleza feminina embora com muito respeito. Faz parte da minha formação não ser incómodo, vulgar, ou inconveniente. Acho que a mulher tem o direito de andar nas ruas sem ser incomodada só porque cometeu o "crime" de ser bonita e sedutora. Mas que gosto de a apreciar, isso gosto embora o faça com a máxima discreção pocurando que ela não se aperceba de que a estou a observar e nao se sinta incomodada. Olho-a com o mesmo embevecimento com que contemplo uma bela pintura, uma escultura ou uma fantástica paisagem. Em êxtase.

Resultado: 1 ponto positivo sem dúvida nenhuma.


E pronto aqui estão 6 características da minha personalidade. Agora só me resta dizer: gostei muito de vos ter conhecido, foram umas amigas extraordinárias e lamento tê-las agora desapontado. Sejam muito felizes e não pensem muito mal de mim. Um beijo para todas e um abraço para os amigos.

PS

Peço desculpa mas esqueci-me de lançar este desafio, não a 5 amigas mas atodos os que lerem este post. Acho tão interessante ficarmos a conhecer-nos um pouco melhor que seria um crime limitar o número dos desafiados. Vá lá, confessem-se.

Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

CONTRA A PEDOFILIA




Da nossa querida amiga do blog SILÊNCIO CULPADO recebi este símbolo para o publicar hoje neste blog à semelhança do que acontece com muitos outros. A ideia é mostrarmos todos a nossa solidariedade para com todas as crianças vítimas de abusos sexuais. É preciso lutar contra esta monstruosidade e culpar severamente todos os pedófilos, sejam eles quem forem e tenham o estatuto que tiverem. As crianças são o que de melhor existe no mundo, temos a obrigaç~~ao de as acarinhar e defender.

Esta iniciativa partiu do blog:LUZ DE LUMA http://luzdeluma.blogspot.com/

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

O REGICÍDIO



Faz hoje cem anos que foi assassinado o Rei D. Carlos e o Príncipe Herdeiro D. Luis Filipe. Dois cobardes disparam à queima-roupa contra a família real quando atravessava o Terreiro do Paço. Foi assim que começou a república...com sangue. Talvez por isso a côr vemelha da bandeira que eles instituiram. O verde...talvez da esperança que nunca passou disso mesmo e que há muito se desvaneceu por obra e graça da incompetência republicana.

Muitas centenas de pessoas estiveram hoje no Terreiro do Paço para recordar a efeméride e homenagear o Rei-Artista e o seu filho mais velho. Gritaram-se vivas ao rei e à monarquia. O governo esteve deliberadamente ausente da cerimónia mas parece que ninguem deu por falta deles. Ao que parece o povo parece que quer é distância dessa gente.

Curvo-me perante a memória do Rei D. Carlos e do herdeiro do trono. Os tiros que dois assassinos disparam e que feriram de morte o Rei, não mataram só a monarquia portuguesa mas mataram também Portugal. Hoje temos um país falido, desprestigiado e ignorado pela esmagadora maioria das outras nações e está na cauda da Europa por incompetência dos republicanos que o deixaram afundar-se. Estamos num país do 3º mundo governado por gente do 5º mundo. Triste fado.




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Não vem a propósito mas não posso deixar de registar esta afirmação do sr. sócrates:

"Desde 1989 que nunca tive outra remuneração que não fosse da actividade política, conforme se pode verificar pela declaração de rendimentos que entreguei no Tribunal Constitucional", afirmou José Sócrates aos jornalistas, à chegada a Sever de Vouga para visitar o Centro de Novas Oportunidades

(Notícia retirada do Portal Sapo).

Ora aqui está um homem de trabalho. E quem paga, quem é?

Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

A TRINTONA E O CINQUENTÃO - Cap. 7

AS DÚVIDAS DE RUTE

Ia a noite adiantada quando Rute, vencida pelo cansaço, resolveu ir para a cama embora soubesse que o mais provável seria não conseguir pregar olho até o dia nascer. Desde que saira do carro de Rui que a sua cabeça se transformara num vulcão prestes a explodir, tal era a confusão em que ela se transformara. Invadida por um turbilhão de sentimentos contraditórios que lhe perturbavam a lucidez sentia-se completamente perdida e confusa, sem capacidade de raciocínio, sem saber bem o que pretendia e mais grave ainda, sem ter percebido o verdadeiro significado dos acontecimentos daquela manhã na serra e sem fazer a menor ideia das implicações que eles forçosamente iriam ter no futuro. Desorientada e com uma tremenda dor de cabeça Rute mergulhou na escuridão do quarto sem acender a luz, abriu as janelas de par em par, deixou-se envolver pela brisa quente e suave que vinha da rua e contemplou extasiada a beleza do luar que pintava de prata o céu estrelado. Estava uma esplêndida noite de Verão, cálida e serena, como poucas vezes se via em Sintra. Vestiu uma vaporosa camisa de noite, saíu para a varanda, sentou-se na cadeira de verga que ali estava e ficou a contemplar aquele céu deslumbrante deixando que o luar fizesse refulgir, no meio da noite, um par de pernas magnífico que a camisa de noite, curta e transparente, deixava esplendorosamente nuas.

Banhada pela resplandecência do luar que iluminava a noite, e sentindo a aragem morna e mansa a acariciar-lhe o corpo, Rute foi-se sentindo progressivamente mais serena e tranquila. A pouco e pouco a paz e a tranquilidade que se foi apoderando dela contribuiam para apaziguar os conflitos e as emoções descontroladas que há algumas horas atrás tinham tomado posse da sua cabeça. Mais calma fixou o olhar no brilho suave daquela enorme bola prateada que tinha à sua frente, e desejou ardentemente encontrar nela, uma tradicional aliada dos amantes, as respostas às suas dúvidas e hesitações. Esperava que a serenidade daquela noite prateada a ajudasse a arrumar as ideias e a compreender, finalmente, tudo aquilo que acontecera na véspera, porque agira da forma como o fez e quais os seus verdadeiros sentimentos para com aquele homem a quem, horas antes, estivera quase a entregar-se, um homem que ela mal conhecia e que, com a atitude de cavalheiro e alguns beijos carregados de ternura, fizera ruir toda a sua fortaleza. Sentia que agira como uma mulher fácil e oferecida, e procurava descobrir que diferença poderia haver entre o seu comportamento naquela manhã e o comportamento de uma vulgar prostituta. Apenas lhe ocorrera um argumento: não fizera nada a troco de dinheiro. Fizera-o então porquê? Era essa a resposta que ela tinha que encontrar urgentemente, era essa a chave de todo enigma em que, desde o dia anterior, se tornara a sua vida, e ela sabia que era imperioso encontr´-la rapidamente.

Onde estava a mulher decidida, segura, com uma personalidade forte mas também manipuladora e irreverente que ela pensava ser? Essa mulher segura e decidida derretera-se facilmente nos braços de um homem praticamente desconhecido, com o calor de alguns beijos trocados num local romântico ao som dos gorgeios da passarada que esvoaçava à sua volta, e sem esboçar sequer a mais pequena reacção. Apenas recusara o último passo que estivera, no entanto, muito perto de dar. Valeu-lhe Rui não se ter aproveitado da sua vulnerabilidade momentânea, porque se tivesse insistido teria decerto conseguido os seus intentos. Foi o cavalheirismo dele que a salvou. Ao pensar nisso Rute sentiu admiração e ternura pelo companheiro dessa manhã, e pela primeira vez nessa noite deixou que um leve sorriso lhe aflorasse aos lábios.

Na confusão de todos estes pensamentos e emoções e sempre com os olhos postos na Lua, Rute procurou na suavidade da sua luz a clarividência para compreender o que se estava a passar com ela e descobrir o caminho seguro que a levasse até à felicidade porque tanto ansiava. De repente pareceu-lhe vislumbrar na Lua um sorriso que ela interpretou como sendo de encorajamento. Aquele sorriso, imaginário, que julgara ter visto abrir-se na face da lua, saira afinal de dentro do seu coração e não era outra coisa senão a satisfação e o prazer que sentia ao pensar na perspectiva de poder vir a ser feliz ao lado do homem que a fizera sentir-se de novo mulher. Tinha acabado de se fazer luz na sua mente e de chegar à conclusão que fora uma perfeita idiota ao terminar o seu passeio com Rui da forma injusta e intempestiva como o fizera. Afinal toda a indecisão e sofrimento que acabara de viver nas últimas horas foram completamente injustificados. O homem que ela agora sabia que amava e que queria perto de si para sempre, tinha-a respeitado, sentira isso na foma como a beijara e acariciara e teria sido, talvez, esse o motivo que a levou a corresponder aos beijos sem esboçar qualquer reacção. Rui, percebera agora, tinha-lhe dado a maior prova de amor que ela podia pedir, parara quando ela que pediu que o fizesse e fê-lo sabendo perfeitamente que se insistisse um pouco mais conseguiria dela tudo aquilo que desejava.

Eufórica, Rute levantou-se, beijou a palma da mão e soprou o beijo em direcção à enorme bola de prata que lhe sorrira, lhe banhara o corpo com a sua luz suave e lhe sossegara a alma com a sua serenidade. Alijada dos medos e dúvidas recentes, sentiu-se tão leve que lhe apeteceu voar. Despiu a camisa de noite que lançou ao ar, levantou os braços, rodopiou sobre si própria e completamente nua ensaiou uns graciosos passos de dança. Nunca fizera isso em toda a sua vida, mas tinha acabado de nascer ali uma nova Rute. Sentiu um prazer imenso ao sentir o corpo ser envolvido pela aragem morna da noite enquanto o luar esplendoroso banhava a nudez do corpo soberbo que ansiava entregar-se à volupia dos beijos e abraços de Rui e deixá-lo descobrir todos os segredos que encerra em si.

Aquela que prometia ser uma noite de pesadelo transformara-se por obra e graça de um sorriso adivinhado numa bola de luz, numa noite de magia e felicidade. Rute, completamente transfigurada, entrou no quarto deixou-se cair sobre a cama e adormeceu tranquilamente com um sorriso nos lábios completamente nua e iluminada pela luz mansa que a Lua fazia incidir sobre a ela.

(Continua)

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A nossa boa e querida amiga Agulheta do blog MAR DE CHAMAS presenteou-me com este mimo que eu ofereço a todos os meus amigos cujos blogs estão linkados na coluna da direita. Levem o sêlo.

Obrigado Agulheta e um beijo grande.

Sábado, Janeiro 19, 2008

O PORTUGAL DO FUTURO



Esta foi a notícia de hoje. A de ontem foi esta:



O que virá a seguir? Nada de bom com toda a certeza enquanto este "sítio" fôr (des)governado por esta gente. E os portugueses, que fazem?

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

UM AEROPORTO EM PLENO DESERTO?

"A zona sul do Tejo, é um deserto, não tem pessoas, não tem escolas, não tem cidades, não tem hospitais. Tenho falado com alguns dos mais reputados técnicos da matéria que me têm dito: o aeroporto na zona sul, jamais...jamais". (Palavras quase exactas do ministro Mário Lino)

...O homem devia estar já com a ideia no Lisboa-Dakar...

"Pensem que se um dia dinamitassem a ponte. Sabe-se que hoje há terrorimo no mundo. Se dinamitassem a ponte o país fica divido entre norte e sul..." (Palavras quase exactas do Dr. Almeida Santos sobre a possibilidade da ponte ser construída a sul do Tejo)....

...Agora já sabemos porque foi que anularam o Lisboa/Dakar...


"Está decidido. O novo aeroporto de Lisboa vai ser construido na OTA, por ser a melhor opção. Nada nem ninguém nos fará mudar de opinião"

(Foi mais ou menos por estas palavras que o sr sócrates "avisou" da sua decisão quanto à localização do novo aeroporto)


"O governo baseado nos estudos do LNEC decidiu que o novo aeroporto de Liboa será construído em Alcochete, por ser a solução que melhor serve o país".

(Palavras aproximadas do sr. sócrates a anunciar a localização do novo aeroporto de Lisboa)

Ali bem no deserto.


-MAS PORQUE É QUE ESTA GENTE NÃO SE CALA?



"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e
sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos
de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de
dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de
sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se
lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo,
enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da
sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, -
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta ate à medula, não
descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem
carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam
na vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a
veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao
roubo, donde provém que na politica portuguesa sucedam, entre a
indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis
no Limoeiro (...)

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de
quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela
abdicação unânime do pais, e exercido ao acaso da herança, pelo
primeiro que sai dum ventre, - como da roda duma lotaria.

A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao ponto de
fazer dela saca-rolhas;

Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes
(...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido,
análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao
outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo,
apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, - de não
caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)"


Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896

Em 1896?

Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

ESTRAGAM-ME COM MIMOS.



A minha, e nossa, amiga Maluca Responsável, mais responsável do que maluca, e só é maluca porque às vezes comete loucuras como esta que acabou de fazer, presenteou-me com o sêlo de "BLOG DE ÉLITE". Obrigado querida amiga, vocês estragam-me com mimos, e desvanecem-me com a vossa amizade e carinho, o que me honra e me envaidece. Há no entanto um grande risco que vocês e eu corremos, eu ainda sou capaz de acreditar que tudo isto é verdade. Afinal quem é maluco, quem é?

Como só aqui estão linkados blogs de élite passo-lhes este sêlo, a todos eles. A isto chama-se perverter as regras, mas antes isso do que ser injusto.

OBRIGADO PELA VOSSA AMIZADE. Espero ser capaz de a merecer e retribuir.

Sábado, Janeiro 05, 2008

A TRINTONA E O CINQUENTÃO - Parte VI

Para que as minhas amigas, e os meus amigos, que têm a pachorra de continuar a ler esta história, não pensem que a Rute e o Rui desapareceram de vez, e para que não comecem a fazer juízos temerários sobre estas duas maravilhosas criaturas, ou sobre o escrevinhador que a está a contar esta história, vou avançar com mais um pequeno pedaço desta saga interminável. Até quando?. Não, eles não fugiram nem foram fazer nada às escondidas, porque o contrato que fiz com eles diz que tudo o que tiverem que fazer o devem fazer aqui à vista de todos.

Este pequeno episódio foi escrito um pouco à pressa e foi menos cuidado que os anteriores, que, diga-se a verdade, não mereceram cuidados especiais. Escrevo de rajada e já está, depois falta-me a paciência para rever o texto e enfeitá-lo, mas se o fizesse de certeza que teria que o rescrever por completo e mudar a história toda. Já devem ter percebido pelos comentários que deixo nos blogs amigos que escrevo e depois não leio, tantos são os erros por lá ficam, mas eu sou assim e já estou velho demais para mudar. Resta-me apena um pedido de desculpas. Portanto este episódio fica mesmo, pode não estar bem escrito, e não está de certeza, mas é pelo menos é genuíno. Foi assim que me veio à cabeça e é assim que ficará. É por isso que eu nunca poderia ser escritor. Por isso, e um por um outro pormenor de somenos importância: a falta de talento. Mas iso que interessa?

Em breve saberemos mais notícias deste dois " cromos" a que poderemos chamar: a teimosa e o persistente. Quem vencerá?


CAPÍTULO VI - (Rute " A imprevisível")
...


Terminada a refeição e de novo sentados no automóvel, Rui perguntou:

- E agora queres ir conhecer a minha casa?

- Não, já disse que ainda é cedo.

- Mas sem passagem pelo quarto, prometo.

- Não. Ainda não. Como te disse preciso de estar sózinha e arrumar as minhas ideias que neste momento estão completamente baralhadas. E tu que vais fazer?

- Pôr as ideias em ordem também, e acrescentar mais algumas, poucas, páginas ao romance que há muito ando a tentar escrever.

- Romance? Explica lá isso melhor.

- Não te disse? Para além de jurista tenho também pretensões a romancista. Ando há mais de um ano a tentar escrever um. Já escrevi cerca de cinquenta paginas, como vês o romance avança a passo de caracol.

- E não estarás por acaso,a procurar uma nova personagem para o teu romance, assim do tipo mulher que se leva para a cama depois de uma breve passagem pela Pena – perguntou ela desconfiada.

Rui ficou atrapalhado. A última coisa que queria era fomentar a desconfiança na cabeça da amiga, que a acontecer poderia deitar a perder todo o trabalho feito até aqui. Apressou-se a sossegá-la:

- Pelo amor de Deus Rute, como podes pensar uma coisa dessas?

Ela não respondeu, mas a cara ensombrou-se-lhe e ficou pensativa e inquieta.

- Leva-me ao carro. Já estou atrasada – disse com alguma frieza na voz, após alguns minutos de silêncio.

Agora foi a vez de Rui permanecer calado. Também ele estava preocupado. Fizera mal em falar da sua veleidade literária. Se não a conseguisse convencer que ela era para ele mais do que uma possível personagem futura do seu livro, perde-la-ia para sempre. Tinha a certeza disso. Rute não era mulher para lhe perdoar essa traição.
O resto da viagem de regresso foi feito em silêncio total. Quando chegaram ao seu destino, Rui parou o carro e disse:

- Chegámos.

Rute abriu a porta e saíu despedindo-se friamente:

-Adeus, e obrigado pelo passeio.

- Nem um beijo de despedida?

- Já houve hoje beijos demais. Adeus.

Adeus! Rui, desanimado, viu Rute afastar-se, entrar no carro e partir disparada. Ia furiosa. Quando ela desapareceu, debruçou-se e deixou cair a cabeça sobre as mãos apoiadas no volante. Estava tudo perdido pensou ele não conseguindo evitar que uma lágrima mais rebelde se soltasse e rolasse pela face.



( Continua)

Domingo, Dezembro 30, 2007

UM BOM ANO DE 2008 PARA TODOS

Montagem de duas fotos do site Adoro Imagens com outra de autor desconhecido

Passem o ano da forma que gostarem mais. Valeu?

Sexta-feira, Dezembro 28, 2007

UM VÍDEO LINDO.



A nossa querida Ana Luar, uma verdadeira fada da blogoesfera teve a gentileza de me enviar este lindíssimo vídeo que eu agora quero compartilhar com todos os que me visitam. É sublime!

Ganhem 5 minutos a ver e ouvir este vídeo e vão ver que a alma vos ficará agradecida. Ao ouvi-lo eu pensei em lançar um desafio a todos ôs meus amigos e amigas. Ao ver este vídeo façam um poema baseado naquilo que ele vos está a fazer sentir e publiquem--no nos vossos blogs e mandem-mo por mail para eu os publicar também. Como todos sabem eu não sou poeta mas vou tentar fazê-lo também. Um beijo às meninas e um abraço aos meninos e um fantásticoano de 2008 para todos. Divirtam-se e toca a fazer os poemas, valeu?

Sábado, Dezembro 22, 2007

UM SANTO NATAL



Desejo a todas as minhas queridas amigas e ao meu bons amigos um SANTO NATAL e um FELIZ ANO NOVO.

Espero no início do próximo mês continuar a história da Rute e do Rui.Peço também desculpa pela minha ausência nos vossos blogs, mas por motivos imperiosos tenho andado algo afastado destas lides.

Um beijo para ELAS e um abraço para ELES.

Sábado, Dezembro 08, 2007

A TRINTONA E O CINQUENTÃO - Parte V

O REGRESSO

Sem terem bem a noção do tempo que estiveram na Cruz Alta e ainda embriagados pela beleza da paisagem e da magia dos momentos que ali passaram, Rute e Rui iniciaram, abraçados, a descida do monte em direcção ao portão de saída do parque, não sem antes pararem em frente de um enorme penhasco granítico que serve de suporte à estátua do Gigante e passarem pelo antigo picadeiro do palácio que nos tempos da monarquia serviu de palco a algumas touradas reais. Sentaram-se na esplanada para descansarem um pouco enquanto iam saboreando um aromático café à sombra do arvororedo frondoso, acompanhados pelo canto melodioso e alegre da passarada que evoluia no ar em graciosos voos saltando de copa em copa. Sentiam-se bem ali e desejaram poder permanecer para sempre naquele local, mas as horas voavam e impunha-se regressar. Foi assim, com enlevo e sempre de mão dada, que retomaram o caminho da saída.

Cansados mas felizes, esquecidos de tudo o que haviam deixado lá em baixo algumas horas antes e a viver aqueles momentos como se não existisse mais ninguém no mundo para além deles, entraram no carro e recostaram-se displicentemente nos bancos, a saborear em silêncio aqueles momentos de felicidade e encanto.

- E agora onde vamos?- Perguntou Rui.

- Para casa. Quero ir para casa pensar em tudo o que aconteceu esta manhã e pôr as ideias em ordem. A minha cabeça está uma confusão.

- Mas há ainda tanta coisa linda para ver nesta serra…

- Rui, o mundo não acaba hoje. Outro dia voltaremos cá para visitar o castelo.

- E o Convento dos Capuchos, o Palácio de Monserrate e a Quinta da Regaleira. Pode ser?

- Fica prometido.

- E quando queres ir conhecer a minha casa? É nas Azenhas do Mar, uma moradia rústica bem ao estilo saloio junto às arribas, frente ao mar com um permanente cheiro a maresia e ar puro que nos invade os pulmões. Vais gostar, tenho a certeza.

- Vou gostar? Falas como se tivesses a certeza que vou.

- E não vais?

- Não sei. Como te disse a minha cabeça parece um vulcão, preciso de pensar muito, pensar com calma e muita ponderação.

- Mas será possível que admitas sequer a possibilidade de que tudo o que vivemos aqui esta manhã se perca e se venha a esfumar no tempo como se nada tivesse acontecido?

- Não, claro que não. Esta manhã existiu e existirá sempre na minha memória, quanto mais não seja como uma recordação agradável de de uma horas mágicas vividas num cenário de sonho numa companhia encantadora. Ficará para sempre a ternura dos nossos beijos e a certeza de que gostamos de estar um com o outro.

-E nada mais? Que posso fazer para que estas horas se transformem em algo mais do que uma agradável recordação?

- Muito mais, meu querido, foi bonito mas é preciso muito mais.

Rui debruçou-se sobre ela e voltou a beijá-la ternamente. Rute correspondeu rendida ao beijo que se ia tornando mais arrebatador à medida que o desejo se ia apoderamndo deles mais intensamente. A mão de Rui deslizou sobre o peito da sua parceira sem que ela esboçasse qualquer resistência. Animado pela passividade de Rute ele introduziu a mão por debaixo da tishirt até lhe tocar os seios que, firmes e em liberdade, se lhe ofereciam como uma dádiva a que era impossível resistir. Começou a acariciá-los suave e delicamente para de seguida intensificar as carícias à medida que sentia os mamilos da rapariga endurecerem rápidamente. Rute reclinara-se no banco e fechara os olhos num inequívico sinal do prazer que a estava a invadir nesse momento. Não tardou muito a sentir a outra mão pousar sobre as coxas, que ela deixara generosamente destapadas por uma saia muito curta e pela forma descuidada como se sentara. Continuou a não reagir até a sentir a subir debaixo da saia reduzida e a aproximar-se rápidamente de locais que ela não estava disposta a deixar invadir. Abriu os olhos, e num gesto brusco retirou a mão de Rui das suas pernas e ralhando numa voz que petendia parecer zangada:

- Não, isso não, já to tinha pedido. Tu prometeste.

- Mas porquê minha querida? – Perguntou ele surpreendido com a reacção da rapariga.

- Porque não quero Rui, ou melhor, porque não devo. Temos que parar por aqui, imediatamente – Disse ela enquanto se tentava libertar dos braços de Rui que a apertavam contra ele.

- Não compreendo. Desculpa mas não te compreendo. Parecia que estavas a gostar e te estavas a sentir bem. Não estiveste a brincar comigo, uma vez mais, pois não?

- Lamento essa pergunta que revela que não percebeste nada do que se passou aqui esta manhã e que também não percebes que tudo tem um tempo certo na vida de uma pessoa, e que este não é ainda o tempo para irmos mais além do que já fomos hoje. Pensaste que eu estava a gostar e estava, mesmo muito para que saibas. Brincar? Pensarás porventura que me divirto a beijar o primeiro homem com que me cruzo. Desculpa mas ofendeste-me muito. Que pensas tu de mim?

- Desculpa, não queria ofender-te, mas fiquei confuso. Parecia estar tudo a correr tão bem!

- E estava, mas tu apressaste-te, não foste suficientemente paciente. Como te disse tudo tem um tempo certo para acontecer. Quando as árvores florescem na Primavera ficas fascinados com a sua beleza, mas elas não te oferecem logo os frutos para saboreares, tens que esperar mais algum tempo até que isso venha a acontecer. É a lei da natureza, que é perfeita e com a qual temos muito que aprender.

- E quando chegará esse tempo?

- Não sei, nem sei sequer se chegará. Como sabes o fruto só amadurece se encontrar as condições adequadas ao seu crescimento. Se chover demasiado ou gear, o fruto apodrece ou queima, cai da árvore antes da apanha e nunca será saboreado.

- E tu és o fruto…

- Que tu queres saborear, não é? Então espera e trata bem da árvore, extasia-te a contemplar a flôr e vai deixando que o fruto se desenvolva até te cair nas mãos, grande, maduro e doce…muito doce.

- Então esta manhã…

- Esta manhã foi perfeita, fantástica, inesquecível. Esta manhã fez nascer a flôr, deixemos agora que ela se abra e desenvolva e gozemos o encanto que nos proporciona. Gosto de ti Rui, conquistaste-me em pouco mais de 3 horas, mas daí a ir para a cama contigo ainda vai uma grande distância. Contempla a flôr, cheira-a, acaricia-a mas não a destruas. Se a tratares com delicadeza e amor, poderás vir a ter o fruto que tanto desejas.

- E como achas que devo tratar a flôr para que ela dê bom fruto?

- Com carinho e com respeito. Essencialmente com muito respeito.

- Pensas que eu alguma vez poderia desrespeitar-te?

- Por enquanto não acho nada, conhecemo-nos mal. O que se passou aqui hoje pode não passar de uma ilusão que a magia deste local ajudou a criar. Quando descermos à terra tudo poderá ser diferente. O que eu quero dizer, meu querido, é que é na rotina normal do dia a dia que nós teremos de avaliar os nossos sentimentos, os nossos comportamentos e tentar adivinhar as intenções alheias. É no convívio diário que nós poderemos avaliar a seriedade, o carácter e as intenções de outra pessoa. O que vivemos aqui hoje pode ter sido apenas ilusão, sonho, magia, encantamento. Será que tudo isto irá subsistir quando mergulharmos de novo na rotina do nosso dia a dia e no frenesim das nossas tarefas e obrigações profissionais e familiares? É isso que falta avaliar. Aqui é tudo lindo, tudo fácil, tudo deslumbrante, e lá em baixo, como será?

- Parece que te entendo. Já te apercebeste de quanto eu desejo saborear o fruto que nascerá desta flôr esplendorosa que nasceu hoje no alto desta serra lindíssima, mas depois desta manhã penso que quero mais do que isso e comecei já a imaginar como deverá ser agradável ter-te a meu lado todos os dias, não apenas na minha cama mas também na minha vida.

Rute ficou estupefacta ao ouvir as últimas palavras do companheiro que lhe soaram quase a uma declaração de amor, embora um pouco tímida. Ficou pensativa e não respondeu de imediato.

- Não dizes nada Rute? – perguntou ele ansioso por ouvir uma resposta.

- Não acredito no amor à primeira vista, penso que já te disse isso. Por norma aquilo que julgamos ser amor não passa de um mero entusiasmo passageiro.

- Mas quem te disse que se trata de amor à primeira vista e não um amor que tem vindo a crescer secreta e silenciosamente sem que nós nos tenhamos apercebido e que agora se manifesta em toda a sua força, estimulado pelo romantismo que nos envolveu nestas últimas horas?

- Pode ser – concordou ela – mas temos que ter a certeza disso. Porém soube-me bem ouvir-te dizer que te começava a agradar a ideia me teres a teu lado na tua vida daqui para a frente. Talvez seja um promissor ponto de partida mas temos que ter a certeza de que é mesmo esse o futuro que desejamos para nós, para que não nos magoemos mais tarde, não concordas?

- Talvez tenhas razão.

- Rui, quero que percebas uma coisa. Já me magoei uma vez, não quero que isso volte a acontecer. Tudo farei para não voltar a viver os maus momentos que já vivi, e não sei se teria força interior para superar um novo fracasso. Se isso vier algum dia a repetir-se, não será certamente por ter sido imprudente ou por negligência mas apenas porque não fui suficientemente inteligente para avaliar correctamente o futuro da relação.

- Queres contar-me?

- Hoje não. Estou demasiado feliz para recordar os maus momentos que me fizeram sofrer. Um dia contar-te-ei tudo. Vamos embora?

- Vamos, mas só depois de me dares mais um beijo.

Desta vez foi ela a aproximar os seus lábios dos dele e dez minutos mais tarde partiram finalmente.

- E se fossemos almoçar? Já passa das duas. Podemos ir à Azoia há lá um restaurante, que tem uns robalos da costa verdadeiramente divinais. Que achas.

- Como posso recusar uma refeição de deuses? Os beijos abriram-me o apetite, vamos embora. – disse ela com aquele sorriso irresistível que lhe é tão característico enquanto Rui punha o carro em andamento em direcção à Azoia, bem perto do ponto mais ocidental da Europa.

(Continua)

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Uma árvore de Natal que me foi oferecida pela Carla Granja.
Esta sim é a verdadeira árvore de Natal. Obrigado querida amiga.
___________________Paz
__________________União
_________________Alegrias
________________Esperanças
_______________Amor.Sucesso
______________Realizações★Luz
_____________Respeito★harmonia
____________Saúde★..solidariedade
___________Felicidade ★...Humildade
__________Confraternização ★..Pureza
_________Amizade ★Sabedoria★.Perdão
________Igualdade★Liberdade.Boa-.sorte
_______Sinceridade★Estima★.Fraternidade
______Equilíbrio★Dignidade★...Benevolência
_____Fé★Bondade_Paciência..Gratidão_Força
____Tenacidade★Prosperidade_.Reconhecimento
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Sexta-feira, Novembro 30, 2007

SEM RESERVA




FILME EM DESTAQUE: " SEM RESERVA"

Realização: Scott Hicks
Intérpretes: Catherine Zeta-Jones; Aaron Eckhart; Abigail Breslin; Patrícia Clarkson
Género: Comédia/Drama/Romance Duração: 105 minutos Idade: M/6 anos.
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De novo um filme com a cozinha como pano de fundo. Depois do ratinho Ratatui chegou agora a vez da elegante Kate Amstrong pegar nos tachos e nas panelas, agarrar-se ao fogão e confeccionar pratos deliciosos capazes de satisfazer o palato mais exigente dos clientes do afamado restaurante onde trabalha, no coração de Manhahatan. Diáriamente Kate empunha a batuta e dirige com mestria a sua “orquestra” composta por uma legião de cozinheiros e ajudantes de cozinha que, sob a sua direcção, executam diariamente sublimes sinfonias de cheiros e de paladares acompanhados pelo tinir das panelas, pratos, tachos e caçarolas. O resultado final não podia ser mais apetitoso e o “concerto”, (entenda-se, a refeição), como qualquer sinfonia que se preze, acaba em apoteose com o aplauso generalizado dos clientes do restaurante que, no final fazem questão de felicitar a “compositora”. Se alguém cometer a ousadia de apontar algum defeito à sua obra Kate irrita-se de verdade, perde a compostura e “o caldo fica entornado”. Invariavelmente a bela Kate regressa a casa todas as noites, orgulhosa e realizada, para descansar algumas horas depois da excitação de um dia de trabalho intenso. Ao bulício do restaurante e ao frenesim da cozinha sucede-se o sossego e o silêncio de uma casa vazia. Kate mora sózinha e não tem outro interesse que não seja a obsessão pelo seu trabalho.
Perfeccionista, exigente e organizada, Kate dirige aquela cozinha tal como uma rainha governa o seu reino, neste caso um pequeno território com alguns metros quadrados ocupados por uma enorme variedade de utensílios e de produtos culinários, manuseados pelas mãos hábeis de um numeroso grupo de súbditos de bata, toca ou chapéu brancos. Aquele espaço é dela e ela não admite ali interferências de ninguém que lhe conteste a autoridade. É uma mistura de rainha e de fada; rainha pela soberania que exerce e fada pelo talento e magia que empresta aos seus cozinhados. Tudo corre bem na vida da bonita chefe de cozinha, até que um dia um acontecimento inesperado deita por terra a sua rotina, que afinal não é mais do que um escudo atrás do qual ela esconde toda a sua fragilidade. Inesperadamente a sua vida irá sofrer um forte abalo, e de um momento para o outro ver-se-á confrontada, não com um mas com dois problemas que ela irá ter muita dificuldade em superar.
Zoe, uma menina de nove anos, sobrinha de Kate, sobrevive a um acidente de viação que ceifa a vida da sua mãe. Dando cumprimento a um desejo manifestado em tempos pela irmã, para precaver uma possível tragédia que pudesse acontecer no futuro, a tia tomou ao menina ao seu cuidado e procurou rodeá-la de carinho. Traumatizada pela morte da mãe e inadaptada a um ambiente estranho e a um estilo de vida demasiado rígido e organizado para uma criança daquela idade, Zoe começa a tornar-se uma menina problemática e a constituir uma dor de cabeça para a tia que não sabe como lidar com a situação. Para cúmulo do desconforto, ao regressar ao trabalho após a morte da irmã, Kate vê a sua cozinha invadida por um estranho que a substituiu temporáriamente e que ela pensa que lhe quer roubar o lugar. A organização e a rigidez que ela ali impôs, foram agora substituídas por um clima de alegria e descontração, com o trabalho a ser executado ao ritmo das mais belas árias de ópera. Bem disposto e descontraído, Nick ganha o afecto de todos os que o rodeiam, excepto de Kate, que fica furiosa ao vêr o seu reino invadido por por um estranho, homem criativo mas irresponsável, que instalou a indisciplina no seu “reino”. Ali ela é a rainha e não está nada interessada em ter junto de si um rei que partilhe com ela o governo da sua cozinha. Irritada, acaba por ver que o “rei” depois de ter aliciado os seus “súbditos” acaba também por, a pouco e pouco, ir ganhando a confiança de Zoe, aquilo que ela, apesar dos todos os seus esforços, ainda não tinha logrado alcançar. Daqui para a frente a história desenrola-se com interesse e com uma mistura equilibrada de humor com uma pitada de emoção.
Apesar de se tratar de uma comédia romântica ligeira e bem disposta, não se pense que estamos perante um filme completamente inócuo. Não é verdade. A principal leitura que podemos fazer deste trabalho de Scott Hicks é que a vida não pode ser vivida apenas num percurso de sentido único. É importante que tenhamos a capacidade de diversificar as nossas opções de vida e a sabedoria para definir prioridades. Temos que ser criativos e sermos capazes de dar cor á nossa vida pintando-a em tons alegres e variados, tal como faz Nick, o intruso que invadiu os domínios de Kate e lhe virou a vida do avesso. O filme ensina-nos que não podemos ficar presos a uma rotina cinzenta, tristonha e limitadora. A vida é um exercício permanente, em que cada dia deve ser vivido intensamente mas sempre com a preocupação de nos preparamos para que o dia seguinte não nos apanhe desprevenidos. Nick sabe isso há muito tempo, Kate só agora começa a aprender.

(- Comentário que publiquei no jornal "Cruz Alta". (www.paroquias-sintra.net)

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Da nossa amiga Maripossa, cujo blog pode ser acedido através do link existente neste blog recebi este mimo. Com a generosidade própria dos amigos ela vez saber que não considera este espaço um mau blog. Obrigado Maripossa e olha para mim todo babado.

Passo este prémio a todos os blogs que eu visito regularmente. Se os visito é porque os considero bons, portanto levem o selinho está bem?